O Olho de Hochelaga


De volta, opiniões breves sobre alguns bons filminhos


Antes de mais nada, peço desculpas pelo estado de abandono desse blogue no mês de abril. Vários motivos pra isso, não vou encher o saco aqui falando deles. Mas prometo que isso nunca voltará a acontecer (cof cof).

Então, para marcar a volta, vou falar rapidamente sobre alguns bons filmes recentes que vi (aliás, esse ano não começa nada mal).


Three Burials of Melquiades Estrada, de Tommy Lee Jones

Um filme triste como há muito não se via no cinema americano, tanto pelos temas trabalhados, como pela maneira com que ele faz isso. Muitos já lembraram da inegável influência do Alfredo Garcia de Peckinpah, mas acho que tem muito também do Lone Star John Sayles, principalmente no primeiro terço do filme. É ótimo ver como Tommy Lee Jones está muito à vontade como realizador (e como ator também), filmando sem pressa, com precisão, mas sem muito cálculo, conseguindo resultados admiráveis e discretos (quando, no início do filme, o guarda de fronteira corre atrás dos inigrantes ilegais, e a câmera o acompanha em travelling sobre o barranco), mas também beirando o absurdo (quando a câmera acompanha em travelling a tentativa de fuga do mesmo personagem pelo deserto, entrando numa "floresta" de girassóis) e alcançando o sublime (a cena em que Pete, bebaço nos cafundós mexicanos, liga para a amante nos EUA, ao som do Opus 10 no. 3 em Mi Maior de Chopin, tocada por uma criança num piano desafinado).

Jones também não tem medo de começar seu filme numa narrativa completamente não-linear para pular para um filme de viagem, alterando várias vezes, em doses menores, o registro da narrativa. Algumas cenas parecem não ter sido filmadas com tanto afinco, como alguns flashbacks com o amigo Melquiades, e por vezes o ritmo tropeça. Mas, cabron, é um defeito menor de um filme interessantíssimo, que procura e muitas vezes acha a beleza no meio de tanta secura.




Mary, de Abel Ferrara

Saí do filme achando que tinha visto o melhor Ferrara, dobrei a esquina achando que vi um dos filmes da década e deitei na cama pensando que este é um dos melhores filmes que já vi na vida!

Exagero? Paixão absurda? O filme é sobre isso, sobre a religião como necessidade passional do homem, um esforço de compreensão absurda dos motivos da violência, a mais complexa tentativa de dar voz e falar sobre os conflitos religiosos de qualquer tipo. Tudo isso a partir de uma grande história, a de um apresentador de TV em crise (Forest Whitaker), no meio das gravações de uma sére sobre Jesus, quando ele entra em contato com o realizador (Matthew Modine) e, principalmente, a atriz (Julliete Binoche) de um filme de ficção sobre a vida do salvador.

Eu, que nunca fui exatamente um fã do Abel Ferrara, fui completamente atingido por essa explosão de som e fúria que é o filme. Acho que nenhum outro filme dele as tensões Violência X Religião X Culpa foram tão bem resolvidas. Promessa para um futuro breve: um texto mais analítico sobre o filme.

E sei que esse é um assunto extra-fílmico, mas o cartaz aí em cima é um dos melhores da história do cinema.

Em breve, mais filmes sendo comentados por aqui.



Escrito por Milton do Prado às 11h48
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voltarei em breve


Enquanto isso, deixo-vos com minha sorte de hoje no orkut:

"Você será afortunado em tudo".

Então, tá.


Escrito por Milton do Prado às 15h32
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Chinês tenta vender sua alma na Internet


Copiado do Uol Notícias.

05/04/2006 - 11h04
XANGAI, 5 abr (AFP) - Um rapaz de 24 anos tentou vender sua alma no mais popular site de leilões da China e conseguiu obter 58 lances antes dos operadores excluírem sua oferta da página.

"Foi apenas um impulso", explicou o vendedor, que não quis se identificar.

O chinês explicou que o lance inicial por sua alma era de 10 yuanes (US$ 1,23).

Mas os responsáveis pelo site decidiram que a oferta não era apropriada e deletaram o anúncio assim que a notícia ganhou repercussão na imprensa.

No entanto, 58 lances foram feitos e chegaram a registrar 681 yuanes (US$ 84).

"Nós retiramos a oferta porque achamos que apenas Deus pode controlar as almas", explicou o porta-voz do site Taobao. "Além disso, as almas não podem ser vendidas já que não são vistas ou tocadas".



Escrito por Milton do Prado às 12h05
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