O Olho de Hochelaga


Deu um medo, mas já passou.





Escrito por Milton do Prado às 10h49
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Distribuição


É incrível como o público geral que gosta de falar de cinema brasileiro (e estou falando daqueles que vêm filmes brasileiros) não têm a menor noção de como funciona distribuição. Nenhuma idéia sobre o pesadelo caótico e sem regras a que damos o nome de distribuição. Mas teorias sobre o que o cinema brasileiro deveria fazer para ter mais público não faltam.

Mudando um pouco o foco: também é notório por parte do público mais bem informado que o sistema de distribuição do Brasil, para filmes de todo o mundo, é bastante sem sentido.

Pois bem, tenho que dizer que cada vez mais chego a conclusão que é assim no mundo todo.

Um exemplo entre outros, daqui de Montreal: Ne Touchez pas la hache, último filme de Jacques Rivette, ainda não foi exibido aqui. Nenhum dos dois grandes festivais do ano passado passou. Nem um outro festival só de filmes francófonos com legendas em inglês. Montreal é a maior cidade francófona do país (quase 3 milhões de habitantes, 70% francófona). O filme foi exibido no Festival de Toronto, mas em nenhum de Montreal.


Ah, ok, estamos falando de festivais, não de distribuição. Ok. O filme estava previsto para estrear semana passada. Foi anunciado em vários sites etc. Chega quinta-feira, abro o jornal para ver as estréias... nada. Vou agora no site onde tem as informações mais precisas sobre estréias, o mesmo que colocava dia 22 de fevereiro como estréia do filme, e simplesmente o título não está mais anunciado.

Enquanto isso, dia 29 La Môme (Piaf, para os íntimos) volta a cartaz em não-sei-quantas-salas.

Ah, ok, existem outros fatores. O filme foi mal de crítica? Não, foi muito bem recebido em todos lugares onde foi exibido; Rivette é um cara meio difícil, tu sabe... Não, o filme é considerado um dos Rivette mais acessíveis; mas o filme é difícil de se vender, né? Não, é um filme de época, do tipo que tem um público-alvo certo, aquele público que gosta de cinema "de arte" e que faz questão de chamar assim sempre que vê um figurino de antes do século XX, independente de se o diretor é Rivette ou Lelouch - o que não garante sucesso de bilheteria, mas convenhamos que "Adagio pour un gars de bicycle", que estréia dia 29, também não é nenhum blockbuster em potencial.

Ou seja: daqui a pouco sai (se é que não saiu ainda) o DVD europeu e milhares de cinéfilos vão baixar o avi do filme pela internet.

Puta que los pariu!


Escrito por Milton do Prado às 12h05
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Um amigo reclamou porque não falei ainda do No Country for Old Men. Bem, o principal motivo é que não tenho muita vontade. Boa parte do que acho do filme foi dita pelo Carlão Reichenbach:

http://redutodocomodoro.zip.net/ (ver post de 14/02)

E como a preguiça é amiga do homem, copio e colo aqui o comentário que deixei lá:

"Carlão, você não tem idéia de como fico extremamente aliviado de ler essa opinião sobre o filme dos Coen, que é muito próxima da minha. O engraçado é que se formou uma espécie de trincheira crítica que repete a exaustão que quem não gostou do final é: 1) porque não entendeu; 2) porque o final não é mastigado. Porra, o buraco é bem mais embaixo: é óbvio que os caras não souberam terminar o filme - e o fato disso ser fiel (no sentido da história) ao livro não quer dizer absolutamente nada."


Escrito por Milton do Prado às 13h28
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mondo cane


http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u372631.shtml


Escrito por Milton do Prado às 13h23
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Making Meaning


Quatro dias de febre me permitiram avançar em algumas leituras, por mais que às vezes meu cérebro parecesse estar em banho-maria. Posso dizer que a mais interessante, e com certeza mais surpreendente, foi a leitura de Making Meaning, de Bordwell.

Não sou exatamente do estilo semi-científico de Bordwell, e acho que isso se reflete em alguns dos capítulos do meio do livro, onde a necessidade de se comprovar cada um dos problemas que o autor associa à interpretação de filme faz com que os exemplos se enumerem tediosamente. Nem me engano pela proposta de uma certa "renovação acadêmica" dele (feita, é bom lembrar, em 1989). Nem mesmo ignoro o fato de alguns conceitos-chave não são completamente convincentes, como a distinção que ele faz entre "implicit" e "explicit meaning" (o exemplo que ele dá, relativo ao Mágico de Oz, simplesmente não permite sustentar essa diferença).

Mas o livro não deixa de ter dois grandes valores:

1- Propor uma historiografia da crítica, principalmente nos níveis acadêmico e de revistas especializadas (ele ignora, compreensivelmente, a crítica do jornal diário) nos capítulos 3 e 4. É extremente informativo, reflexivo e divertido (embora o cinismo dele seja também repetitivo).

2- Propor um sistema de análise que, se anêmico nas possibilidades (e eu acredito que o seja), pelo menos resgata o FILME como centro de uma disciplina que precisou apelar para todo tipo de teoria para buscar afirmação e se esqueceu do que estava analizando.

Dito isso, Making Meaning é leitura mais que válida. Para aqueles que, como eu, não se empolgam com as análises feitas por Bordwell, pode-se dizer que ele talvez seja melhor em diagnóstico do que em tratamento.


Escrito por Milton do Prado às 16h19
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fevereiro


A Suzi acha novembro o pior mês em Montreal. Faz sentido. Os dias são cada vez mais escuros, mas não têm ainda as luzes nem o movimento de natal nas ruas. Faz muito frio, mas não tem a neve de janeiro para embelezar - ao contrário, chove bastante. É outono, mas as folhas todas já caíram, nos privando do espetáculo de cores de outubro. Festivais e eventos já acabaram, e a programação cultural é meio morna. Enfim, um mês triste, com certeza o pior mês para alguém vir visitar a cidade (aconselho julho a agosto para verão, embora o turismo seja over; ou setembro-outubro para festivais e o belo outono; ou natal e janeiro pra neve).

Mas acho que, morando aqui, o pior mês é fevereiro. Foi assim em todos os quatro que passamos aqui. O problema maior é simples: simplesmente a essa altura da estação o corpo responde muito mal ao inverno. A rigor (palavrinha boa para falar do inverno daqui), o frio chega bem antes do 21 de dezembro oficial. A média do mês ainda é baixa (cerca de -9) e picos de -20, que é para mim quando a coisa começa a ficar desagradável, são ainda freqüentes. Claro, há mais luz que em janeiro e dezembro, mas acho que nossas reservas de energia já estão lá embaixo. Não sei por que, acabei de lembrar de River Raid.

Março já é um pouco diferente. Tem mais luz. A temperatura é um pouquinho mais branda. A neve na rua derrete mais rápido. As coisas começam, muito lentamente, a mudar!

Otimismo pouco é bobagem. Até porque esse ano fevereiro tem 29 dias.


Escrito por Milton do Prado às 16h15
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Where Do You Go To My Lovely




com vocês, Peter Sarstedt.



Escrito por Milton do Prado às 12h58
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Nous ne vieillirons pas ensemble


Nunca vejo esse filme numa lista de melhores de Maurice Pialat. No entanto, é um dos mais impressionantes trabalhos do diretor. Mostra basicamente a história de um casal de amantes - ele, cineasta de +- 40 anos, casado, ela, 25 anos, solteira - se separando. Na primeira metade, que começa quando eles já estão juntos há mais de seis anos, acompanhamos uma série de humilhações físicas e principalmente verbais pelos quais ele a faz passar. Na segunda, a coisa se inverte um pouco, no sentido em que ela vai se afastando e ele começa a se dar conta do quão dependente dela era. Poucas vezes no cinema uma relação amorosa à flor da pele foi mostrada com tanta verdade.

Recheados de fascinantes personagens secundários, como por exemplo a mulher "traída", Nous ne vieillirons pas ensemble é sustentado por um dos mais belos jogos de atores que se pode ver na história do cinema. É possível escrever um texto somente sobre a troca de olhares entre Jean Yanne e a belíssima Marlène Jobert (mãe de Eva Green), à medida que o filme avança e os sentimentos em ebulição conduzem a demonstrações de ódio, amor, tristeza, resignação etc.

Um belíssimo e doloroso filme.

Nous ne vieillirons pas ensemble



Escrito por Milton do Prado às 15h09
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