O Olho de Hochelaga


Atonement


Alguém pode me explicar como um filme que começa com uma interessantíssima construção narrativa (ainda que por vezes excessivamente calculada) e que tinha tudo para ser um estranho híbrido de A Regra do Jogo e Blow Up, vai aos poucos se transformando numa espécie de Paciente Inglês parte 2 ?????? - tudo coroado com a presença do próprio Minghela como o entrevistador na péssima cena final.

Provavelmente o filme-furada dos últimos meses, que só pode ser admirado se pensarmos como aqueles críticos de antigamente, fragmentando tudo: é bem fotografado, é bem montado, bem "dirigido", a atriz é boa... tudo se visto isoladamente, pois em vistos em conjunto não sobra muita coisa

Atonement


Escrito por Milton do Prado às 02h24
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textos dos outros


O do Sergio Alpendre sobre "4 meses...": curto, mas direto no ponto. Um pouco como o melhor do filme em questão. Mais abaixo tem também as cotações dos filmes do Carlão. Uma pena que o Sergio tenha eliminado os comentários, mas o fato é que, independentemente disso, o blogue dele melhorou.

O do Renato Doho sobre Persepolis: ele falou o que eu queria falar sobre o filme.

Na Cinética, um bate-papo entre Felipe Bragança e Guillaume Marion, delegado-geral do festival 3 Continents, de Nantes. Além de informativa, a conversa é rica em reflexões objetivas sobre o atual estado das coisas do cinema brasileiro, principalmente em relação à dificuldade de financiamento externo por parte de determinado tipo de filme. Extremamente recomendado para aqueles que adoram vomitar clichês sobre a necessidade de uma indústria no Brasil, diálogo com o povo ou qualquer tentativa de dissociar arte e indústria de forma simplista.



Escrito por Milton do Prado às 13h41
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trailer de Ainda Orangotangos





Escrito por Milton do Prado às 18h07
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meta porn?


Não sei ler russo, por isso não sei dizer se quem fez isso foi uma pessoa só, se tem um site específico com mais trabalhos, se foi o próprio dono do blogue que fez; só sei que é genial! Uma das melhores e mais bem-humoradas transgressões da onipresente pornografia na internet.

Alguns exemplos:

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Veja mais aqui!



Escrito por Milton do Prado às 15h38
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meus Melhores de 2007


Esse é último "melhores do ano" do Olho de Hochelaga. Apesar de reconhecidamente falho,mantenho os mesmos critérios do ano passado: valem todos os filmes que vi em 2007, lançados originalmente de 2005 pra cá, exibidos em telas canadenses neste ano. Ou seja, não entra, por exemplo, Sweeney Todd (visto esse ano), ou o último do Altman (visto em 2007, mas exibido nos cinemas daqui em 2006). Ano que vem será diferente.

Tenho a impressão que 2007 foi o melhor ano do século, mas o chute é total, visto o critério e a minha preguiça em verificar de 2001 a 2003. Enfim, vamos à lista desse ano:


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1- Lady Chatterley (2006), de Pascale Ferran
O filme mais sensual e político do ano? Pascale conseguiu chegar onde Terrence Malick só coçou ano passado, fazendo um filme sobre a sensualidade no que ela tem de mais carnal e natural (lato sensu) e no que essa descoberta tem de mais transformadora. Hay que endurecer...


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2- Tian bian yi duo yun (La Saveur de la pastèque, 2005), de Tsai Ming-Liang
Ming-Liang mostrando uma nova cara, um musical desabusado, erótico, que culmina numa das cenas mais improvavelmente poéticas da história do cinema. Novamente, hay que endurecer...

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3- My Winnipeg (2007), de Guy Maddin
Só tem um diretor no mundo a quem eu aplicaria a pecha de "incompreendido" (por admiradores e detratores), e esse diretor é Guy Maddin. É preciso tempo para processar o rearranjo que Maddin faz do cinema e, no caso desse filme, do mundo e da memória.

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4- Coeurs (2006), Alain Resnais.
Como filmar a solidão sem banalidade.

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5- Sanxia haoren (Still Life, 2006), de Jia Zhang Ke.
Naturezas mortas? Não, mundos em transformação.

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6- Redacted (2007), de Brian De Palma
Muito mais que em Coppolla, a reinvenção de um cinema (que no entanto já estava lá pra quem queria ver).

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7- Ratatouille(2007), de Brad Bird
Todo mundo pode fazer desenho animado, mas poucos é que podem reinventá-lo.


8- I'm Not There (2007), de Todd Haynes
Falando em reinvenção, que tal um filme em estilhaços?


9- Before the Devil Knows You're Dead (2007), de Sydney Lumet
Antes que dissessem que Lumet estava morto, ele fez o melhor policial do ano.


10- Grindhouse (2007), de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino
Num ano de vários filmes cortados em dois, a mesma dupla do já duplo From Dusk Till Dawn ataca novamente, cada um fazendo seu pedaço. Se vistos em separado, Planet Terror estaria algumas casas abaixo, e Tarantino, dividindo sua metade em mais dois pedaços, levaria a melhor.

11- Letters from Iwo Jima (2006), de Clint Eastwood
12- We Own the Night (2007), de James Gray
13- La fille coupée en deux (2007), de Claude Chabrol
14- Inland Empire (2006), de David Lynch
15- Flags of our Fathers (2006), de Clint Eastwood
16- Gwoemul (The Host, 2006), de Bong Joon-ho
17- Eastern Promises (2007), de David Cronenberg
18- The Darjeeling Limited (2007), de Wes Anderson
19- Cão sem Dono (2007), de Beto Brant
20- El Laberinto del Fauno (2006), de Guillermo Del Toro

Outros bons filmes, sem muita ordem:
Azur et Asmar
L'Ivresse du pouvoir
Sang sattawat (Syndromes and a Century)
Zodiac
Les Témoins
Cinema, Aspirina e Urubus
No country for old men
Tout est pardonné
La question humaine
4 luni, 3 saptamani si 2 zile
Hak se wui
Zwartboek (The Black Book)
Belle toujours
A Casa de Alice
The Simpsons Movie
Retour en Normandie
The Man from London
Baixio das Bestas
Dai-Nipponjin
Elle s'appelle Sabine
Congorama
La Neuvaine



Escrito por Milton do Prado às 18h59
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A lista dos melhores de 2007 sai ainda hoje...


... não é verdade?




Escrito por Milton do Prado às 13h47
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enquanto minha lista de melhores de 2007 não vem...


O Village Voice retomou para si o seu Film Poll - na real, nem entendi a confusão do ano passado que fez com que o LA Weekly ficasse responsável. Estão lá o editorial do Hoberman, as listas gerais e as individuais. Algumas observações pessoais: os segundo, terceiro e quarto lugares são três filmes bons excessivamente valorizados esse ano (sendo que Zodíaco é melhor que os outros dois); boa a colocação do Pedro Costa, hein?, principalmente levando-se em conta a distribuição restrita do filme; A boa posição do Killer of Sheep (filmaço!) é impressionante, levando-se em conta que o filme é de 77!!!; Ratatoille rules!!; pergunta: por que não ter mais a categoria de Melhor Diretor?; uma visita à categoria de Pior Filme mostra claramente o quão sem sentido ela é; evidentemente não vi todas as listas pessoais, mas a do Peter Brunette me chamou a atenção pela caretice; a do Rosenbaum é bem legal, e ele mais uma vez aproveita para colocar Out 1 do Rivette em mais uma lista, hehehe (vale a pena ver o artigo dele aqui também).

Saiu também a lista da Cahiers. É melhorzinha que a do ano passado. A lista dos 10 clipes do Stéphane Delorme tem seu interesse.

Vários blogues listados aí do lado também publicaram suas listas, vale a pena dar um passeio à procura delas. Mas faço questão de destacar a do Filipe Furtado, que colocou uma lista dos livros de cinema, melhores filmes antigos vistos no ano, melhores filmes sem distribuição e os 30 melhores filmes lançados no Brasil - essa última acompanhada de breves e muitas vezes ótimos comentários, além de clipes vindos do youtube. Eu diria que esse ano o Filipe fez um serviço de utilidade pública!



Escrito por Milton do Prado às 04h16
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que tal uma obra-prima para começar o ano?

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Entre os três melhores filmes dirigidos por Tim Burton. Pode ser visto como uma tentativa do diretor de fazer uma autópsia do grand-guignol via opera-pop - bem mais que Broadway, me parece. A profusão de sangue num vermelho gráfico vai muito além do pastiche retrabalhado por Tarantino em Kill Bill: é quase um desejo de entender a fascinação pelo horror. É divertidíssimo, mas não há um pingo de cinismo no tratamento do tema. Ao contrário, o que vemos no lugar é uma fascinante declaração de amor ao banho de sangue como expressão artística.

Escrito por Milton do Prado às 13h23
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