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Um ano em Montreal
Chove muito forte. No ano passado, quando chegamos, havia uma chuva fina, que durou alguns dias, mas nada comparado com essa escuridão em pleno meio-dia. Mas, sejamos justos: em geral não chove muito por aqui.
Nesse primeiro ano, entre mortos e feridos, salvamo-nos todos.

Escrito por Milton do Prado às 11h47
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Início do Fim em SP
Para o pessoal de São Paulo: o 16° Festival Internacional de Curtas vai exibir Início do Fim, última produção da Clube Silêncio, dirigida por Gustavo Spolidoro e montada por esse que vos fala, dentro do Panorama Brasil. As datas, locais e horários, são os seguintes:
CINESESC (R. Augusta, 2075): 26/08/05 - 16:00
MIS (Av. Europa, 158): 27/08/05 - 17:00
CCSP (R. Verguerio, 1000): 01/09/05 - 16:00
Vamos lá, pessoal!

E já que o negócio hoje é auto-promoção, lembro também que o curta Nocturnu, meu primeiro trabalho como montador (antes teve um curta montado a 12 mãos, então não vale) e até hoje um dos que mais gosto, será exibido no mesmo Festival, dentro da programação especial Comodoro Curtas, selecionada pelo Carlão Reichembach. O serviço tá embaixo:
31/08 - 22H00 - CineSesc 01/09 - 18H00 - CineSesc
Bom cinema a todos.
Escrito por Milton do Prado às 15h09
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O véinho ainda dá no côro
Começa o filme e a primeira decepção: a imagem é uma bosta. Gravado em HDTV, Saraband foi exibido aqui numa sala onde já vi outros filmes projetados digitalmente e com boa imagem. Por que a imagem deste tava ruim, então? Formato de captação? Diferença de codificação para exibição? Nas outras salas que o exibem digitalmente a imagem também está assim? E nas que o exibem em película?

Ao filme: começa com um blá-blá-blá que me faz pensar que todos os detratores de Bergman têm razão. Como outros do diretor, esse aqui assume sua teatralidade. Após os primeiros 20 minutos, a sensação começa a se dispersar. A trama engrena. Os closes são melhores do que em 99% dos filmes em cartaz. A movimentação dos atores é fantástica, a interação entre eles ídem. A sutileza impede de o filme de partir para o melodrama, mas há detalhes extremamente ousados. Há momentos de epifania pura que não ficam nada a dever aos dos melhores filmes do sueco.
Nesse espécie de Antes do Anoitecer geriátrico, onde o casal de Cenas de um Casamento volta a se encontrar 30 anos depois, as coisas são bem menos doces. Novamente, o rancor tem papel especial, como algo extremamente humano. No final, fica a sensação, sim, de um teatro muito bem FILMADO, ou seja, o cinema utilizando-se do teatro da melhor maneira possível, por alguém que domina seu métier.
Em certo sentido, Ingmar Bergman é mais moderno do que muito guri novo que anda por aí.
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Escrito por Milton do Prado às 21h06
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Last Days
Duas coisas não se podem negar: 1- Gus Van Sant foi ainda mais radical na sua proposta iniciada em Gerry e continuada em Elefante. 2- Permitindo-se, com um pouco de pré-disposição, é fácil embarcar no filme e acompanhar de perto o fantasma de Blake/Cobain vagando pela casa de campo.
Como em Elefante, a câmera acompanha o personagem por trás, o ritmo é lento, às vezes não acontece, aparentemente, nada. A narrativa é labiríntica, indo e voltando, apresentando a mesma cena por pontos de vista diferentes.

Visualmente impressionante, a fotografia é mais um cartão de visitas para entrar nesse mundo de fantasmas. O trabalho sonoro é mais assombroso ainda, às vezes costurando a narrativa, às vezes beirando o sobrenatural. Michael Pitt é ótimo, assim como as participações especiais - Lukas Haas, Asia Argento, Harmony Korine, Kim Gordon. Há duas cenas em que o cantor toca, a primeira em especial é uma das melhores cenas do filme.
É difícil saber, então, por que o filme não me convenceu muito. Não tenho pressa, vou deixar ele sedimentar, vou talvez ver de novo. Mas acho que tudo aquilo que em Elefante contribuía para o clima desesperado do filme, aqui parece maneirismo. Com direito até a um fantasma em sobreposição saindo do corpo (Sant, você poderia ter me poupado dessa). Tenho impressão que a própria proposta de Gus Van Sant acabou colocando o filme numa encruzilhada: ao vermos o cantor já quase-morto, sozinho e "esquecido" pelos amigos, o filme acaba vagando pelo vazio. "Ok, Milton, mas o filme é sobre isso". Bem, isso também não se pode negar, mas também não melhora muito as coisas. Talvez esse seja um bom filme, triste e desesperado, assombrado pela proposta que, afinal, era maior que as pernas do realizador. Talvez.
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Escrito por Milton do Prado às 09h36
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Dia dos pais

Barra dos Coqueiros, Sergipe, ali pelos idos de 1946. O do meio, José Augusto. Os irmãos, Alberto e Carlos.
Escrito por Milton do Prado às 21h25
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O direito ao torto.
A Fantástica Fábrica de Chocolate é um dos melhores filmes de Tim Burton, mesmo sendo potencialmente frustrante em vários sentidos. Há os antigos fãs do primeiro filme, um clássico psicodélico da sessão da tarde que está sentimentalmente encrustrado em muito marmanjo (eu revi há alguns anos e ainda acho muito bom). No grande público, pode causar o tipo de estranhamento que Beetlejuice causou à época,.
Como já foi falado, o filme é uma espécie de volta às origens de Burton: o mundo do conto-de-fadas bizarro. Ele sempre soube que todo conto-de-fadas tem um potencial mórbido enorme e, em tempos de politicamente correto, resolveu criar seu universo praticamente explicitando essa morbidez, sem necessariamente apelar para o horror (sendo que Sleepy Hollow foi o filme que chegou mais perto disso). Seu universo é o de fantasmas que não sabem assustar, de um frankenstein com tesoura no lugar das mãos, de cavaleiros sem cabeça. Se os contos de fada sempre tiveram esse lado a fim de acentuar a lição de moral final, porque não fazer carreira acentuando o bizarro a fim de atenuar ou até problematizar a lição de moral? As fábulas escolhidas por Burton (ou para o Burton, que sejam) servem perfeitamente para isso, levantando questionamentos sociais (principalmente sobre a família, em quase todos seus filmes), mas também políticos (de novo Sleepy Hollow, Planeta dos Macacos).
É engraçado esse Fábrica... vir depois de Big Fish, um filme onde ele investiu num tom diferente do usual. Embora suas marcas visuais estivessem lá, o foco era outro, fazendo com que o excesso fantasioso fosse justificado por uma premissa do enredo. Não deixava de ser um elogio à fábula por uma via menos fantasiosa, independente do que achemos do resultado.

Nesse último filme ele chuta o balde. Tudo volta a ser fantasioso, exagerado, torto. As cores são berradas, a fábrica é gigante, a casa da criança desafia a gravidade, os quatro avós em uma só cama desafiam o espectador antipático. Não é à toa a tão falada influência expressionista no seu traço (até onde sei, Burton faz croquis de quase todos os personagens e cenários): é preciso explicitar o lado torto da fábula. É uma maneira de utilizar, cinematograficamente, uma estratégia parecida com alguns jogos de ponto de vista e perspectivas da pintura. Afinal, o torto pode ser certo, dependendo do ponto de vista (e aqui eu falo no sentido concreto, sem nenhuma metáfora). No fim, em quase todos seus filmes, o que está em jogo é um elogio à diferença. Mesmo os críticos mais ferrenhos de Burton têm que admitir essa obsessão do diretor.
Mesmo a moral da história é exagerada, comentada com humor negro finíssimo, (Lee de dentista, Wonka dizendo “hoje estou tendo muito flashbacks”). Se é preciso dizer que Wonka precisa de uma família, pode-se dizer que quem gerou aquela “aberração” foi a própria família (como de resto as outras crianças). E no final, já que não conseguimos mesmo ficar sós, que tal escolhermos a família que queremos? Uma lógica simples, chapada como as cores do filme, um final aparentemente açucarado para alguém que passou a vida atrás de doce e não podia, mas potencialmente questionador para quem embarcar no filme. É criar o falso para chegar na verdade e a a transformação da fábrica num grande parque de diversões é o convite dele para a gente embarcar nesse outro mundo.
Se os pais podem, sem se dar conta, distorcer certas caracerísticas de suas crianças (cada uma das quatro companheiras de Charlie), por que o diretor não pode distorcer intencionalmente sua criação? E tome-lhe oompa-loompas em coreografias setentistas, tome-lhe Johnny Depp indo do Jim Carrey ao Michael Jackson, tome-lhe correrias de barco no rio de chocolate, tome-lhe um dos filmes mais divertidos dos últimos tempos, com improváveis e impagáveis cenas musicais. Por que não? É isso ou a quase ascese do pobre, bondoso e sensato Charlie.
Num filme qualquer Charlie seria o modelo. No filme de Tim Burton, ele é uma opção, pois sabemos que também temos direito ao torto. Tudo é uma questão de ponto de vista.
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Escrito por Milton do Prado às 19h32
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conexões da hora
Antes tarde do que nunca, para quem ainda não viu: a Cahiers du Cinema está há alguns meses com seu site no ar. Há opções de alguns artigos em inglês ou até mesmo em espanhol, uma fototeca (que engatinha, ainda), algumas promoções para os franceses (é legal ficar babando), a possibilidade de adquirir edições facsimilares das originais e, pasme quem ainda não sabe, os tais dos arquivos, onde podemos fazer o download de alguns números antigos e, em breve, de TODAS AS EDIÇÕES.
O críticos.com.br não tem o melhor nome do mundo, mas é um conhecido site que reúne Pedro Butcher, Ricardo Cota, Carlos Alberto Mattos e muitos outros, com variadas sessões (até de críticas de trilhas sonoras).
Por fim, o blog do Marcelo Miranda, Impressões Cinéfilas, com boas e constantes atualizaçõies desse jornalista cinéfilo de Juiz de Fora.
Escrito por Milton do Prado às 15h07
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Teorema 7
Para quem não conhece, a Teorema é uma revista de cinema editada pelo Núcleo de Estudos de Cinema de Porto Alegre (Fabiano de Souza, Fernando Mascarello, Flávio Guirland, Ivonete Pinto e Marcus Mello) com muita força de vontade, superando-se a cada edição na seriedade, abrangência e qualidade dos textos. Abaixo, o convite para o lançamento da sétima edição. Quem tiver em Porto Alegre deve conferir, quem não puder deve procurar a revista depois ou pelo contato revistateorema@yahoo.com.br
Lançamento
Comece ou termine a sua próxima sexta-feira no lançamento da 7ª Edição da revista Teorema – Crítica de Cinema.
A sua presença é fundamental para ajudar a manter de pé essa iniciativa totalmente independente.
É no dia 12 de agosto a partir das 19 horas ali no Muffuletta Rua da República , 657 no coração da Cidade Baixa.
A nova Teorema, dedicada principalmente ao cinema oriental, oferece diversos olhares:
- Flávio Guirland encara Old Boy - Thomaz Albornoz prova que não foi abduzido e esmiúça o cinema de terror feito no Japão e na Coréia do Sul - Fernando Mascarello voa nos filmes de artes-marciais de Zhang Yimou - Kathrin Rosenfield repensa Rashomon - Rodrigo John analisa Hayao Miyazaki e seu A Viagem de Chihiro - Fabio Zimbres discute a relação entre cinema e quadrinhos - O cineasta cambodjano Rithy Panh fala sobre sua obra - Ivonete Pinto expõe o lado ficcional de Rithy Panh - João Moreira Salles enfoca os documentários de Rithy Panh - Marcus Mello mistura Batman Begins com Terra em Transe - Fabiano de Souza celebra Bom Dia, Noite
A revista custa 6 reais.
Apareça!
O que: Lançamento da revista Teorema-Crítica de Cinema 7 Quanto: R$ 6,00 Quando: Dia 12, sexta-feira, a partir das 19h Onde: Muffuletta Café (República, 657 – Fone: 51 32241524 – Porto Alegre)
Escrito por Milton do Prado às 14h39
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Montréal, 34˚C le soir
A cidade não sabia o que fazer quando, em julho, o cientista Hugo-A-Go-Go provocou uma onda de calor insuportável, principalmente nessas casas apertadas e sem ventilação. E agora, o que fazer? Andar de bicicleta, tomar banho de piscina, ou chamar o Ultraguto?
Puta merda, ele está fugindo!!!!!!!!
Preciso alcançar minha superbicicleta! 
Ela tava bem aqui, quem pegou???
Foi tu, né?, fotógrafo babaca? 
Ou foi você, sua serpente assassina?
Cansei dessa brincadeira idiota. Tchau. 
Escrito por Milton do Prado às 14h26
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Revisão Chabrol
Sujeitinho irregular. De qualquer forma, merecia ter vários de seus trabalhos lançados no Brasil - foi uma experiência e tanto descobrir alguns filmes do que provavelmente, chuto eu, é sua fase mais importante: final dos 60, início dos 70. Em vários deles, fica claro o projeto de Chabrol de atualizar as obsessões formais e de fundo de Hitchcock, trazendo-as para um mundo em transformação que talvez o mestre do suspense não tenha mesmo alcançado, mas ao mesmo tempo focando a burguesia francesa. Também foi bom descobrir em Stéphane Audran uma ótima e linda atriz. Elocubrações rápidas de quem deu um tempo na mostra em DVD, revisou alguns e outros só repassou mentalmente.
Les bonnes femmes (1960) *** Para falar a verdade não lembro muito deste, apenas que era um filme triste, feminino e bonito.

Les biches (1968) **** Possivelmente seu melhor filme. A influência de Hitch para contar uma história com alto ter erótico, lesbo ou não.
La femme infidèle (1969) *** Possivelmente o mais Hitchcockiano de todos, embora a estranha relação marido-e-mulher, cujo casamento precisa de "algo" para se livrar do tédio, não tivesse tido tanta ênfase se fosse filmada pelo inglês.
Que la bête meure! (1969) *** Embora irregular, ainda é um belo filme sobre culpa e vingança.
Le boucher (1970) **** Outro que vou pela lembrança, mas era o meu preferido antes. Hitchcock + A Besta Humana, Stéphane Audran linda.
La rupture (1970) *** Como já li em algum lugar, é Hitchcock on drugs. Um dos inícios mais impactantes de filme que já vi - só podia dar num final mucho lôco!
La décade prodigieuse (1971) * Falando em mucho lôco, chegamos a este projeto barroco que reúne Anthony Perkins, Orson Welles e Michel Piccoli. Na minha modesta opinião, não deu certo, embora o filme tenha lá seu mistério.
Les innocents aux mains sales (1975) ** Penei um pouco para dar duas estrelas, pois o filme também é muito irregular e com alguns momentos muito fracos (inclusive na ousadia de expor Rod Steiger ao ridículo), mas quando acerta é uma maravilha. Outra vez, Hitch na veia.
Madame Bovary (1991) * Isabelle Huppert é demais, mas o filme não. Talvez merecesse uma revisão à luz da comparação com os outros filmes dele que vi.
L'enfer (1995) *** Dos mais novos, é o melhor. Quando a técnica é arte. E tem a Emmanuelle Béart.
La cérémonie (1995) ** O final vale bem mais que o resto do filme que, de novo, tem em suas atrizes seu forte.
Rien ne va plus (1997) ** Pouca gente gostou desse exercício de charme, cinismo e ousadia. Eu fui um deles.
Escrito por Milton do Prado às 00h39
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