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youth without youth
Se teve um clichê usado e abusado por esse blogue em 2007, foi a afirmação de que "tal filme merece uma revisão", em geral, obviamente, referindo-se a filmes cuja complexidade não é captada numa primeira vista. Em todo caso, referem-se a filmes que desde início despertaram admiração em algum grau.
Mais do que nunca, desejo que Youth Without Youth desperte no futuro a vontade de revisão, mas o caso aqui é outro. Talvez nenhum filme visto esse ano tenha me causado tanto incômodo, um misto de decepção e constrangimento, coisa que não suspeitava da volta à direção de Coppola.
É evidentemente um filme com vários interesses: do formato de produção menor permitindo uma tratamento essencialmente íntimo do diretor à direção de atores ao trabalho exploratório de ângulos inusitados e da fotografia digital. Uma declaração de renovação no seu cinema.
Mas é impressionante que tudo isso se revela em fraqueza do filme: mise en scène desajeitada, principalmente no posicionamento dos atores, abuso de clichês visuais, tudo isso servindo ao pior esoterismo, aquele que tenta se firmar pela filosofia (no caso, Mircea Eliade) e provar "como a ciência é errada" (apelando para a caricatura mais baixa). É óbvio que Coppola não é tolo e a artificialidade do filme vai procurar refúgio no próprio cinema, do cinema mudo ao filme noir, passando por Powel & Pressburger. Mas a impressão geral que ficou foi de que isso é só para tapar o sol com a peneira: a de que o filme é vazio porque sua forma é ruim, e que Tim Roth não ajuda em nada.
Escrito por Milton do Prado às 23h41
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Antes que o ano acabe...
Excesso de trabalho, blogue meio abandonado. Ando me coçando para fazer minha lista de melhores de 2007, mas espero até no mínimo o dia primeiro de janeiro para fazê-lo. O motivo da ansiedade é que esse ano é possivelmente um dos melhores do novo século, com uma quantidade grande de ótimos filmes e com boa parte deles tendo estreado nos últimos dois ou três meses.
Enquanto a lista não vem, uma palavrinha sobre o último do Sydney Lumet, que é muito bom.
Lembro do livro sobre direção no cinema do Lumet, um primor de objetividade, clareza e informação. Mas fica a dever em análise, como se o diretor, por excesso de zelo com o artesanato cinematográfico, nunca quisesse arriscar. Significativo é o capítulo sobre mixagem, que ele descreve como a fase mais entediante para um diretor - li o livro há uns 10 anos e estou dizendo de memória, então peço os devidos descontos. Mas, enfim, me surpreende esse capítulo porque para mim uma das fases mais excitantes da produção de um filme é a mixagem, e essa tem sido a minha experiência com 99% dos diretores com quem trabalhei - na verdade, os que não se empolgam com a mixagem, não se empolgavam com nenhuma outra etapa. É na mixagem que o filme ganha o formato final, o volume, o toque final que lhe dá, definitivamente, vida. Uma zona final de experimentação.
Talvez obcecado pelo controle e pela simplicidade, Lumet ache que na mixagem seu filme já esteja pronto. É engraçado, porque para mim seu melhor filme é justamente aquele que trata de um plano que não dá certo, ou seja, que foge do controle. É ali que o diretor vai exercitar um cinema menos cerebral, jogando e se deleitando com um ator capaz de uma interpretação tão selvagem quanto Al Pacino.
Before the Devil Knows You're Dead também é sobre um plano que dá errado, e o filme, embora evidentemente bem diferente de Um Dia de Cão, parece assombrado por este o tempo todo. O roteiro por si só parece já permitir um filme mais analítico do que de costume para Lumet e ele se deleita indo e voltando no tempo, perscutando cada ação e suas conseqüências, mas trabahando quase sempre em traçados: até a meia-hora final do filme, quase tudo é contado em forma de sketches, o que permite o exercício da eficiência e simplicidade elogiadas pelo diretor.
O que surpreende é que o filme se permite uma auto-crítica interessantíssima, no sentido em que toda a fascinação pelo controle é colocada à prova, através não somente de uma história sobre a perda do controle, mas também das escolhas visuais do filme. Não é à toa que o personagem de destaque, aquele sobre o qual a câmera parece mais curiosa, é o de Philip Seymor Hoffman, Andy. É ele o mais frio da família, é ele o mais bem-sucedido (embora infeliz), é ele que planeja o crime amoral e imoral de assaltar a loja dos próprios pais. E é ele que fica de fora. Andy é um antagonista existencial do seu pai e de seu irmão, respectivamente um velho suburbano e um jovem looser.
Não é à toa também a escolha do elenco: Finney é um ator que parece sempre à beira do colapso ou do histrionismo, sempre foi assim, seja como Tom Jones ou Scrooged. Sua boca torta encontra um eco visual magnífico no pára-choque torto do seu carro, fruto da sua revolta contra a burocracia da polícia que nada lhe informa.
E o que dizer de Ethan Hawke, esse jovem ator inteligente com um sorriso no lado que parece sempre revelar uma prepotência escondida? Lumet dá-lhe simplesmente o papel da sua vida, onde o riso nervoso vai estar plenamente justificado pelo personagem. Hawke de bigode e óculos, como num clipe dos Beastie Boys dirigido por Spike Jonze, entrando em desespero depois de ver a merda em que se transformou o assalto, é uma das grandes cenas "descontroladas" do filme.
O velho não pensa duas vezes em jogar o carro em cima da viatura da polícia estacionada. O mais novo se disfarça ridicularmente e, nervoso, muda completamente o combinado no último minuto antes do assalto. Andy, a cabeça pensante, aquele que organizou tudo, está longe, preferindo a distância. Mas as coisas não saem como ele havia planejado.
É aproximando-se de Andy que o filme adquire sua grandeza. Ao ser abandonado pela mulher, Andy vira o apartamento de cabeça para baixo, mas é uma desarrumação calculada, como se ele estivesse simplesmente procurando uma outra arrumação. É uma revolta sem vida vinda do homem-cérebro da família, que vê seu mundo arruinado por um plano que não saiu como ele queria. Grande(s) plano(s): Hoffman despejando as pedras por cima da mesinha da sala.
Mas há, sim, uma cena anterior onde Andy tinha se descontrolado: vindo do velório, dentro do carro, ele cai em choro. Um choro que foi provocado, em última instância no filme, pelo tapa na cara que seu pai lhe dá, em mais uma cena que é um primor de invenção imagética: pai e filho conversam de costas um para o outro, os dois pedem perdão pelo que são (ou seja, diferentes um do outro). E embora nós saibamos de uma culpa que Andy tem e o pai nem desconfia, este lhe defere um tapa no rosto, num ato semi-desesperado de transferir alguma humanidade para o filho. O que segue é o choro no carro.
É esse olhar crítico sobre o controle excessivo ou sobre sua impossibilidade que torna Before The Devil Knows You're Dead um filme que vai além do grande filme policial que ele já é e ecoa como uma auto-crítica sobre o próprio cinema praticado (ou desejado) por Lumet. E nem precisamos aprofundar a análise autoral: a auto-reflexividade do filme existe por si só, embora ganhe vida na "mixagem" comparativa com Um Dia de Cão.
Uma última imagem significativa: o apartamento do traficante é de longe o ambiente mais luxuoso, limpo e organizado de todo o filme. Na sua primeira aparição, ele se dirige lentamente e afeminadamente para atender a porta depois de ouvir a campainha tocar. Antes, pega uma arma na gaveta, olha pelo olho-mágico, verifica que está tudo ok, abre a porta, devolve a arma para a gaveta, tudo na maior calma possível. É lá que Andy vai procurar os únicos momentos de real prazer da sua vida que ele pode ter quando ele quer (transar com sua mulher não tem sido tão fácil). O personagem do traficante, com seu roupão, é quase uma reencarnação do namorado de Um Dia de Cão. Naquele filme ele era o motivo que fazia o personagem de Al Pacino cometer a maior das loucuras, roubar um banco, para lhe dar a felicidade de mudar de sexo. Aqui é ele que recebe os yuppies sem alma para, em troca de uma boa soma dinheiro, lhe dar algum prazer verdadeiro com a heroína.
Escrito por Milton do Prado às 15h53
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Já viram o novo carro, o Curintia? Já vem REBAIXADO e arranca de SEGUNDA!
Escrito por Milton do Prado às 18h45
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Inter's revenge
Os amigos mais próximos sabem que minha paixão pelo futebol é ralinha, meu conhecimento menor ainda. Mesmo assim, fica difícil não comentar o dia histórico de hoje, quando por uma azar da matemática e dos regulamentos de campeonato, boa parte da torcida do Inter tá torcendo pelo Grêmio... e contra o Inter. É que se o Goiás e o Grêmio ganham, respectivamente do Inter e do Corínthians, esse último vai pra segundona, o que vai ser a vingança pela perda do campeonato de 2005.
Com cerca de 30 minutos de jogo, os resultados são:
Grêmio 1 X 0 Corínthians Goiás 0 X 1 Inter (caralho, quando é pra ganhar eles não ganham) Vasco 0 X 0 Paraná (se o Paraná ganhar o Inter não precisa perder para fazer o Coringa ser rebaixado... mas o Paraná tá com um a menos). e, correndo por fora... Cruzeiro 2 X 0 América RN e Santos 1 X 2 Fluminense (se o Cruzeiro ou o Fluminense ganham, o Grêmio não vai pra Libertadores, mesmo ganhando do Coringa heheheheehe).
Só falta um golzinho do Paraná para tudo ficar perfeito.
Mas eis que, na hora de fechar o post, o Corínthians empata no Olímpico. PUTA QUE O PARIU! Vamo lá, PARANÁ!
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UPDATE: Goiás faz um gol!!!!!
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UPDATE aos 39 do jogo do Inter: O Paraná já tá com 2 a menos, caceta!
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Acaba o primeiro tempo de todos os jogos. A situação tá um pouco melhor para o Corínthians, na real porque está deixando tudo na mesma, ou seja, com ele, o Goiás e o Paraná todos empatando. Enfim...
É a primeira vez que acompanho os jogos pelo rádio (Gaúcha, impagável, transmitindo o jogo do Inter e flashes do do Grêmio - sem falar nos reclames de Epocler e Botas Sete Léguas), UOL (os updates não são perfeitos e só tem dois jogos em detalhe, mas ainda assim é ótimo serviço), e pelas comunidades do Inter no Orkut. Aliás, nunca pensei que iria me divertir tanto com essas últimas.
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Diz que tá 35 graus em Goiânia. Abel Braga tá puto com o time, diz que isso não é desculpa, mas a voz dos jogadores no intervalo está de dar pena. Olho pela minha janela, vejo a neve no chão e confiro a temperatura: -12, sens. térmica de -19.
Fluminense faz o terceiro em cima do Santos. Ou seja, tá praticamente na Libertadores. Vamo lá, Grêmio, pau no Coringa!!!
... Começo do segundo tempo, Vasco faz gol em cima do Paraná. Nos próximos 45 minutos, sou Grêmio desde criancinha.
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Mais um gol do Vasco, é tchau para o Paraná. Em cobrança de falta, Goiás bota pra fora.
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8 minutos do segundo tempo, Goiás perde gol feito. Opa: PÊNALTI PRO GOIÁS!!!!
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Clemer defende!, mas o bandeira manda cobrar de novo porque ele tava adiantado. CLEMER PEGA DE NOVO E O BANDEIRA MANDA VOLTAR DE NOOOOOOOVOOOOOO!
O Clemer tá nervoso. Goiás tem outro cobrador. GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLL DO GOIÁS!!!!!!!!!
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Muito ruim o Paulo Bayer, fez bem o time do Goiás em mandar outro bater. E todos os comentaristas confirmam: o bandeira teve razão em mandar bater de novo nas duas vezes.
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Palmeiras toma mais um do Atlético. Dá tchau pra Libertadores. E o Atlético ajuda o Cruzeiro.
...Torcedor imbecil do Goiás invade o campo na hora do contra-ataque do Goiás! Que mané!
Faltam menos de 5 minutos pro Coringa ir pra segundona. Bem que o Grêmio poderia marcar, mas não dá pra contar com eles... Ataque corinthiano!!!!!! Falta marcada, que merda...
... não deu nada e ainda no lance seguinte o Everton foi expulso!!!!! Genial!
No campo goiano tá quase acabando... Passou dos 48, mais tempo de acrécimo por causa da invasão do mané. Ataque do Inter mas não dá nada. ACABOU!!!!!
2 minutos e meio para o Corínthians tentar se salvar. Para ajustar na digestão, Epocler é bom... Coringa chegando, escanteio para eles. caceta!
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O Grêmio poderia aproveitar o contra-ataque, mas não rola.
CORÍNTHIANS NA SEGUNDA DIVISÃO!!!!
2005, ÍNTER CAMPEÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Escrito por Milton do Prado às 16h54
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