O Olho de Hochelaga


Téchiné, Béart, e Lynch pelo Inácio

Tirado do Canto do Inácio:

"Téchiné: quase concordo com o Wolf. Acho que começa muito bem, mas depois de certo ponto derrapa. As boas intenções são tantas que acaba dominando o filme uma espécie de vontade do autor de que as coisas sejam assim, de que todas as pessoas envolvidas com a coisa sejam boas. Na verdade, o que me chamou mesmo a atenção foram os novos peitos da Béart. Ela parece que exige em contrato que sejam mostrados. A toda hora, pimba. Caramba, eu preferia ela de verdade, como era. Mas ela parece tão feliz desse jeito que não dá pra discordar.

David Lynch: queria que alguém chegasse e me dissesse: é isso. Estou perdido, mesmo sabendo que esse labirinto não é coisa sem sentido, é espetacular. Vive-se na incerteza com ele."



Escrito por Milton do Prado às 14h05
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Luz parte 2


Qualquer tentativa de descrever a sessão de ontem não faz jus ao que se passou ao vivo, por isso a insistência em acrescentar algo pode beirar o patético. Mesmo assim, não resisto.

Depois que o último fotograma dos irmãos Lumière se apagou na tela, Philippe Marion começa uma melodia no piano.





"Eu estava ontem no Reino das Sombras.
Se você soubesse apenas como era assustador."
Maxime Gorki.


(bom, foi a única versão de India Song que encontrei no youtube - aliás, se alguém souber quem estar cantando, me dê o toque - parece Juliette Greco, mas não tenho certeza)

Escrito por Milton do Prado às 16h58
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Luz


Sexta-feira, 26 de outubro de 2007. Quase 112 anos após o que é considerado o nascimento do cinema, um público fiel quase lota a cinemateca quebequense para uma sessão bastante especial, composta por dois programas:

- primeiro, uma exibição em 35mm da primeira sessão da história do cinema, reorganizada graças aos esforços de Philippe Truffault em 1994. O programa passa duas vezes. A primeira acompanhada por pelo piano de Philippe Marion. A segunda, quase totalmente silenciosa.

- depois uma seleção especial de filmes dos irmãos Lumière (alguns que passaram inclusive na primeira parte), comentada e reinventada pela leitura do famoso texto escrito por Maxime Gorki após sua primeira sessão de cinema, dia 4 de julho de 1896 em Nijni-Novgorod. A leitura é feita por André Gaudreault, professor da UDM e louco varrido no melhor sentido, que também assinou um texto introdutório.

A sessão completa acaba sendo uma experiência única, unindo espetáculo - ATRAÇÃO! - aula de história do cinema e invenção. André Gaudreault edita o texto de Gorki, repetindo trechos, enfatizando ou mudando o que vemos na tela. Uma maneira extremamente inteligente de questionar a história, reafirmando sua necessidade. Vários mitos caindo por terra, principalmente:

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1- o de que na primeira sessão de cinema as pessoas ficaram com medo do trem que chegava na famosa cena da estação de La Ciotat. O estudo mais rigoroso mostra que na verdade ninguém saiu correndo com medo. As pesquisas mais recentes mostram que não houve NENHUM TREM na primeira projeção no Café des Capucines. E mais: outros trens foram filmados pelos irmãos Lumière ANTES do famoso da estação La Ciotat. Mas o mito prevalece.



2- que as sessões de cinema mudo eram acompanhadas geralmente por piano. As pesquisas recentes, segundo André Gaudreault, mostram que era uma minoria, e que nas que tinham piano esse servia, em geral, para musicar a abertura, a saída e os intervalos, e não DURANTE o filme.

Questionar a história do cinema, revelar documentos, apelar para as palavras de um poeta russo. O mito que se instala porque é o homem quem faz a história, quem faz o cinema e quem cria tudo que liga história e cinema.





Questionar a história, o cinema e sua capacidade de espantar, que se transformou e bizarramente continua a mesma neste mais de um século de existência.


Escrito por Milton do Prado às 23h03
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Riofan


Grande notícia:

Festival de Cinema Fantástico do Rio de Janeiro

Em abril/maio de 2008.

O site ainda tá em construção, mas já há alguns detalhes no blog do festival.



Escrito por Milton do Prado às 15h08
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Redacted




Evidentemente um filme que merece uma revisão e pode cair no conceito após uma visão mais "fria", mas a verdade é que o último petardo do De Palma é uma porrada de intensidade comparável a Maria (Ferrara), embora com componentes bem distintos.

De Palma nunca foi sutil, mas sua obsessão com o detalhe casou perfeitamente com o uso do digital e que ele possibilita. No caso, ver de perto os eventos que levaram ao estupro de uma garota iraquiana por soldados americanos. Em Redacted, ele escolheu então um dispositivo, ou talvez um ultra-dispositivo que se multiplica em vários: video-diários de soldados, reportagens, sites de video etc - tudo que vemos foi filmado.

E a questão maior é: se quase tudo é filmado, por que então é tão difícil de ver a verdade das coisas? Para além de possíveis divagações sobre a imagem e seu poder de trompe l'oeil (boa parte do cinema de De Palma é também sobre isso, Femme Fatale sendo o exemplo mais imediato), o que Redacted defende é algo simples: falta uma articulação para que essas imagens existam como discurso. É isso que De Palma faz aqui, juntando vários fatos lidos em blogs, videologs e etc e articulando-o num discurso direto, sem sutilezas, embora nada óbvio.

Há vários indícios disso no filme: o soldado que "filma tudo" e que quer ser cineasta, mas que é incapaz de fazer alguma coisa com o que filma; o outro soldado que se rebela contra o estupro de uma iraquiana e é impedido de articular suas frases no interrogatório; o estupro propriamente dito, que existe mesmo se não é visto; a própria abertura do filme, onde as palavras vão sumindo do clássico texto de apresentação "essa é uma obra de ficção..."; a introdução do livro lido por um dos soldados que, fora do contexto, perde o real sentido (que o soldado que lê sabe, mas não tem paciência de explicar ao videomaker). De Palma não parece estar interessado em criticar o "excesso de imagens" na nossa era, mas mostrar o quão vazio é o deslumbramento por elas, pela hiper-democracia em que vivemos, que no final diz (ou mostra) muito pouco.

É nesse sentido também que o título do filme assume seus possíveis significados, de "revisão" tanto das imagens criadas a granel durante a guerra, quanto de aspectos que estão sendo "reeditados" por essa guerra, vide a evidente comparação com Pecados de Guerra.

Na sua obsessão pelo sistema de dispositivos que cria, é possível ver alguns defeitos no filme (um trecho que se estica além do que é preciso, uma e outra forçação de barra), mas é quase impossível não se deixar levar por esse filme apaixonante sobre o atual estado do mundo e de suas imagens. Na saída, lembrei do que disse John Cage, para quem deveríamos gastar 95% do nosso tempo ouvindo música contemporânea e somente 5% para o que foi criado no passado, simplesmente pela conexão imediata que podemos ter com a obra. Redacted é um filme que justifica essa máxima, aplicada ao cinema, como poucos.

Escrito por Milton do Prado às 11h28
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Gogol Bordello


Ou Joe Strummer meets Goran Bregovic.

Certamente um dos shows mais divertidos de toda a minha vida (o último clipe que colei é um videoclipe, o resto é apresentação ao vivo).









Escrito por Milton do Prado às 13h45
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Lady Chatterley


Se não é o melhor filme do ano, é com certeza aquele que soube melhor explorar as possibilidades sensoriais mais simples do cinema. Além de evitar as várias armadilhas que tinha no caminho (o filme feminista à "O Piano", o deslumbramento semi-new age de "O Novo Mundo", o deslumbramento com os códigos sociais "de época" de um "A Idade da Inocência"), o filme apresenta-se como um dos mais coesos (quase 3 horas!!!) e coerente filmes dos últimos tempos, com direito a toques de invenção (evidentes, mas não óbvios), três atores em estado de graça e uma cena final belíssima.

Se a Constance de Lady Chatterley descobre o mundo, nós o desobrimos no filme também.

Poderia tentar falar mais do filme, mas prefiro indicar o excelente texto do Filipe Furtado.



Escrito por Milton do Prado às 00h02
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