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A coisa certa
Como estou completamente sem tempo e sei que não vou conseguir escrever nada até segunda, deixo somente um depoimento rápido sobre Inside Man, o último do Spike Lee, provavelmente o melhor filme do ano até agora. Escreverei mais no futuro breve, por ora digo que a grande diversão contrabandeia um filme bastante subversivo. E é muito, muito bem filmado.
Inside Man 
Escrito por Milton do Prado às 11h40
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Wonderwall
Vendido como documento genuíno do swinging london, esse filme de um tal de Joe Massot só não é uma bomba completa pela presença em pêlo de Jane Birkin em seus 22 anos, em seu quarto filme, mas pela primeira vez em um papel de importância (embora, pelo que lembre, ainda sem nenhuma fala). Parece que realmente o diretor acredita na genialidade do que fazia e no talento do ator principal (Jack MacGowran, de A Dança dos Vampiros, mas sem 1% do que tinha demonstrado ali), mas como fã do humor inglês tenho que dizer que fico impressionado como vem coisa sem graça daquela terrinha! Detalhe curioso: o roteirista é o Guillermo Cabrera Infante!
Um cientista solitário se apaixona pela vizinha que mora com o namorado doidão e a observa diariamente por um buraco que faz na parede. Era para ser também uma história de conflito de gerações, a Inglaterra careta versus os loucos com roupa colorida e ácido na cabeça, mas isso nunca funciona.
Os extras do DVD são uma picaretagem a parte, mas a maior surpresa veio ao colocar o DVD no aparelho. A primeira coisa que aparece é um aviso do FBI contra pirataria e a foto de um senhor sério (algum chefão do FBI? Não conheço). No finalzinho, aparecem, em amarelo, bigode, barba, cabelo arrepiado e óculos, como se fossem desenhados à mão, de sacanagem. Caceta, nunca vi uma brincadeira dessa num DVD oficial!!!! E é muito mais engraçado do que o próprio conteúdo do DVD!!!!
Wonderwall, de Joe Massot 
Escrito por Milton do Prado às 11h50
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Como diria o Tim Maia
É primavera... ...dizem que desde ontem. No entanto, meu termômetro está marcando -3, sensação térmica de -6. E tá caindo neve lá fora.
Escrito por Milton do Prado às 11h49
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Transamerica, um filme sub
Sério candidato a filme sem graça do ano.
Sub-Almodóvar nos temas, sub-road-movie na forma, sub-série de TV na narrativa, sub-polêmica na conclusão. Ah, sim, com uma atriz em grande momento. É insuportável? Não, somente me pergunto porque foi feito.
Transamerica, de Duncan Tucker 
Escrito por Milton do Prado às 18h23
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Em breve...
... no Olho de Hochelaga, 10 listas idiossincráticas.
Não percam!!!
Escrito por Milton do Prado às 18h19
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Stereolab
Vi um bom show da Stereolab essa semana. Sempre achei que a banda fazia uma espécie de trilha sonora para um filme imaginário, ou uma série imaginária. Ao contrário dos semi-conterrâneos do Air, seu som não inspira exatamente aquela nostalgia do que não vivemos, mas uma nostalgia do que não ouvimos ou vimos, uma sensação melancólica que é acentuada mais ainda por seus clipes.
Uma pena que a banda não tenha um repertório 100% redondo e que tenha se repetido, mas essa repetição era quase condição do tipo de música que resolveram fazer. E parece que eles tem plena consciência que o auge foi com Emperor Tomato Ketchup e Dots and Loops, tanto que reservam sua maior pepita, Cibele's Reverie, para o fim. De qualquer forma, a banda é excelente e a voz da Laetitia Sadier continua inspirando devaneios dos mais variados, principalmente com algum uísque na cabeça.
Escrito por Milton do Prado às 13h41
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foto cráááááááássica

2001
Agradecimento especial: Débora Peters, que tirou a foto (e a recuperou).
Escrito por Milton do Prado às 23h11
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Dois filmes que me fizeram
sair do cinema sem saber se eu tinha gostado deles ou não.
Caché, de Michael Haneke  O ponto de partida é ótimo (lembra o início de Lost Highway), a mise en scène genial, o filme levanta questões intrigantes sobre a Europa dos dias atuais, mesmo a Juliete Binoche, que andava apagadinha, está muito bem. E tem uma das cenas mais chocantes dos últimos anos. Mesmo assim, há algo errado com ele, que ainda não detectei direito. Não sei se é a manipulação dos personagens que a certo momento se banaliza, ou o final insatisfatoriamente aberto (no sentido que, independente de aberto ou fechado, é evidente que Haneke NÃO SABIA como terminá-lo).
Batalla in el Cielo, de Carlos Reygadas  Não vi o primeiro filme do realizador e assisti a esse com muita curiosidade. Fica evidente que Reygadas sabe do que está falando, mas para mim ficou a impressão que ele sublinha a todo momento sua opção estética. Como falei para o Fabiano de Souza: quando a gente vê La Niña Santa, da Lucrecia Martel, a gente vê um grande rigor na realização. No filme do Reygadas, a gente vê a vontade do rigor. Mas há cenas impressionantes e uma beleza bastante esquisita, o que não é fácil.
Ou seja, dois filmes a rever, no futuro.
Escrito por Milton do Prado às 15h30
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Esse é o que importa!

Não aceite imitações, nem diluições, nem geréricos (nem mesmo do nome)!
Escrito por Milton do Prado às 01h02
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Rescaldo de 2005, parte 2
Só para lembrar: cotações de 0 a 5 estrelas.
Fever Pitch, de Bobby e Peter Farrelly  Ótima adaptação de Nick Hornby onde os irmãos Farrelly imprimem sua marca, mesmo que num filme aparentemente atípico. É só olhar as cenas de discussões na arquibancada, a disfucionalidade do personagem principal (e a aceitação do seu jeito no fim) e por aí vai. Cenas memoráveis: o primeiro encontro na casa dela (Drew Barrymore), quando ela vomita tudo, a bolada na cabeça, a invasão de campo no fim. Incrível a capacidade que eles têm de nos familiarizar rapidamente com os personagens. Claro, há clichês saindo pelo ladrão, mas há também muito talento em trabalhar com eles. Drew e Fallon muito à vontade.
Wedding Crashers, de David Dobkin  Já essa aqui foi uma decepção, depois de várias indicações vindas de gente que respeito. Vince Vaughn é bom ator, até faz uma boa dobradinha com o limitadíssimo (ao próprio bico, diga-se) Owen Wilson, mas a comédia exibe e repete os mesmos vícios de quase toda sitcoms: falas espirituosas, respondidas em ritmo ágil para dar impressão de inteligência (nesse sentido é bom comparar com o tempo das falas de qualquer filme dos irmãos Farrely, que muitas vezes até deixam um tempo "sobrando" depois da piada, sem pressa). Evidentemente há várias boas piadas, mas o filme também cai muito depois que a dupla é descoberta e volta para Nova York, com seqüências visivelmente mal filmadas. Mesmo a "farra" politicamente incorreta supostamente celebrada pelo filme é meio idiota e até mesmo pudica e o final conservador e conciliador não deixa dúvida para mim: mais um filme falsamente mal-comportado.
Zivot je cudo, de Emir Kusturica  A Vida é um Milagre é de 2004, mas passou no Brasil em 2005, então comento aqui. Não tenho muito a acrescentar ao que já foi dito em quase todos os lugares: o filme tem uma alegria de viver presente em quase todos os Kusturicas, mas é repetição da repetição, com várias situações mal-resolvidas e muita coisa sem graça. Ótima música, boas cenas e bom elenco não fazem o filme ir longe. Emir, pode beber, mas trabalhe mais um pouco também, amigo.
Mysterious Skin, de Greg Araki  Esse filme apresenta uma contradição cada vez mais comum no cinema: fluência narrativa dentro das cenas, incapacidade de costurar as cenas entre si. Ok, exagero um pouco, pois Mistérios da Carne é muito bom de se ver. Apresenta um ponto de vista interessantíssimo e nada moralista sobre o polêmico tema do abuso infantil e trabalha bem com a revelação final que afinal não é revelação coisa nenhuma.
Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira  Mais um filme de 2004, visto em vídeo (acho que ele não foi exibido nos cinemas de Montreal, fora de festivais). Levando-se em conta o lançamento no Brasil em 2005, é um dos melhores filmes desse ano e um dos melhores filmes dos poucos de Oliveira que já vi. A construção econômica, sofisticada na sua simplicidade, é essencial para os vários focos que o filme vai propondo - e a própria proposta do título, que inclui FILME e FALA, é uma boa pista sobre o filme. Bela poesia narrativa sobre os caminhos da civilização e da barbárie. Como quase todos já sabem, possui um maravilhoso final, chocante, por sinal.
The Constant Gardener, de Fernando Meirelles  Difícil falar da minha decepção. Meirelles sabe filmar, tem um talento inegável para algumas soluções narrativas, Rachel Weisz está bem. Mas O Jardineiro Fiel é um dos filmes mais inócuos dos últimos tempos. Filme sobre a África que não consegue construir o espaço africano (nem natural, nem mítico - aliás, o filme funciona bem mais quando em ambientes fechados), filme romântico cuja paixão é falada, não sentida ou mostrada. De novo, Meirelles não se deixa muito mostrar os rostos das pessoas, vide a cena de encontro com o Dr. Lorbeer. A fotografia de Charlone está cada vez mais deslumbrada consigo mesma. Mas é a trilha sonora de O Jardineiro Fiel que dá a melhor pista para o que o filme é: exótica, parece interessante, mas é somente, com uma ou duas exceções, o pop chique africano mais sem sal que existe.
Escrito por Milton do Prado às 11h40
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