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experiência na copa
Sábado passado.
Num bairro muito legal de Montreal, um café antigo de donos italianos. Todos vão lá ver a final do hockey, do football, agora do soccer (football é outra coisa, mano). Todo mundo sentado, tomando café puro ou ao leite. Nenhuma cerveja, pois não se vende cerveja no local. Aliás, tem gente saindo pelo ladrão, nas cadeiras, em pé, sentada no chão, nas janelas, mas mesmo assim não muito barulho.
Há um telão projetado, mais uma TV widescreen e cinco normais. Em qualquer posição que sua cadeira esteja, você vê o jogo. Um grupo de argentinos toma conta da frente do telão. Do meu lado, dois imigrantes da Costa do Marfim - isso dá uma boa idéia do que é Montreal, não duvido que a cada jogo tenha alguém do país vendo (será que tem do Togo? sei lá...).
70% ou mais das pessoas ali não torcem para nenhum dos dois times. Vibram a cada gol da Argentina. No gol da Costa do Marfim, os mesmos vibram, só que mais ainda (país africano, francófono etc). Mas é uma vibração educada, sem muitos gritos etc.
O mais estranho: ao final do jogo, todos aplaudem.
É a Copa do mundo em um outro planeta. Nem vou mencionar que, no jogo da Holanda no domingo de manhã, tinha uma menina incomodada com o barulho do meu filho, porque ele atrapalhava... a leitura dela!
Escrito por Milton do Prado às 10h10
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La Belle Noiseuse

Às vezes é difícil de dizer por que a gente demora tanto a ver um filme. Perdi La Belle Noiseuse na época em que foi exibido comercialmente no Brasil, depois num repeteco que teve em Porto Alegre. Nunca procurei o filme em vídeo, mesmo aqui sendo facilmente encontrável nas locadoras, em VHS, DVD, na versão longa ou curta (Divertimento). E, no entanto, o filme reúne uma quantidade absurda de atrativos: Emmanuelle Béart, Jane Birkin e Michel Piccoli são três grandes presenças, cada um por seus motivos (respectivamente, uma das mulheres mais lindas do mundo, um dos maiores ícones pop e um dos maiores atores vivos); tem também Jacques Rivette, que a cada descoberta vai se sedimentando como um dos realizadores franceses favoritos.

Só depois de descolar meu próprio DVD pela eBay para poder mergulhar nessa obra-prima indiscutível, uma belíssima investigação sobre criação, beleza, arte e relações humanas de todos os tipos (marido-mulher, pintor-musa, mestre-discípulo etc). Provavelmente seja preciso rever o filme para captar todas suas camadas, mas a descoberta dele é impressionante, sobretudo pela maneira como Rivette trabalha com os movimentos de câmera e de atores, as tensões estabelecidas entre eles, assim como com as composições de tela no atelier e nos ambientes mais abertos. Uma grande aula de realização em todos os sentidos, onde o roteiro e montagem são duas arestas na medida certa para o que Rivette pretendia.

As quatro horas passam deliciosamente, mas num dos extras o realizador fala um pouco do processo do filme e da montagem de Divertimento, atiçando minha curiosidade de ver a versão mais curta.

E todas as expectativas foram suplantadas com vantagem: Béart não somente está no auge da beleza, como está ótima no papel da musa turbulenta e encrenqueira; Birkin encontrou uma personagem na medida certa, a ex-musa que foi convidada a abandonar o papel para poder se tornar mulher (num papel com ressonância direta com sua vida pessoal) e transborda delicadeza, surpreendendo bastante numa cena em que ataca verbalmente o marido; e Michel Piccoli compõe um personagem com a maestria habitual, mas genialmente contribuindo bastante com a noção de movimento que Rivette queria no filme - aliás, os extras comprovam, o trio de atores contribuiu bastante com algumas definições, sendo de Jane Birkin a idéia de sua personagem ser taxidermista, por exemplo, o que foi um grande ganho.

Ou seja, uma daquelas obras onde tudo e todos pareciam estar trabalhando na mesma sintonia, coordenados por um realizador que não somente sabia muito o que queria, como sabia muito o que podia querer fazer. Sem dúvida, um dos grandes filmes dos anos 90.





La Belle Noiseuse (1991), de Jacques Rivette
Escrito por Milton do Prado às 12h11
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previously, on Lost...
Island of the Lost?
quem sabe então Danger Island, refeito para TV em 92?
ou vá direto na fonte... Danger Island (ou veja como eles já tinham Os Outros).
Escrito por Milton do Prado às 11h08
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