O Olho de Hochelaga


TCHAU, MONTREAL!

até a proxima.

Escrito por Milton do Prado às 15h27
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Escrito por Milton do Prado às 17h16
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Escrito por Milton do Prado às 15h24
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La Graine et le mulet


Ótimo filme do diretor do ótimo L'Esquive, comprovando o talento de Kechiche para trabalhar com atores, principalmente em cenas de grupo. Duas cenas fantásticas: o almoço da família e o papo dos músicos na mesa do hotel. A maneira em que a trama vai sendo preparada é coerente com o assunto do filme e é interessante ver mais um exemplo de como dito "naturalismo" (termos usado na maioria das vezes por preguiça, mesmo) contemporâneo recicla alguns procedimentos de suspense: depois que os irmãos Dardenne construíram uma excelente cena de perseguição com quase nada, é a vez de Kachiche transformar o cuscus em elemento hitchcockiano. O filme é bem mais ambicioso que o anterior, e aqui e ali tem algumas gordurinhas, que acabam no entanto perfeitamente integradas no conjunto.

Como se fosse pouco, esse filme que tem um carinho imenso por seus personagens apresenta duas das melhores interpretações que vi no ano (Habib Boufares, que faz Slimane, e Hafsia Herzi, que faz Rym).


Escrito por Milton do Prado às 20h04
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mini-conto


Sorte de hoje no orkut: todos os seus sonhos serão realizados.

Ok, Scarlett, pode tirar o sutiã.


Escrito por Milton do Prado às 12h46
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palavrinhas sobre blogues e revistas


Ontem dei uma última atualizada nos links ao lado, que, longe de serem uma lista definitiva dos melhores na internet, mostram que hoje são várias as opções revistas digitais brasileiras de cinema (quando o Olho começou só tinha a Contracampo e outras que dividiam cinema com outros assuntos, enquanto que hoje temos a Paisá, Cinética, Zingu!, Cinequanon etc). Além disso, vários novos blogues interessantes surgiram, tanto de gente nova quanto de veteranos como José Carlos Avellar, Jean-Claude Bernardet, Inácio Araújo e até, de forma póstuma, Jairo Ferreira, entre outros. Com o passar do tempo fui ficando mais seletivo com os blogues e acabei limando alguns que pararam de atualizar por muito templo, mas confesso que, na grande maioria das vezes, não linkei alguns blogues e sites por pura preguiça ou desatenção. No final das contas, além de me permitirem fazer alguns amigos virtuais, os links ao lado me dão uma boa quantidade de opiniões sobre cinema, boa parte deles freqüentemente atualizada.

Claro que nem tudo são flores: ainda há críticas macaqueando o formato dos nossos jornais, há muita tentativa de ser engraçadinho com tiradas "espirituosas", há algum pedantismo deslocado e faltam formatos mais audaciosos, formal e intelectualmente falando - problemas esses que podem ser encontrados esporadicamente e em graus diferentes em vários posts aqui do Olho.

Mas, no frigir dos ovos, não tem como esconder o fato que o panorama geral de blogues e revistas na internet é bem melhor hoje em dia do que no início de 2005. Isso que nem falei no acesso a publicações e blogues estrangeiros.



Escrito por Milton do Prado às 16h29
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La Catherine Ringer


Nesses quatros anos em Montreal, houve um show que eu realmente me arrependo de NÃO ter ido. Isso não quer dizer que fui a todos aqueles que gostaria, mas que quase todos estes tiveram algum motivo forte que me impediu de estar presente. Em boa parte dos casos, eu não tinha grana. Em outros tantos, eram shows que queria ter ido com a Suzi e não era sempre que tínhamos babá disponível. Num dos casos mais lamentáveis, perdi o show do Leonard Cohen por causa de uma viagem. No entanto, não fui ao show da Catherine Ringer por pura falta de "agendamento". Tinha grana, poderia ter descolado uma babá, estava em Montreal. Quando, um dia depois do show, coloquei um disco de Les Rita Mitsouko para ouvir e li a crítica do show no jornal local, me bateu o tal do puta arrependimento. Faço então um post-homenagem para dividir a frustração, mas também a admiração.

Catherine Ringer nasceu na França em 1957, filha de artistas (pai pintor polonês, mãe arquiteta francesa). Algumas fontes indicam sangue azul na família materna. Nos anos 70, Catherine participa de espetáculos de teatro, dança e canto, juntando-se ao grupo de teatro de Michael Lonsdale. A partir de 1976, ela atua em diversos filmes de sexo explícito, usando pseudônimos como Lolita Da Nova e chocando vários colegas de profissão ditos mais sérios.

É a partir do encontro com Fred Chichin em 1979 que sua carreira iria dar uma outra virada. Eles fundam o grupo musical Les Rita Mitsouko em 1980 e, embora Catherine continuasse a fazer filmes pornô até 1981, a banda se tornaria cada vez mais sua atividade principal. É também em 1981 que um acontecimento pessoal dramático vai marcar Les Rita, o que nos obriga a um pequeno parêntese.

Nos anos 1970, Catherine Ringer estudou dança com a coreógrafa argentina Marcia Moretto, considerada um talento emergente na cena alternativa parisiense. Em 1981, um câncer fulminante mata Marcia aos 32 anos. Catherine e Fred compõem então a música "Marcia Baïla" em sua homenagem.

Em 1984 Les Rita Mitsouko lança seu primeiro disco, homônimo. O segundo single do disco é justamente "Marcia Baïla", que se tornará o primeiro grande sucesso da carreira do grupo, alcançando o número 2 de singles vendidos na França e projetando-os nacionalmente, sendo responsável pelo conhecimento do grupo nos EUA. A canção é uma pérola pop, com arranjo tipicamente oitentista e desvios harmônicos inesperados. Foi um sucesso das pistas de dança apesar do refrão é banhado em tintas depressivas pela morte da bailarina - é impressionante até hoje imaginar a multidão dançando ao som de versos como "Mas foi a morte que te assassinou, Marcia" ou "Foi o câncer que você pegou pelo braço". Misto de grito desesperado, reação catártica e declaração de amor, "Marcia Baïla" continua sendo até hoje um desses enigmas que de vez em quando toma de assalto a música pop. O fantástico clipe dirigido por Philippe Gautier somente ajudou a realçar as qualidades da canção - vejam por exemplo como Gautier sabe ressaltar em imagens algumas sacadas harmônicas. Destaque também para Catherine tentando dançar como se não soubesse fazê-lo, e para o manequim que seria copiado pela Madonna anos mais tarde:



E para aqueles que não conseguem abstrair o preconceito com a estética da década perdida, uma comovente performance clean do hit muitos anos depois:



Les Rita Mitsouko iriam ter disversos outros sucessos em sua carreira, embora quase todos restritos ao território francês. Entre eles, "Les Histoires d'a.", "Andy" e "C'est comme ça" - que foi destruída pelo Capital Inicial numa de suas versões tenebrosas de músicas alheias (as deles não precisam disso):



Uma boa introdução ao grupo é a compilação "Bestov", que contém todas as músicas citadas aqui e dá uma idéia da diversidade do grupo e da potência da voz de Catherine, que foi ficando cada vez melhor, às vezes próxima de uma Siouxie Sioux, às vezes mais chegada a experimentações parecidas com as que a Camille tentou no seu último disco.

Com um punhado de hits nos primeiros discos, Les Rita Mitsouko entrou logo para o cenário cultural privilegiado francês. Godard dedica uma boa parte do seu Signe ta droite para registrar o grupo na gravação de seu segundo disco, reciclando o procedimento do Sympathy for the devil - guardadas as devidas proporções. É interessante notar, no mesmo filme, a presença de outro ícone pop francês, Jane Birkin, em pequena participação. Mas Les Rita estão lá fazendo o que sabiam melhor: tocar e gravar.

É com o ex-marido de Birkin que Catherine Ringer vai protagonizar uma rápida polêmica televisionada. Dividindo uma emissão de entrevistas com um Serge Gainsbourg bêbado, Ringer recapitulava coolmente sua experiência nos filmes pornô, quando é cortada pelo cantor que a chinga de puta. Ela revida, de forma bem equilibrada, argumentando que não é exatamente a mesma coisa, e ele diz que o que ela fez é nojento. Ela diz que entende perfeitamente que os outros achem aquilo nojento, mas que tudo fazia parte da "aventura moderna". E como esses franceses são intelectuais até quando se chingam mutuamente, Gainsbourg discorda veementemente: "Não, a aventura moderna não é nojenta". Só então é que Ringer demonstra impaciência e começa a virar o jogo, questionando o ataque de moralismo de um compositor conhecido justamente pelos escândalos, pelo "mau cheiro" e por dar entrevistas bêbado desde alguns anos: "O engenheiro de som sofre porque não consegue entender nada do que você diz." O encontro de um gênio num triste momento decadente e uma nova estrela polêmica em ascenção, num momento em que seus filmes pornô foram relançados na cola do seu sucesso musical:




Os dois iriam fazer as pazes anos depois, e Ringer iria participar eventualmente de uma homenagem ao Gainsbarre, mas a mancha no currículo nunca deixaria de ser comentada, principalmente depois que a internet renovou a curiosidade pela antiga obra filmográfica da cantora. Apesar disso, Catherine e Fred sobreviveram longamente com Les Rita Mitsouko, lançando sete álbuns de estúdio, dois ao vivo, um de remixes e uma compilação, até que o grupo teve que cessar as atividades. Depois de meses lutando contra a doença, Fred Chichin morre de câncer em novembro de 2007.

A cantora resolve manter uma turnê já programada, mudando o título do espetáculo para "Catherine Ringer canta Les Rita Mitsouko", onde ela canta os maiores sucessos da banda ao lado de canções do último disco. Dia 27 de julho ela fez a última apresentação da turnê, em Montreal. A não ser que ela siga os passos de Jane Birkin, que já anunciou diversas vezes que nunca mais cantaria as músicas de Gainsbourg, deve ter sido a última vez que foi possível ver Catherine cantando ao vivo "Marcia Baïla", elevando ao cubo a triste ironia da canção pela recente morte do companheiro.



PS: para compensar o post choroso, em breve será publicada a lista dos 10 melhores shows que vi por aqui.



Escrito por Milton do Prado às 21h16
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Hoje


Hoje estréia o filme do Mojica. Um dos acontecimentos cinematográficos do ano, sem dúvida.

Sugiro a todos a leitura do texto do Inácio Araújo hoje na folha. Inspiradíssimo. Um trecho:

"É um baixo orçamento (embora B.O. possa bem significar, no caso, boletim de ocorrência, tais as carnificinas que o velho maldito apronta). O certo é que entre seus crimes não está o de desperdiçar dinheiro."

Eu só poderei ver em setembro. Mas VOCÊ tem que ver logo! Ah, o site do filme também tá ótimo.



Escrito por Milton do Prado às 12h06
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