Alguém pode me explicar como um filme que começa com uma interessantíssima construção narrativa (ainda que por vezes excessivamente calculada) e que tinha tudo para ser um estranho híbrido de A Regra do Jogo e Blow Up, vai aos poucos se transformando numa espécie de Paciente Inglês parte 2 ?????? - tudo coroado com a presença do próprio Minghela como o entrevistador na péssima cena final.
Provavelmente o filme-furada dos últimos meses, que só pode ser admirado se pensarmos como aqueles críticos de antigamente, fragmentando tudo: é bem fotografado, é bem montado, bem "dirigido", a atriz é boa... tudo se visto isoladamente, pois em vistos em conjunto não sobra muita coisa
O do Sergio Alpendre sobre "4 meses...": curto, mas direto no ponto. Um pouco como o melhor do filme em questão. Mais abaixo tem também as cotações dos filmes do Carlão. Uma pena que o Sergio tenha eliminado os comentários, mas o fato é que, independentemente disso, o blogue dele melhorou.
O do Renato Doho sobre Persepolis: ele falou o que eu queria falar sobre o filme.
Na Cinética, um bate-papo entre Felipe Bragança e Guillaume Marion, delegado-geral do festival 3 Continents, de Nantes. Além de informativa, a conversa é rica em reflexões objetivas sobre o atual estado das coisas do cinema brasileiro, principalmente em relação à dificuldade de financiamento externo por parte de determinado tipo de filme. Extremamente recomendado para aqueles que adoram vomitar clichês sobre a necessidade de uma indústria no Brasil, diálogo com o povo ou qualquer tentativa de dissociar arte e indústria de forma simplista.
Não sei ler russo, por isso não sei dizer se quem fez isso foi uma pessoa só, se tem um site específico com mais trabalhos, se foi o próprio dono do blogue que fez; só sei que é genial! Uma das melhores e mais bem-humoradas transgressões da onipresente pornografia na internet.
Esse é último "melhores do ano" do Olho de Hochelaga. Apesar de reconhecidamente falho,mantenho os mesmos critérios do ano passado: valem todos os filmes que vi em 2007, lançados originalmente de 2005 pra cá, exibidos em telas canadenses neste ano. Ou seja, não entra, por exemplo, Sweeney Todd (visto esse ano), ou o último do Altman (visto em 2007, mas exibido nos cinemas daqui em 2006). Ano que vem será diferente.
Tenho a impressão que 2007 foi o melhor ano do século, mas o chute é total, visto o critério e a minha preguiça em verificar de 2001 a 2003. Enfim, vamos à lista desse ano:
1- Lady Chatterley (2006), de Pascale Ferran O filme mais sensual e político do ano? Pascale conseguiu chegar onde Terrence Malick só coçou ano passado, fazendo um filme sobre a sensualidade no que ela tem de mais carnal e natural (lato sensu) e no que essa descoberta tem de mais transformadora. Hay que endurecer...
2- Tian bian yi duo yun (La Saveur de la pastèque, 2005), de Tsai Ming-Liang Ming-Liang mostrando uma nova cara, um musical desabusado, erótico, que culmina numa das cenas mais improvavelmente poéticas da história do cinema. Novamente, hay que endurecer...
3- My Winnipeg (2007), de Guy Maddin Só tem um diretor no mundo a quem eu aplicaria a pecha de "incompreendido" (por admiradores e detratores), e esse diretor é Guy Maddin. É preciso tempo para processar o rearranjo que Maddin faz do cinema e, no caso desse filme, do mundo e da memória.
4- Coeurs (2006), Alain Resnais. Como filmar a solidão sem banalidade.
5- Sanxia haoren (Still Life, 2006), de Jia Zhang Ke. Naturezas mortas? Não, mundos em transformação.
6- Redacted (2007), de Brian De Palma Muito mais que em Coppolla, a reinvenção de um cinema (que no entanto já estava lá pra quem queria ver).
7- Ratatouille(2007), de Brad Bird Todo mundo pode fazer desenho animado, mas poucos é que podem reinventá-lo.
8- I'm Not There (2007), de Todd Haynes Falando em reinvenção, que tal um filme em estilhaços?
9- Before the Devil Knows You're Dead (2007), de Sydney Lumet Antes que dissessem que Lumet estava morto, ele fez o melhor policial do ano.
10- Grindhouse (2007), de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino Num ano de vários filmes cortados em dois, a mesma dupla do já duplo From Dusk Till Dawn ataca novamente, cada um fazendo seu pedaço. Se vistos em separado, Planet Terror estaria algumas casas abaixo, e Tarantino, dividindo sua metade em mais dois pedaços, levaria a melhor.
11- Letters from Iwo Jima (2006), de Clint Eastwood 12- We Own the Night (2007), de James Gray 13- La fille coupée en deux (2007), de Claude Chabrol 14- Inland Empire (2006), de David Lynch 15- Flags of our Fathers (2006), de Clint Eastwood 16- Gwoemul (The Host, 2006), de Bong Joon-ho 17- Eastern Promises (2007), de David Cronenberg 18- The Darjeeling Limited (2007), de Wes Anderson 19- Cão sem Dono (2007), de Beto Brant 20- El Laberinto del Fauno (2006), de Guillermo Del Toro
Outros bons filmes, sem muita ordem: Azur et Asmar L'Ivresse du pouvoir Sang sattawat (Syndromes and a Century) Zodiac Les Témoins Cinema, Aspirina e Urubus No country for old men Tout est pardonné La question humaine 4 luni, 3 saptamani si 2 zile Hak se wui Zwartboek (The Black Book) Belle toujours A Casa de Alice The Simpsons Movie Retour en Normandie The Man from London Baixio das Bestas Dai-Nipponjin Elle s'appelle Sabine Congorama La Neuvaine
enquanto minha lista de melhores de 2007 não vem...
O Village Voice retomou para si o seu Film Poll - na real, nem entendi a confusão do ano passado que fez com que o LA Weekly ficasse responsável. Estão lá o editorial do Hoberman, as listas gerais e as individuais. Algumas observações pessoais: os segundo, terceiro e quarto lugares são três filmes bons excessivamente valorizados esse ano (sendo que Zodíaco é melhor que os outros dois); boa a colocação do Pedro Costa, hein?, principalmente levando-se em conta a distribuição restrita do filme; A boa posição do Killer of Sheep (filmaço!) é impressionante, levando-se em conta que o filme é de 77!!!; Ratatoille rules!!; pergunta: por que não ter mais a categoria de Melhor Diretor?; uma visita à categoria de Pior Filme mostra claramente o quão sem sentido ela é; evidentemente não vi todas as listas pessoais, mas a do Peter Brunette me chamou a atenção pela caretice; a do Rosenbaum é bem legal, e ele mais uma vez aproveita para colocar Out 1 do Rivette em mais uma lista, hehehe (vale a pena ver o artigo dele aqui também).
Saiu também a lista da Cahiers. É melhorzinha que a do ano passado. A lista dos 10 clipes do Stéphane Delorme tem seu interesse.
Vários blogues listados aí do lado também publicaram suas listas, vale a pena dar um passeio à procura delas. Mas faço questão de destacar a do Filipe Furtado, que colocou uma lista dos livros de cinema, melhores filmes antigos vistos no ano, melhores filmes sem distribuição e os 30 melhores filmes lançados no Brasil - essa última acompanhada de breves e muitas vezes ótimos comentários, além de clipes vindos do youtube. Eu diria que esse ano o Filipe fez um serviço de utilidade pública!
Entre os três melhores filmes dirigidos por Tim Burton. Pode ser visto como uma tentativa do diretor de fazer uma autópsia do grand-guignol via opera-pop - bem mais que Broadway, me parece. A profusão de sangue num vermelho gráfico vai muito além do pastiche retrabalhado por Tarantino em Kill Bill: é quase um desejo de entender a fascinação pelo horror. É divertidíssimo, mas não há um pingo de cinismo no tratamento do tema. Ao contrário, o que vemos no lugar é uma fascinante declaração de amor ao banho de sangue como expressão artística. Escrito por Milton do Prado às 13h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]