O Olho de Hochelaga


Não, 99, não...


"LOS ANGELES (Reuters) - O ator e comediante Don Adams, mais conhecido pelo papel do atrapalhado agente secreto Maxwell Smart, no seriado de televisão dos anos 60 "Agente 86", morreu de infecção pulmonar, afirmou seu agente nesta segunda-feira (26).

Adams, que sofria de vários problemas de saúde nos últimos anos, morreu no hospital Cedar Sinai, em Los Angeles, na noite de domingo (25), segundo o agente Bruce Tufeld.

Ele disse que o ator tinha 82 anos, mas, segundo outras fontes, ele seria mais novo."



O mundo está ficando mais triste.



Escrito por Milton do Prado às 18h02
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10 mil


Acabei de me dar conta agora que esse blogue vai, logo, logo, atingir a marca de 10 mil visitas. Ô, beleza!

Pra comemorar, o visitante número 10000 vai ganhar um presente surpresa, que eu nem sei ainda qual é (vai depender do ganhador). Para isso, ele tem que escrever um comentário para essa mensagem escrito "sou o 10000". Os números 10001, 10002 e 10003 podem arriscar também (vai que meu sistema de checagem fura, ou que o número 10000 não quer o prêmio...).


Escrito por Milton do Prado às 16h35
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pílulas de gripe


Estou gripado e sem paciência. Não exijam muito.


Broken Flowers, do Jarmuch, é legal. Reaproveita muita coisa (que na minha opinião não tinha dado certo) do Ghost Dog, faz Bil Murray se repetir e não alça grandes vôos. **

The Brothers Grimm, do Terry Gilliam, é tudo que os detratores do diretor precisavam. Afetação, falta de decupagem mínima, excesso de grandes angulares. Às vezes lembra Sleepy Hollow, mas é menos impactante visualmente. Lembra Schreck nas suas citações. Lembra também Os Espíritos do Peter Jackson e um bocado de outros filmes. Ou seja, para além de qualquer juízo, um filme que veio tarde. *

Don Quijote, de Orson Welles - e aí, ficamos com a genialidade de Welles, visível em diversas passagens, inclusive na experiência com Akim Tamiroff e o público na tourada; ou ficamos com a picaretagem de Jesus Franco, na montagem desajeitada de várias cenas (a despeito dos problemas de material), nos efeitos bagaceirérrimos (o moinho se esticando parece ter sido feito na antiga mesa de efeitos da Fabico, UFRGS), na dublagem em inglês que mescla voz original e voz redublada? Difícil. **

Sisters, de Brian de Palma. ótima revisão. Que filme divertido, que filme maluco, que roteiro furado, que cinema prazeiroso! A primeira meia-hora é obra-prima absoluta!!!! **

Days of Heaven, do Terrence Malick. Não me convenceu muito não. É tudo lindo, a montagem é fantástica, o som é maravilhoso, a história é interessantíssima, mas acho que falta ele expor mais os personagens. A rever, no futuro. **

Uzumaki, de Higuchinsky. Passa do divertido ao aborrecido com muita facilidade. Aliás, facilidade é uma palavra boa para falar sobre várias soluções (visuais e de trama) que o filme encontra. *

Million Dollar Baby, do Clint, revisto em DVD, melhora BASTANTE. Sinceramente, todos os defeitos levantados em infindáveis discussões na web se mostraram bastante reduzidos frente à força do filme, que, se não é uma obra-prima, é grande cinema mesmo assim.***



Escrito por Milton do Prado às 15h49
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Varda


Não conheço muitos filmes de Agnès Varda, mas o suficiente para saber que ela é capaz do sublime (Cléo de 5 à 7) ao francamente constrangedor (Les Cent et une nuits de Simon Cinéma). Levando-se em consideração que estes eram, respectivamente, um dos primeiros e um dos últimos filmes dela, pensei logo em decadência. Bem, alguns fãs mais bem-informados da viúva de Jacques Demy dizem que eu estou enganado, ou no mínimo apressado, em minhas conclusões e que Les Glaneurs et la glaneuse, de 2000, é outra obra-prima.

Quinta passada tive a oportunidade de ver a senhora baixinha apresentar seu primeiro longa, de 1954, na Cinémathèque Quebecoise, que dedica a ela uma grande retrospectiva. La Point Courte é curiosíssimo, com ecos de La Terra Trema, A Noite do Antonioni e até mesmo de A Margem, do Candeias. Tem Philipe Noiret em seu primeiro papel no cinema (canastrão que só ele) e mescla o dia-a-dia de uma comunidade de pescadores pobres com a história de um ex-aldeão que volta lá para mostrar o lugar a sua namorada. O detalhe é que eles estão em crise, então há todo o tipo de clichê sub-antonioni (mesmo que avant la lettre) possível. Tem também montagem de Alain Resnais, que, segundo a própria Agnès, a teria aconselhado a fazer alguns curtas antes do próximo longa. Ela levou a sério, só voltando a filmar em 61, justamente com Cléo de 5 à 7.

O papo com ela, antes do filme, foi muito melhor, assim como o curta L'Opéra Mouffe. Esse e outros curtas, juntos com uma exposição de fotos (ela era fotógrafa antes de se arriscar como cineasta), dá bem a pista do seu cinema e não deixa muitas dúvidas de um projeto sólido de cinema a partir do real, mas sem limitações do gênero documental - não por acaso, Bazin foi entusiasta de La Point Courte. No curta citado ela consegue grandes momentos de poesia cinematográfica com muitos poucos elementos.

Agora é esperar e ver os dois longas que ela fez com Jane Birkin para eu me considerar um ser humano mais feliz.



Escrito por Milton do Prado às 21h07
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Falando em festival semi-morto...


Não vou cuspir no prato em que comi: se pude trabalhar no cinema em Porto Alegre, isso deve-se em parte ao ambiente proporcionado pelo Festival de Gramado. Boa parte dos filmes, principalmente os curtas, foram produzidos com o objetivo, principal ou não, de passar no festival, cuja presença por muito tempo gerou encontros, trocas estímulos inegáveis para o cinema local (e nacional, em menor grau). No mínimo, temos lá a Mostra Gaúcha, janela pequena, mas às vezes importante. E é ótimo ganhar prêmio, nao contrário do que os blasés dizem.

Só que não dá pra negar que o Festival de Cinema transforma-se pouco a pouco numa grande palhaçada, que parece só piorar com o tempo. Como o fator TURISMO foi sobrepujando o CINEMA (e a queda da produção no início dos anos 90 parece ter agravado isso), como a badalação das vedetes televisivas tornou-se mais importante (e o fato de não haver quase mais filmes naquela época citada forçou um pouco ao festiaval procurar a badalação em outras telas), como a coordenação do festival ainda não possui uma organização que possa trabalhar durante o resto do ano para ele, só resta a quem se interessa por cinema assistir e lamentar. Sou testemunha (e participante, diga-se) de como se tentou mudar um pouco, mas a verdade é que os cabeças do Festival (que mudam a depender do partido que toma o poder) sempre ouviram essas vozes mal-contentes como realcamações de moleques que queriam tirar a "grandeza" do Festival, reservando algumas cadeiras numa comissão que era mais simbólica do que qualquer outra coisa. Bem, a única coisa que essa gente queria (queríamos) era dizer: TÁ FALTANDO CINEMA NO FESTIVAL, PORRA! (outro parêntese: verdade seja dita, já ouvi muita gente do cinema "alternativo" elogiando o glamour do Festival, numa atitude no mínimo irresponsável).

É muito triste, mas se o Festival não mudar logo, vai morrer. E o pior, de maneira patética.

Para sentirem um pouco o drama, dois artigos escritos recentemente na web:

Gramado, uma tragédia anunciada, do Marcelo Janot na críticos.com.br (tem alguns deslizes meio duros de agüentar, como defender a presença única de críticos no júri, mas é interessante).

Desventuras em série, do Marcus Mello.



Escrito por Milton do Prado às 20h18
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Crônica de um festival semi-morto


O Festival de Films du Monde já teve seus tempos de ouro aqui em Montreal, basta ir no site e procurar nos arquivos do fim dos anos 70, início dos anos 80 - em 79, por exemplo, Sergio Leone foi presidente do júri. Mais de 20 anos depois, a arrogância do presidente, problemas de administração, a má-organização de um festival inflado, a inveja de uma concorrência sempre pronta a dar o bote e a campanha às vezes covarde da imprensa fizeram com que o festival se tornasse quase uma caricatura de sua proposta inicial. Ainda abunda a democracia, mas rareia o cinema. Neste ano, os nomes mais interessantes estavam no júri, como Theo Angelopoulos e Anna Karina, mas não muito nas telas. Sempre há as exceções, mas foi duro selecionar os filmes que eu queria ver. Jogo rápido, então:

The Hamster Cage *
de Larry Kent.
Era uma das promessas do festival. Kent foi sensação do novo cinema canadense no fim dos anos 60. É bem legal ver um velhinho ainda querer causar polêmica e ser mal-educado, mas em 2005 fica difícil achar alguma coisa do tipo chocante. Sobram momentos divertidos nessa comédia maluca, uma espécie de Festa de Família com o pé no trash.

Animal ø
de Roselyne Bosch
Estava esquecido de como um filme pode ser tão ruim. Boas intenções e todos os clichês do mundo, mal feitos e mal costurados por uma das roteiristas de 1492 (aquele do R. Scott), numa história sobre manipulação genética para controlar a agressividade de serial killers. Sim, tudo que tu deduzir está lá, só que pior.

Le Domaine Perdu *
de Raoul Ruiz
Dói um pouco dizer que não gostei muito de um filme de Raoul Ruiz, mas tenho que admitir que aqui ele parece que errou a mão, principalmente no final. Acho que também é um dos primeiros casos em que vi o diretor com problemas visíveis de produção (para se ter uma idéia, parte do filme se passa no Chile, mas os atores são em boa parte romenos, por causa da co-produção, e foram dublados depois, o que é no mínimo engraçado). Tem momentos mágicos e o miolo do filme, quando Ruiz faz de novo sua brincadeira usual com fantasmas e duplos, é muito bom. Livremente inspirado na vida de Antoine de Saint-Exupéry.

Cabra-Cega *
de Toni Venturi
Uma confusão da organização do Festival fez com que o filme fosse exibido em DVD, numa cópia possivelmente não-finalizada. Fico devendo então uma revisão do filme, que demora a engrenar, mas que acaba muito bem, principalmente quando o tema da liberdade encontra eco em outras esferas que não a extritamente política. Com problemas, mas muito digno.


Les Artistes du Théâtre Brûlé ***
de Rithy Pahn
O melhor filme que vi no festival, sem dúvida. Ainda melhor do que o único filme de Pahn que eu vi (S21), Les Artistes... vai fundo nas possibilidades do documentário encenado, bebendo direto em Jean Rouch para revelar a força e dor de um grupo de teatro do Cambodja cujo prédio foi completamente destruído, mas que não desiste de seu trabalho. Isso sem um pingo de comiseração nem demagogia. Interessante foi que, antes do filme, passou um pavoroso curta-metragem daqui feito em vídeo. A comparação de um com outro (Les Artistes também foi feito em vídeo) é uma boa aula de bom e mau cinema.

Redentor ø
Um dos maiores desperdícios de uma boa história (a que é contada nos primeiros 15 minutos de filme) da História do cinema brasileiro - tudo pelo exagero, exibicionismo, ausência de timing e carnavalização processada em estúdio hi-tech. Pelo amor de Deus!!!!!

Sexe et Philosophie **
de Mohsen Makhmalbaf
Fazia tempo que eu não via tanta gente saindo do cinema. Makhmalbaf foi, mais uma vez, radical na sua proposta. Conta a história de um homem que, no aniversário de seus 40 anos, reúne quatro amantes para dançar (ele é professor de dança) e conversar sobre o que rolou entre eles (uma não sabe da existência da outra até então), fazendo uma revolução contra ele mesmo. No início me lembrou algumas coisas do Carlão, mas claro que o iraniano é menos ousado no quesito "sexo". E no quesito "filosofia" ele chega a ser enfadonho muitas vezes, redimindo-se no belo final.

O Casamento de Romeu e Julieta **
de Bruno Barreto
Timing correto, elenco na linha (com destaque para Luiz Gustavo), ótima exploração da comédia de erros, boa ampliação de um tema inicialmente bem restrito. Tem seus momentos fracos, é limitado como cinema, mas é muito divertido. Um dos melhores filmes do festival?



Escrito por Milton do Prado às 23h06
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Salve, Jorge!


Depois de um pequeno jejum de uma semana, volto sem cinema, mas com música. Com certeza, a mais abstrata das artes - pois a única que já nasceu assim, não precisou caminhar em direção a isso.

Ver um monte de branquelos sendo sacudidos por Seu Jorge e sua confraria, ontem à noite, foi um dos meus maiores prazeres que tive por aqui. Para coroar, três morenas (brasileiras, of course) resolveram subir no palco e mostrar para os quebequenses ce que la bahiana et la carioca et la mineira et la gaucha ont. Mas o que move meu entusiasmo não tem nada de ufanismo nostálgico (embora cantar bem alto que a felicidade atravessou o mar e ancorou na passarela tenha sido ótimo!), mas vem do fantástico combo comandado por essa figura fantástica, puta cantor, excelente show man sem macaquices (o anti-Carlinhos Brown), sem discursos antenados ou "de raiz" e alma musical mundial porque brasileira e extremamente grooooovy.

Seu Jorge, ao vivo, é bem melhor do que os bons discos já indicavam. Tive Razão, Mania de Peitão e muitas outras cresceram bastante.

Alma lavada e de ressaca, passei meu domingo tranqüilo.



Escrito por Milton do Prado às 18h48
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