Essa estréia de Pablo Agüero foi provavelmente o melhor filme que vi no Festival de Munique. Esqueçam Machuca, O Ano em Que Meus Pais... e outros filmes em que o protagonista infantil enfrenta as agruras de viver sob uma ditadura latinoamericana. Salamandra vai fundo na história de uma mãe que foge com o filho para El Bolson, na Patagônia, uma região que abriga todo tipo de fugitivo: políticos, hippies, ladrões (Butch Cassidy foi pra lá) etc. Lá eles vão viver em dois ambientes diferentes, cada vez enfrentando situações mais difíceis. Mas o que marca no filme de Agüero é sua capacidade para trabalhar o onírico de uma situação tão dura, mostrando um ponto de vista infantil poucas vezes visto - no sentido de captar a visão infantil de todo o caos da situação, sem apelar para procedimentos como voice over ou clichês do gênero. Há algo de Lucrecia Martel em alguns enquadramentos, mas o clima que o filme constrói é bastante pessoal e, apesar de toda dureza, ou mesmo por causa dela, bastante poético. A última cena é de uma tristeza profunda. Mesmo com algumas cenas desajeitadas, é um belíssimo filme de estréia.
Como "bônus", o filme ainda conta com uma participação mais que especial:
Uma das coisas mais legais que vi em Munique foi a entrevista coletiva com Abel Ferrara. O filme novo, Chelsea on the Rocks, eu perdi: não tava lá na primeira sessão e na segunda me arranjaram um encontro com realizadores latino-americanos - tipo da coisa que não traz muitos resultados, mas que não dava pra deixar de ir. Enfim, estava em Munique representando o Ainda Orangotangos, filme da Clube Silêncio, então via filmes quando dava. E numa dessas oportunidades truvisquei a entrevista com o cara.
Estavam lá ele, um produtor, uma atriz e um ator do filme. Ferrara me pareceu bastante envelhecido fisicamente, mas tem uma energia fantástica, desvia os assuntos, é engraçado. Alguns dos melhores momentos da entrevista (destaque para o que ele fala sobre montagem, uma obviedade que vários cineastas novos insistem em não ver):
- SID VICIOUS: A coisa que mais lamento nesse último filme foi não ter podido usar algumas imagens de Sid e Nancy no quarto do Chelsea Hotel. Os donos dessa imagem pediram um valor absurdo! Essa gente acha que os anos 70 vão despertar o mesmo interesse para sempre, pensam que o tempo não passa. Daqui a pouco ninguém quer saber dos anos 70 e eles acabaram não mostrando essas imagens quando deveriam. E se vocês as vissem, vocês iriam entender por que eu acho que esse menino não matou a Nancy.
- FILMAGEM EM DIGITAL/MONTAGEM: Claro que filmar em digital facilita muito as coisas, principalmente para documentários. Mas eu acho muito engraçado quando leio a quantidade de bobagens escritas a respeito. Ok, filmei 4 vezes mais material do que se eu estivesse fazendo em película, mas em algum momento alguém vai ter que ver esse material, vai ter que selecionar, e em documentário isso significa um assistente a mais de montagem, ou mais tempo pro montador... Você pode até filmar mais rápido, mas você não monta mais rápido. Você tem que deixar o filme montar, você tem que se dar o direito de errar, voltar atrás, experimentar, e para isso você precisa de tempo. Se não, não estamos falando de montagem.
- SOBRE IMPROVISAÇÃO: muita gente associa improvisação com amadorismo, como o oposto do profissionalismo. Para mim é o contrário. A gente não sai improvisando do nada, a gente tem um roteiro, os atores conversam comigo e a gente começa a ensaiar - e nesses ensaios os atores vão acrescentando, a coisa vai mudando, e é aí que nasce o filme. É isso que mais detesto em Hollywood, os atores nunca conseguem explorar o que podem, porque não conseguem ensaiar para oferecer algo realmente digno do trabalho deles. Então o que a gente vê em 99% dos filmes hollywoodianos é apenas o primeiro ou segundo ensaio daquilo que eu costumo trabalhar.
- REMAKE DE BAD LIEUTENANT: Ok, de novo esse papo. Eu realmente tô puto com essa história, por um motivo simples: nós fizemos esse filme com suor e sangue, daí vem esse garoto chamado Nicolas Cage e diz que vai refilmar. Cá pra nós, vocês conhecem idéia mais idiota? E esse diretor, Herzog, quem é ese cara? De onde ele é aqui na Alemanha? (nesse momento o tradutor informa que Herzog nasceu em Munique) Ele nasceu aqui? Oh fuck (dá uma gargalhada). Vocês me desculpem, na real acho que ele está entrando de idiota na história, e que o filho da puta é mesmo Nicolas Cage, que não tem um quinto do talento nem um décimo da personalidade do Harvey Keitel. Perguntem a vários atores, perguntem a Willian Dafoe o que ele acha do Cage... eu ia trabalhar uma vez com ele e todos me parabenizam por não ter dado certo. Ele nunca vai ficar nem ficar na sombra de Keitel, ou de Klaus Kinski, por exemplo.
- PRÓXIMOS PROJETOS: Quero fazer um prequel do King of New York, mas já mudei o roteiro várias vezes. É um filme mais sobre Nova Iorque dos anos 70 do que qualquer outra coisa. Mas antes eu provavelmente vá fazer um western. Ou um anti-western, sei lá. (obs: no imdb o prequel de King of New York, Pericle il Nero, consta como seu próximo projeto, em pré-produção).
Enquanto não coloco aqui um relato breve do Festival de Munique, vai uma notícia achada na folha online. Vale lembrar que Metrópolis é daqueles filmes com inúmeras versões, e que a tal da "versão completa", quase um mito, está mais próxima de ser conferida.
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Quase todas as cenas que faltavam do filme "Metropolis", o mais conhecido do cineasta alemão-austríaco Fritz Lang, foram encontradas na Argentina, informou a porta-voz da fundação alemã Friedrich Wilhelm Murnau, que possui os direitos da obra.
A versão original do longa-metragem mudo de ficção-científica foi exibida em janeiro de 1927 em Berlim e havia desaparecido.
"Quase todas as cenas que faltavam até agora foram encontradas, entre elas duas muito importantes", disse Anke Wilkening, restauradora da fundação responsável pela conservação do patrimônio cinematográfico alemão, com sede em Wiesbaden.
As cenas, que representam "aproximadamente 25 minutos" do filme, estão na cópia de 16 mm encontrada na casa de um particular por colaboradores do museu do cinema de Buenos Aires.
"Graças a esta descoberta sensacional, e apesar da qualidade ruim das imagens, será possível agora completar esta obra-prima realizada em preto-e-branco", afirma a fundação em um comunicado.
Grande clássico do cinema, "Metropolis" foi cortado por representantes do estúdio americano Paramount, que também simplificaram a história.
Queria fazer esse post depois de ver Hulk e o filme do Shyamalão, mas como as coisas andam difíceis por aqui, coloco algumas observações esparsas sobre dois filmes de verão vistos há duas semanas.
Iron Man é para mim um dos melhores blockbusters dos últimos anos. Faz tempo que não saio do cinema com a impressão de ver um filme que trabalha com a idéia de "eficiência" em divertir - algo que a princípio seria inerente a esse tipo de filme, mas que acho que Hollywood andava esquecendo um pouco. Extremamente bem-dirigido, com uma decupagem que valoriza a ação sem necessariamente ser óbvia. Exemplo: quando Stark foge da caverna no Afeganistão, com a primeira armadura, e é atacado por soldados inimigos; quando ele revida com o maçarico de longo alcance, a câmera vai para trás de seu ombro e faz um movimento lateral "na mão", imprimindo um realismo ao mesmo tempo que injeta adrenalina na cena. Outro, que pode parecer óbvio num primeiro momento: mostrar o rosto do herói "dentro" da armadura é um trunfo fantástico para contrabalançar o CGI (de resto, muito bem usado).
Toda a preparação de Stark para construir a armadura, que pode ter irritado alguns fãs que já estão careca de conhecer a história, é bastante favorável à construção narrativa. E o trunfo do elenco não pode ser negligenciado: Jeff Bridges é O mad scientist, Gwyneth Paltrow nasceu para o papel e Robert Downey Jr., um grande ator, sabe a exata medida do humor, da calhordice e, quando precisa, da seriedade.
História simples da origem de um herói, não levada a sério no tom, mas na execução, o filme ganha muitos pontos por tornar crível um enredo completamente absurdo. Tem mais: independente do grau de fidelidade aos quadrinhos. Assim, temos talvez a excelência do filme infanto-juvenil: a exposição de um universo de aventuras com suas regras particulares.
Eis que venho agora a Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull. Desta vez Spielberg parece escancarar o lado infantil do herói infanto-juvenil, apelando para todo tipo de excessos lógicos: Indiana escapa de uma bomba atômica, cai (três vezes!!!) de uma catarata em cima de um barco, sobrevive a uma perseguição de carros interminável numa floresta. O que incomoda aqui não é a inverossimilhança, mas a passagem do herói para um outro patamar de verossimilhança. Porque nos três primeiros filmes, se as escapadas sempre foram fantásticas, havia sempre uma noção dos limites físicos de Indiana (ele não pode voar, ele se machuca, ele tem medo de cobras) e do ambiente que estava em volta (as corridas de carro eram num deserto, os espaços eram fantásticos, mas com limites de ação mais claros). Aqui tudo mudo, tudo se estica (as corridas na Amazônia, o filho dele dando uma de tarzan), fazendo com que o fantástico sobreponha-se sem vergonha a uma referência mínima ao mundo físico. Daí para colocar bichinhos (esquilos do deserto, macacos) interagindo e inflar o filme de piadas é um pulo.
Nesse sentido, o filme se perde sempre que tenta ou precisa ser complexo. A relação com o filho nunca acontece, a volta do personagem de Karen Allen que é muito mal aproveitada, a trama que é explicada em detalhes inúteis. E levanta vôo quando simplifica. Assim, a vilã feita por Cate Blanchet é um primor gráfico (no sentido que uma caricatura o é, quando bem-feita). Uma cena em particular: quando Indiana está preso pelos russos numa cadeira, na Amazônia, e Irina Spalko aproxima-se para tentar arrancar uma confissão. Um plano é filmado de fora da cabana, deixando-nos entrever somente a figura em sombra dele e dela. Um chapéu e um corte chanel são suficientes para estabelecer o confronto, numa demonstração que Spielberg estava bem consciente dessa simplificação que o filme exigia.
E quando isso acontece, o filme lança vôo e a gente fica assistindo na poltrona do cinema, sem ao mesmo se perguntar como vamos sair do Eldorado e voltar pra casa.
Iron Man Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Feita para uma sondagem da Liga, meio às pressas, com muita coisa esquecida.
01- Cidade dos Sonhos (2001), de David Lynch
02- Maria (2005), de Abel Ferrara
03- Marcas da Violência (2005), de David Cronenberg
04- Mal dos Trópicos (2004), de Apichatpong Weerasethakul
05- O Sabor da Melancia (2005), de Tsai Ming-Liang
06- A Menina Santa (2004), de Lucrecia Martel
07- Lady Chatterley (2006), de Pascale Ferran
08- My Winnipeg (2007), de Guy Maddin
09- L’histoire de Marie et Julien (2003), de Jacques Rivette
10- Paranoid Park (2007), de Gus Van Sant
11- A Última Noite (2002), de Spike Lee
12- Sobre Meninos e Lobos (2003), de Clint Eastwood
13- Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho
14- Os Amantes Constantes (2005), de Philippe Garrel
15- Lúcia e o Sexo (2001), de Júlio Medem
16- The Saddest Music in the World (2003), de Guy Maddin
17- Sweeney Todd (2007), de Tim Burton
18- O Mundo (2004), de Jia Zhang-ke
19- Kill Bill vol. 1 (2003), de Quentin Tarantino
20- Medos Privados de Lugares Públicos (2006), de Alain Resnais
Ficaram no páreo:
- A Vila - Os Incríveis - Elefante - A Tale of Two Sisters - The World - Still Life - Redacted - Ratatouille - La Ciénaga - Demonlover - Garotas do ABC - 25 Watts - La Perdición de Los Hombres - Death Proof - Cowards Bend the Knee - A Dama de Honra - As Coisas Simples da Vida - Um filme Falado
Céline et Julie vont en bateau (1974) Rivette dá prosseguimento às experiências com improvisação - tanto que o roteiro do filme é assinado por ele e Eduardo de Gregorio, mas também por Juliet Berto, Dominique Labourier, Bulle Ogier e Marie-France Pisier, todas atrizes no filme - dessa vez optando por um tom oposto ao de Out 1. Não que não haja dor e desespero no filme, mas a tônica dominante que é justamente a da brincadeira e do prazer - prazer do cinema, prazer da encenação, prazer do jogo. Os 20 minutos iniciais dão a pista: não procure a trama, pois ela vai te achar. Só nos resta embarcar no barco das duas recém-amigas e acompanhá-las na história de amor e morte a que elas assistem - e da qual depois elas participam. Alice no País das Maravilhas, Casa Mal-Assombrada, Les Vampires - nos anos 70, esses universos faziam mais sentido para Rivette do que a situação político-social da Paris pós-68.
Noroît (1976) Era para ser um filme de western, parte de uma tetralogia chamada Les filles de feu, que virou mais tarde Scènes de la vie parallèle. Mas a história se transformou num capa-espada experimental, onde o que mais importa é o clima de traição perene que existe no ar. Um dos filmes mais experimentais de Rivette (repetições, telas monocromáticas, música in loco), e um dos quais o peso da duração se faz sentir (embora tenha "somente" 146 minutos). Mas não deixa de ser uma beleza ver um capa-espada dominado por mulheres, com destaque para Bernadette Laffont como a rainha-pirata e Geraldine Chaplin como a vingadora. As batalhas no final são puro deleite.
Duelle (une quarantaine) (1976) Outro capítulo das Scènes de la vie parallèle. Dessa vez é a história de duas deusas (do sol e da lua) que voltam a terra para duelarem. A forma com que Rivette mistura o mistério policial e o fantástico é exemplar na sua simplicidade, assim como todos os "efeitos especiais" (que estão mais para reinvenção do repertório do cinema fantástico antigo do que qualquer outra coisa). No primeiro encontro entre as duas deusas, um dos travellings mais bonitos de toda a carreira do cineasta. Embora ainda faça parte de sua fase mais experimental, os movimentos de câmera e o trabalho com os atores (os travellings praticamente dançam com eles) já anunciam o que ele iria sedimentar mais adiante.
Merry-Go-Round (1981) Graças a uma crise de nervos, Rivette interrompe as filmagens de L'Histoire de Marie et Julien depois de alguns dias, abandonando definitivamente o projeto de Scènes de la vie parallèle. Merry-Go-Round nasce então com o estigma da crise. Interrupção nas filmagens (entre 77 e 78), atraso no lançamento (em 81 estréia na Alemanha, mas na França somente em 83), elenco internacional (Maria Schneider e Joe Dalessandro), tudo conspira para que esse seja um dos filmes mais bizarros do diretor, que o considera um de seus piores. Mas há um prazer estranho em seguir essa história de mundos paralelos e intriga policial.
Le Pont du nord (1982) Um passeio por Paris, uma exploração de seus espaços e de como as duas atrizes principais, mãe e filha na vida real, se movimentam neles. A política mundial reaparece como fonte de paranóia, como mola propulsora para a ameaça, como passado secreto das personagens. O passeio muitas vezes vira dispersão, mas esse é o risco que o filme assume. Ao menos uma cena maravilhosa: ao som de Libertango, Pascale Ogier roda em sua mobilete, intrigada pelos ameaçadores e enigmáticos leões de pedra parisienses - um momento raro de montagem com música na carreira de Rivette. Cine-flâneur autêntico. Escrito por Milton do Prado às 14h14
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Feliz aniversário, Jacques
Enquanto preparava a segunda parte da minha revisão Jacques Rivette, descubro no imdb que já existe um novo projeto seu anunciado:
http://www.imdb.com/title/tt1239285/
Por enquanto, só sabemos que será com Sergio Castellitto (Va Savoir) e Jane Birkin (L'Amour par terre, La Belle Noiseuse).
Aos 80 anos (completados em março), o velhinho não deixa a peteca cair! Escrito por Milton do Prado às 15h08
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Com a visão de Ne Touchez pas la hache (2007, inédito em Montreal), finalmente em um dvix decente, acaba meu primeiro périplo pela obra de Jacques Rivette. As lacunas são de obras ou versões dificílimas de encontrar, como vou indicando durante o texto - se alguém tiver alguma dica/sugestão, aceito de bom grado. A revisão vai em capítulos. Vai uma cotação (0 a 5 estrelas) e pequeno comentário sobre cada filme:
LONGAS-METRAGENS:
Paris nous appartient (1960) Onde tudo começou: o teatro, as ruas de Paris, a conspiração. É evidentemente um ensaio que seria melhor desenvolvido em filmes posteriores, mas creio que Rivette é excessivamente rigoroso quando fala desse filme. As imagens em P/B do trem (que viriam depois em cores em La bande des quatre e Secret Défence) e dos telhados de Paris são inesquecíveis, assim como a participação do próprio Rivette como um semi-paranóico numa festa. Visto pela primeira vez em dvix em 2007.
La Religieuse (1966) Outra aproximação com o teatro, dessa vez de dentro para fora, e depois para dentro de novo. O filme é uma adaptação de uma peça dirigida pelo próprio Rivette alguns anos antes e reflete (no sentido de fazer uma reflexão sobre) essa influência: mais do que no filme anterior, o jogo de atores em relação à câmera se inspira no teatro para contar a história da garota que foi "emprisionada" no convento pela própria família. O filme passa longe do denuncismo fácil e tem Anna Karina iluminada e um assustador trabalho com o som. Visto em 35mm na Cinemathèque Quebecoise em 2005.
L'Amour fou (1969) Fãs mais empedermidos de Rivette irão me recriminar por considerar visto um filme na versão reduzida (130 minutos ao invés dos 252), e com razão: ao contrário de outros casos, a versão reduzida desse filme foi feita à revelia do diretor. O resultado é um filme que tropeça em sua primeira meia hora, é confuso em algumas passagens, mas que mantém a força das imagens e da loucura do casal (ele diretor de teatro, ela atriz) que se fecha no apartamento até enlouquecer. Um filme único, um encontre de um diretor e atores em estado de graça. No final, só fica a sensação: se a versão ruim é essa, imagina a boa!!! Visto em 16mm na Concordia University em 2007.
Out 1 - Noli me tangere (1971) Rivette aproveita uma encomenda para TV e leva ao paroxismo as experimentações de L'Amour fou. Foi tão longe que o filme nunca foi exibido na TV que o encomendou, e passou com quase 13 horas de duração, dividido em 8 partes, numa sessão histórica em Havre. Dois anos depois, Rivette faz uma versão de 4 horas e pouco, com o nome de Out 1 - Spectre, que os que viram dizem tratar realmente de um outro filme. No final dos anos 80, Noli me tangere é recuperado por alguns festivais e TVs, com alguns minutos e uma cena a menos, e o século 21 permitiu algum maluco de partilhar uma exibição da RAI nos emules da vida. O filme é uma experiência radical, possivelmente o mais difícil de se colocar uma cotação aqui. As três primeiras partes são as mais radicais: praticamente assistimos ao ensaio de dois grupos de teatro, e ao esboço de dois personagens fora desses grupos. É a partir do quarto episódio que uma tênue trama se instala, envolvendo um grupo que se inspira nos 13 de Balzac para conspirar contra... contra o que, mesmo? Onde está Igor? Quem está traindo quem? As trupes são elas também um grupo de conspiração? E o filme, pode ser ele também uma forma de conspiração? Escrito por Milton do Prado às 12h41
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"Segundo a nota na Variety, o próximo filme de Lucrecia Martel será um projeto de ficção científica, com alienígenas invasores da Terra, cheio de efeitos especiais."