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roubado descaradamente...
... do Signo do Dragão:

"Ninguno de nosotros era norteamericano, ninguno de nosotros era judío, ninguno de nosotros era un gángster; pero nos habíamos encontrado con todo aquello, filtrado a través del cine antes que a través de la literatura. La sensación de algunos errores cometidos, del engaño, de la traición, de la amargura, del tiempo que se ha perdido definitivamente [...]. El punto de partida de nuestro trabajo era, francamente, un gran amor hacia las viejas películas norteamericanas."
Leonardo Benvenuti, co-guionista de Érase una vez en América (C'era una volta in America/Once upon a time in America, Sergio Leone, 1984)
Escrito por Milton do Prado às 19h33
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Clube em Montreal
Amanhã, primeira exibição pública de filmes da Clube Silêncio em Montreal. Noite de abertura do Festivalíssimo, um festival de cinema e música latinoamericano. Felicidade e apreensão, juntas, por razões que não cabem aqui. Vamos ver o que vai dar.
O serviço, para meus 517 leitores de Montreal provenientes do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Ilha de Goa:
O QUE: Exibição dos curtas da Clube Silêncio na Nuit Blanche do 10° Festivalíssimo QUANDO: Dia 25 de fevereiro, às 22h30 ONDE: no Cinéma du Parc, seguida de festa no Clube Espanhol. QUANTO: CAN$8,00 - com direito a petit déjeuner no final da festa
Fichas dos filmes e outras exibições dentro do Festivalíssimo:
INÍCIO DO FIM (Brasil, 2005, 7 minutos, 35mm) Direção: Gustavo Spolidoro. Produção Executiva: Camila Groch e Jaqueline Beltrame. Dir. de Fotografia: Mauro Pinheiro Jr. Montagem: Milton do Prado. Som: Cristiano Scherer. Música: Marcelo Fruet. Elenco: Nilsson Asp. Sinopse: Um homem desiste. Em exibição também dia 04 de março na Concordia University às 19 horas.
OUTROS (Brasil, 2000, 11 minutos, 35mm) Direção: Gustavo Spolidoro. Roteiro: Gustavo Spolidoro e Camilo Cavalcante. Produção Executiva: Aline Rizzotto e Kika Souza. Dir. De Fotografia: André Luís da Cunha. Música: Mariana Kircher e Eduardo Normann. Som: Cristiano Scherer. Elenco: Júlio Andrade, Renata de Lélis, Cleo de Paris, Leonardo Machado, Evandro Soldatelli. Sinopse: Numa das mais conhecidas avenidas de Porto Alegre, em exatos 11 minutos e 10 fotogramas, pessoas passam, interagem, vivem as suas e as nossas vidas. Em exibição também dia 11 de março na Concordia University às 17 horas.
Escrito por Milton do Prado às 19h20
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atualizações
Fernando Veríssimo de blog novo, o Fora de Quadro. Pagoda de endereço novo.
Escrito por Milton do Prado às 19h14
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lamento
Morreu Guará Rodrigues, uma das figuras mais legais que o cinema brasileiro já produziu. E vice-versa.
Escrito por Milton do Prado às 19h11
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Um show de Truman
As biografias cinematográficas se multiplicaram tanto e de forma tão igual, que é difícil se surpreender ainda com alguma. A não ser que o realizador radicalize (como Derek Jarman fez com Wittgenstein) ou aplique toda cartilha do cinema clássico para discutir realmente temas relevantes (como Bill Condon em Kinsey), a maioria desses biópicos tendem a ser sem graça, modorrentos, não sem boa dose de informações importantes e às vezes com os chamados desempenhos à la Chico Xavier - nófa, como ele está impressionante no papel!
Dito isso, acho que Capote acerta e erra quase nas mesmas escolhas. Ele não conta a vida de Truman Capote, mas apenas o período em que escreveu In Cold Blood e se envolveu com os assassinos que eram os personagens principais do livro, principalmente com um deles. Ou seja, não quer recriar um percurso tão grande quanto Kinsey, por exemplo. Ao mesmo tempo, algumas ênfases são de um exagero rasteiro, querendo interpretações "reais" para inspirações artísticas. Nesse sentido, ele está mais para Minha Amada Imortal, que tentava dar uma explicação para a composição de uma sinfonia de Beethoven (a quinta ou a nona?). E temos que agüentar falas como a do editor de Capote, que diz "as pessoas mudarão a forma de escreverem depois que lerem esse livro", com o escritor ao fundo, quase chorando. Too much american, mas os americanos são mesmo craques em inventar marcos e convencer os outros disso. Assim como Truman Capote era mestre em dar seus shows, moldando uma persona quase ao estilo Andy Wharol, somos levados a acreditar na semi-balela chamada new journalism. É legal? É, mas não dá para levar muito a sério.
Já Philip Seymor Hoffman é um puta ator, quase todo mundo sabe disso, e faz uma caracterização tão marcante que vai encontrar admiradores e detratores na mesma proporção. Mais ou menos como a Cate Blanchet em Aviador, vai ter gente achando ele caricato, o que é realmente um equívoco, pois ele usa os gestual marcante justamente para achar a sutiliza. Enfim, o elenco secundário também é fantástico, com destaque para Catherine Keener, Chris Cooper e a revelação Clifton Collins Jr. Todos ajudam a manter uma teia de personagens complexa e interessantíssima, que torna o filme bem melhor enquanto construção de personagens do que enquanto a radiografia de época ou registro biográfico.
Capote, de Bennett Miller 
Escrito por Milton do Prado às 18h33
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haicai
Desde janeiro sou mais feliz Meu DVD lê DIVX
Escrito por Milton do Prado às 17h18
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Rescaldo de 2005, parte 1
Manderlay, de Lars Von Trier  Entre mudanças acertadas e outras nem tanto, Manderlay direciona a trilogia de Trier para um outro caminho. Bryce Dallas Howard dá uma fragilidade ao personagem bem diferente da de Nicole Kidman, uma petulância adolescente completamente apropriada a esse filme. A narração também é menos descritiva que a de Dogville e o filme aposta numa ambigüidade bastante interessante, chegando a lembrar o Viridiana de Buñuel em certas passagens. Ao mesmo tempo, a conclusão explicada pela própria narração que vinha sendo discreta é um pouco decepcionante, como se Trier não confiasse no material que tinha. O filme é um pouco claudicante nesse sentido, e alguns detalhes sofrem diretamente com essa hesitação, como a construção espacial, menos eficiente que no primeiro filme. De qualquer forma, bom cinema e uma provocação que vai muito além do discurso anti-americano. Tenho a impressão que no futuro ainda irei entender melhor a implicância atual com esses filmes de Trier.
Rois et Reine, de Arnaud Desplechin  O Carlão Reichenbach certa vez falou que queria fazer do seu Dois Córregos um filme que fosse como um rio. Pois bem, esse filme do Desplechin é bem distante da estética do Carlão, mas foi exatamente essa a impressão que tive quando vi o filme. A fluência completa, mesmo apostando nos cortes secos (mas nada aleatórios), a montagem paralela entre as histórias de Nora e Ismael, a maneira ao mesmo tempo leve e grave de tratar de temas difíceis, fazem desse filme uma das experiências cinematográficas mais agradáveis dos últimos anos. De certa forma, um hino triste à vida, repleto de grandes seqüências (a "captura" de Ismael pelos médicos, a descoberta de Nora dos últimos escritos do pai, o papo entre Ismael e o filho de Nora no museu ao final do filme) e um elenco genial. Com destaque para esse puta ator chamado Mathieu Amalric, que não conhecia e em menos de um mês vi, por acaso, três filmes com ele: esse, Fim de Agosto, Início de Setembro e Munich.
The Brown Bunny, de Vincent Gallo  Boa surpresa. Gallo vai muito além da masturbação do seu primeiro filme, deixando tiques visuais e optando por uma aposta estética bem mais arriscada. The Brown Bunny é uma bela experiência, de ritmo lento, mas preciso; de imagens indefinidas, mas belas por causa disso. Claro que nem tudo é perfeito, e o final-surpresa soa um pouco idiota, assim como o filme é impregnado de uma certa estética de editorial fashion-decadente típico de revistas de moda dos anos 90 - década da qual Gallo é fruto, sem dúvida. Mas é preciso admitir que ele está se firmando como um realizador extremamente pessoal, desses que são interessantes mesmo nos erros que cometem.
Star Wars III: The Revenge of the Sith, de George Lucas  Como se emocionar com a construção de uma mitologia quando o próprio realizador não acredita muito nela? Ou ainda: para que acompanharmos a construção de uma mitologia cuja graça estava justamente no fato de ter sido apresentada como um mundo já existente, lá por 1977? Porque, convenhamos, os embates políticos e filosóficos travados nesses três prequels da série são ridículos de doer e não têm nem ao menos o charme kitsch que tinha a série Jornada nas Estrelas, por exemplo. Então tudo acaba agora com a coroação completa da infantilidade condutora de toda a trama, com o clima dark de butique, com o cinema tacanho e a decupagem sem graça de Lucas, com os diálogos soporíferos de sempre. Ok, a última meia-hora é melhor que o filme todo, e é melhor que todos esses três episódios fundadores da saga. Então ficam as perguntas: por que Lucas não fez um filme só ao invés de três? Teria poupado muito vexame.
PS: esse rescaldo foi bastante incentivado pela realização do III edição do Alfred, promovido pela Liga dos Blogues Cinematográficos. Para quem ainda não viu, vale a pena dar um pulo lá e ver o resultado.
Escrito por Milton do Prado às 14h15
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Direita, vou ver!
Estava eu rabiscando alguns comentários cinematográficos para por aqui no blogue, quando me deparei com a ótima matéria da Folha de hoje, Direita, volver!
De longe, eu já tinha notado a nova direita botar suas manguinhas de fora, ainda mais depois das trapalhadas nada engraçadas do PT. Daí para surgir a turma do "eu sabia", que despeja reacionarismo sem a menor cerimônia, é um passo - e para uma parte da turma louca para um fascismozinho, é outro passo. Lendo a matéria, alguns pensamentos me vieram:
- como é triste um jornal como a Folha, numa matéria tão legal quanto essa, alinhar cabeças como Merquior e Paulo Francis com Olavo de Carvalho na mesma frase. Aliás, a entrevista com o Olavo de Carvalho é de se mijar de tanto rir.
- é interessante notar que quem tem um discurso de direita em geral se envergonha disso e critica o "rótulo", dizendo que é coisa da esquerda, que é pejorativo etc. Direita é uma tendência, com suas várias nuances e possibilidades ou não de ação, mas é direita. Os intelectuais de direita dos EUA (que é tão adorado pelos intelectuais de direita brasileiros) não têm o menor problema em se assumir como direita. Idem para os do Canadá, França etc. Mas, no Brasil, a primeira reação do cara é dizer que não é de direita, pois essa classificação está ultrapassada. Isso diz muito, não? O Olavo de Carvalho é um dos poucos a se assumir.
- a nova direita é raivosa, conclui a Folha. Qualquer um que já pôde travar contato com alguns admiradores espalhados pela internet já sabia disso. E a tendência é crescer, com nossa esquerda na sinuca de bico em que se meteu. Mas a matéria mostra bons depoimentos de Marcos Nobre (à esquerda) e Reinaldo Azevedo (à direita), e mostra o lado positivo da coisa.
- de qualquer forma, fico com o comentário do José Simão em outra página: "Aniversário do PT! Herrar é umano!".
Escrito por Milton do Prado às 11h35
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Interativa
A Mônica Bergamo na Folha de ontem colocou duas notinhas sobre Brokeback Mountain com o título Rocky e Hudson (na verdade a segunda não tem nada a ver com o filme). Na opinião de vocês:
a- a jornalista plagiou O Olho de Hochelaga e merece receber um processo nas costas (e um bafo na nuca).
b- a jornalista homenageou O Olho de Hochelaga com uma citação, pois chique não plagia, cita.
c- a jornalista e O Olho de Hochelaga entraram em sintonia total e resolveram fazer a mesma piada sem graça.
d- Otto Guerra deve processar a jornalista, O Olho de Hochelaga e Ang Lee, enchendo o cu de dinheiro. Depois o Adão Iturrusgarai vai lá e pega tudo pra ele.
e- outra explicação (explicite)
Escrito por Milton do Prado às 14h58
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Munich
É realmente impressionante o novo filme do Spielberg, um dos melhores dele em muito tempo e talvez o seu projeto "sério" mais bem-sucedido. Sobretudo por fazer um filme sobre uma questão delicada onde esperaríamos dele uma abordagem maniqueísta ou espetacular demais, mas no qual ele preferiu trabalhar com dúvidas e criar o clímax a partir da sensação de anti-clímax. Veja bem, em qual filme vemos um grupo praticando espionagem, tendo como objetivo da ação matar 11 pessoas, mas, à medida que o filme e a missão avança, ele vai ficando com menos convencido do que deve fazer? As cenas da missão são fantásticas (uma delas, que culmina em um tiroteio na frente de um hotel, chega a lembrar o melhor de DePalma), mas o fato é que ela vai dando cada vez mais errado, até que na última vítima, onde tudo dá errado, a cena acaba com o "herói" correndo com medo - inicialmente tinha achado o final dessa cena um problema, mas depois me dei conta de como isso se encaixa no filme como um todo, assim como se encaixa perfeitamente as limitações e a cara de bana(na) do ator principal. Outro coisa: talvez seja o filme do Spielberg em que a assunto da família e paternidade se coloque de forma mais eficiente e coerente.
Claro que nem tudo é perfeito. Há uma certa espetacularização desnecessária em alguns pontos, mesmo a estratégia de fazer um filme de ação envolvente para trabalhar o tema pode ser questionada. Como o final do filme, quando ele (o personagem, mas o realizador também) explicita e verbaliza o questionamento que vinha sendo construído até beirar a redundância, embora estejamos longe do blá-blá-blá apelativo do final de A Lista de Schindler. E há uma cena verdadeiramente ruim, que beira o constrangedor, com uma montagem paralela entre o final da ação terrorista e o piripaque de Avner trepando com a mulher. Sinceramente, lembra o que de pior Spielberg fez: é sentimentalóide, apelativo, a música é invasiva até a medula, a cena dura mais do que deve etc.
Mas nada disso estraga o prazer de ver um filme de missão onde a mesma brocha porque o cabeça se dá conta que tudo pode ser um tiro no pé. E aquela imagem final no último plano do filme deixa bem claro qual foi a fonte para o Spielberg encarar uma assunto grave e colocar mais dúvidas do que respostas.
De 0 a 5 estrelas:
Munich: 
Escrito por Milton do Prado às 16h51
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O adeus a um "chato" legal
Recebi a notícia ontem de noite e ainda estou transtornado. Luiz César Cozzatti, crítico de cinema de Porto Alegre, morreu sábado de falência múltipla de órgãos decorrente de uma mediastinite. Para quem não o conhecia, copio e colo texto do Daniel Feix, editor da revista Aplauso:
"Médico psiquiatra de apenas 55 anos, Luiz César Cozzatti era um apaixonado por cinema. Integrava a comissão de seleção do Festival de Gramado há muitos anos, tendo sido presidente dela em diversas oportunidades, além de jurado do festival. Ao lado de nomes como Hiron Goidanich, nos últimos anos ele foi um dos principais articuladores de Gramado. Também integrou o Clube de Cinema de Porto Alegre, colaborou (mesmo que informalmente) com várias outras iniciativas na área de cinema e, como crítico, assinou textos em inúmeros jornais e publicações voltadas para o cinema no RS, principalmente a Zero Hora. Além disso, Cozzatti foi o primeiro responsável pela coluna "Cinéfilo", de APLAUSO, entre os anos de 1999 e 2000 (depois a coluna passou a ser assinada por Fatimarlei Lunardelli e, finalmente, por Marcus Mello). Ele sofria de mediastinite. Foi internado no dia 1º de janeiro e, depois de passar dias em coma induzido, morreu por "falência múltipla dos órgãos".
Conheci o Cozzatti em 1994, quando cheguei a Porto Alegre. Saía do cinema com uma amiga, que o conhecia, e o encontramos no estacionamento do shopping. Durante o percurso do elevador até o carro, o cara falou de uns três filmes diferentes que ele tinha visto ultimamente e puxou da pasta um texto que ele estava escrevendo (posso estar enganado, mas acho que era sobre Speed, que ele detestava). Ao entrar no carro, minha amiga soltou: "esse Cozzatti é um chato".
Pois bem, depois disso encontrei Cozzatti centenas de vezes, tivemos várias conversas, muitas discussões, fomos parceiros em algumas empreitadas, entramos em desacordo 200 vezes. Não era difícil ouvir de alguém a mesma frase que minha amiga disse naquele dia. Mas, para quem era mais atento, era fácil achar uma explicação para isso. O Cozzatti era apaixonado por cinema, estava em tudo que era lançamento, participava de todas as discussões que podia, não se negava a conversar com ninguém que parasse ao seu lado, estava informado sobre quase tudo do cinema recente, lia, se reciclava, mas não deixava nunca de defender seus pontos de vista.
Então, não era difícil chamá-lo de chato. Isso era mais fácil do que lembrar que ele era um crítico ativo há décadas no sul, um dos primeiros a chamar a atenção para a qualidade dos filmes de Carlos Reichenbach, por exemplo. Um dos poucos que, mesmo fazendo parte do comitê executivo do Festival de Gramado, não tinha medo de criticar o festival para a imprensa. Sentava-se com a mesma paciência para discutir a participação latina do festival e a mostra dos curtas gaúchos no Centro Municipal de Cultura de Gramado. Qual crítico de sua geração acompanhava com certa freqüência a sessão Raros, da Sala PF Gastal?
É de uma sessão do Raros uma das últimas lembranças que tenho do Cozzatti. Eu tinha sido chamado para comentar o La Jetée, do Chris Marker e um filme surpresa, que vinha a ser o Di, do Glauber. Obviamente, esse último atirou todas as atenções. Comecei minha exposição tentando relativizar um pouco a importância do Glauber e o quanto existia de expressão e de publicidade naquele curta. Presente na platéia, Cozzatti foi de encontro ao que eu dizia, defendendo Glauber como uma figura única, que não encontrava eco em ninguém na cultura nacional dos dias atuais. Parte da platéia discutiu com ele, inclusive alguns alunos meus da época. Dias depois, esses alunos vieram falar comigo e, obviamente, comentar como aquele cara era chato, uma "viúva" do Glauber. Ficaram putos comigo porque eu o defendi, dizendo que era um chato legal, e que sua defesa do Glauber não era nada óbvia.
Não éramos próximos, mas tenho a sensação de pertencer à mesma família cinéfila de Porto Alegre que estava sempre pronta para ver e comentar os filmes. Tenho certeza que, na próxima sessão dos Raros que eu presenciar, vou sentir falta dele para provocar o debate.
Escrito por Milton do Prado às 11h51
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Rocky e Hudson
Ang Lee é um diretor curioso, embora esteja naquela linha entre o sutil e o sem sal. Sem muita personalidade (ou será que está está na categoria "sutil" ?), parece no entanto imprimir uma marca no ritmo de seus filmes, numa certa observação dos personagens. Há quem ache que seus filmes falam tratam sempre da diferença, seja entre gerações ou culturas, mas isso é difícil de se sustentar quando lembramos de Tempestade de Gelo, O Tigre e o Dragão e Hulk. E por mais que seus melhores filmes (Banquete de Casamento e Tempestade de Gelo) chegassem a apontar um cinema a seguir de perto, filmes como Razão e Sensibilidade existem para lembrarmos de como ele pode ser insosso e apático. Prefiro pensar nele como um artesão, acho que ele sai ganhando com isso.
Pois bem, é adaptando uma novela sobre a paixão entre dois homens no oeste americano que Lee vem fazer seu melhor filme. As armadilhas eram muitas, pois não falta material para uma fita artística e sensível no pior sentido, uma espécie de filme-gêmeo daquele roteirizado pela Emma Thompson. Mas ao aproveitar a evidente iconografia homoerótica da estética western, o filme parte de uma abordagem simples para alçar vôos mais altos. Mesmo que, após um bom início, um certo academicismo impere nos enquadramentos e no andamento das cenas, mesmo que as passagens de tempo (que são muitas) sejam por vezes enfadonhas e mesmo que a fotografia do vasto campo às vezes apele para o romantismo tacanho (que já tava presente em O Tigre e o Dragão e no filme da Jane Austen, por exemplo), o filme vai aos poucos revelando-se uma bela sobre um sujeito completamente desajustado, que não consegue se encaixar no mundo, condenado à solidão. É assim que, a partir de travellings laterais muito bem colocados, belo uso de closes (como quando a mulher de Jack fala ao telefone com Enis) e resignificação dos planos gerais, Brokeback Mountain ganha sua força, contrapondo um personagem principal completamente trancado por dentro com a vasta paisagem da região.
Brokeback Mountain 
Uma pequena revisão de cabeça dos filmes de Ang Lee que eu vi:
Tui shou (Pushing Hands, 1992)  Hsi yen (Banquete de Casamento, 1993)  Yin shi nan nu (Comer, Beber, Viver, 1994)  Sense and Sensibility (1995)  The Ice Storm (1997)  Wo hu cang long (O Tigre e o Dragão, 2000)  Hulk (2003) 
Escrito por Milton do Prado às 21h43
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