O Olho de Hochelaga


Allen Resurrection?


Aproveitando que há pouco tempo falei do último Allen, Melinda and Melinda: ateontem vi, em vídeo, o Anything Else (2003). Acho que falta um pouco de ritmo ao filme e a falta de química entre o Jason Biggs (melhor do que a encomenda) e a Cristina Ricci (ótima) pode até ter sido intencional, mas lá pelas tantas atrapalha. Agora, o que é muito legal no filme é justamente aquilo que eu disse que sentia falta em Melinda and Melinda. Aqui não falta angústia, não falta sofrimento. Seja na personagem de Ricci (que vive falando em dieta, toma pílulas para dormir e não consegue mais transar com o namorado), no de Bigs (que não consegue se desapegar de absolutamente nada), da mãe dela (que nega o envelhecimento), de Allen (que adere à paranóia de auto-defesa americanóide) ou mesmo de DeVito (que é incompetente e pinta um mundo irreal para seu "afilhado"). Ou seja, não falta é doença no filme. E a sacada da amizade improvável entre os personagens de Biggs e Allen é uma transposição inteligentíssima do Outro de Borges para o universo do diretor. Com certeza não é dos melhores filmes de Allen, mas, junto com o último, já dá mais vontade de ir ao cinema.


Escrito por Milton do Prado às 09h16
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Novidades da Clube, edição abril de 2005


Faz algum tempo que não pratico aqui o meu cabotinismo corporativo. Mas acho que agora a Clube Silêncio tem bastantes novidades para colocar aqui. Então vamos lá.



PREMIAÇÃO NO FESTIVAL DE RECIFE: Depois de papar uma penca de troféus no Prêmio José Lewgoy (premiação de cinema do Rio Grande do Sul, com categorias para curtas e, quando é permitido, longas), Cinco Naipes, de Fabiano de Souza, foi exibido no dionisíaco Festival de Recife e mandou bem, tendo feito bastante barulho, mesmo depois de ter sido exibido imediatamente após um documentário sobre Chico Science, ou seja, com o público delirando ao som do ídolo morto prematuramente. Sabemos todos nós que esse negócio de premiação não determina nada, mas ficamos todos contentes quando ganhamos uma. No caso: melhor roteiro para o Fabiano e melhor Direção de Arte, prêmio inédito e merecidíssimo, para Adriana Borba.


Rafael Kerber no primeiro plano do Cinco Naipes

MESSALINA NO CURTA-SE: Começa hoje, no meu estado natal, Sergipe, a quinta edição do Curta-SE. Esse festival tem agitado desde a primeira edição a circulação e exibição de curtas e longas (fora de competição) e tem inclusive incentivado a desenvolver a incipiente produção de vídeo local. Pois bem, esse ano um dos filmes da competição de curtas é justamente Messalina, de Cristiane Oliveira, que no mês passado dividiu o prêmio José Lewgoy de melhor roteiro com o Cinco Naipes. Messalina também é uma produção da Clube Silêncio e vai ser exibido no sábado, dia 30 de abril, às 19 horas.


Vanise Carneiro faz uma cega em busca de novas sensações em Messalina

OUTRAS EXIBIÇÕES NESSE MUNDÃO GRANDE DE DEUS: Depois de Sergipe o Messalina participará do 15˚Cine Ceará, que acontece de 6 a 12 de maio em Fortaleza (atenção, Aílton! Dá uma conferida!), e do 12˚ Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. O Cinco Naipes também participa desse último, depois de ter sido exibido no 20th Turin Gay & Lesbian Film Festival em 21 de abril. E de 1˚ a 6 de maio o Fabiano de Souza estará exibindo o filme no Input, um dos principais mercados de filmes para a televisão do mundo, que vai acontecer nesse ano em San Francisco e depois seguindo por vários países. Pela sinopse do filme na página do Festival percebe-se que o pessoal do Input entedeu o filme (exibido no programa All You Need is Love). E nas telinhas também vai ter filme nosso: o Messalina foi vendido para a TV japonesa Man Union/Cinefil e o Cinco Naipes para a TV portuguesa RTP.

ALÉM DISSO, tem os curtas em finalização e os projetos de longa, dos quais o mais adiantado é o Paradeiro, do Gilson Vargas. Mas isso eu vou deixar para detalhar em uma outra ocasião.


Escrito por Milton do Prado às 22h43
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A dialética do trailler - parte 2


Ainda em fevereiro, o mês que nunca acaba. Pego dois metrôs e um ônibus para ir assistir a um filme que teve um dos lançamentos mais esquisitos que pude ver por essas plagas. Meio atrasado, desço na parada errada, neve até o joelho, garoto da bilheteria de má vontade e por aí vai. Entro na sala com uma explosão rolando (avant-trailler do The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, ao qual já assisti umas 200 vezes, insuportável) e me sento. Entra o novo trailler. Um boxeador, Russel Crowe, muito sofrimento, música intermitente, pobres de super-produção, afinal estamos na grande depressão, a Renée Zellweger com aquela cara de quem chupou limão, lutas de boxe, mais sofrimento, fica claro pra nós que o personagem sofre pra caramba durante o filme, se não ficou claro, aumenta-se a música do trailler e aí vem o título... Cinderella Man!!!!!!!!

Porra, até tento ter boa vontade com Russel Crowe e Ron Roward, mas dá pra levar a sério um filme com esse nome, cacete?

Eu e mais uns três damos uma boa risada.
A tela fica preta e começam os créditos do filme para o qual paguei o ingresso. Million Dollar Baby. O cinema fica em Silêncio...


Escrito por Milton do Prado às 13h07
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Banzo


Tenho andado com saudades do Brasil, mas nada daquela saudade babaca tipo exportação, do jeito extrovertido do brasileiro, da alegria, da nossa comida etc. Dessa merda turistíca, sentimentalóide e conformista, TÔ FORA. Sinto falta de pequenos detalhes, de beber com os amigos de Porto Alegre, Aracaju, São Paulo e outros cantos; Sinto falta do fim-de-tarde no João do Alho de Aracaju, da mistura de cheiro de alfalto e água do mar do Rio de Janeiro, de Floripa no finalzinho do verão, quando já está mais vazia, do centro de uma Recife que faz tempo que não visito, de uma Paulista barulhenta e cheia de gente. Sinto falta da Cidade Baixa de Porto Alegre, onde estão fincadas muitas de minhas alegrias, ressacas, cenas patéticas e, mais recentemente, minha produtora. E sinto falta, principalmente, dos amigos, mãe e irmãos.

Tenho escutado muita música, brasileira inclusive, e tenho me surpreendido com algumas de minhas obsessões recentes. Tem uma cantora que vou deixar para falar em outro texto. Tem o Secos e Molhados, de que nunca gostei muito, mas que tenho que dar o braço a torcer e dizer que "Sangue Latino" é uma puta música, com arranjo fortíssimo e possivelmente a melhor interpretação do Ney Matogrosso. Ainda não gosto de "Mulher Barriguda", mas aí também é demais, né?

E tenho sentido falta, muita falta de ver filme brasileiro. De ver a quantas anda esse cinema que me dá um monte de decepções, mas que quando me alegra me deixa completamente desarmado. Há um mês atrás pude conferir O Prisioneiro da Grade de Ferro e puta que pariu!, como o Sacramento mandou bem, como fugiu de várias armadilhas impostas por cada gênero e subgênero que ele encarava. Saí do cinema extasiado.

E se eu tivesse no Brasil, agora?




Se eu tivesse em São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro ou Brasília, iria logo ver Cabra Cega, do Toni Venturi. O filme tem provocado reações muito legais de quem tem se disposto a ver as poucas cópias distribuídas. Quem quer dar uma olhada nas opiniões, sugiro ler os textos dos blogues ChipHazard (em 16/04), Cinetcom (19/04) e Mondo Paura (16/04). O Cine Rebeldia, embora não tenha ainda escrito um texto sobre o filme, foi o primeiro a chamar a atenção para ele em 15/04. E os blogueiros de outros Estados do Brasil não pôde ver o filme ainda. Ainda a partir do Cabra Cega, sugiro a leitura do artigo/carta de Marco Aurélio Marcondes no site do Carlão, o Olhos Livres. Procure logo abaixo das fotos de viagem, postado em 20/04/2005, pois vale MUITO a pena ler, como bom ponto de partida sobre a relação entre cinema brasileiro e crítica.




Mas se eu estivesse em Porto Alegre eu iria direto para minha saudosa Sala P.F. Gastal, que de certa forma já foi minha casa, assistir a Subterrâneos, o longa de estréia de José Eduardo Belmonte. A sua distribuição é ainda menor que a do Cabra Cega. Exibido hors concours no 36º Festival de Brasília, o filme mergulha no universo underground de um centro comercial de Brasília, o Conic, e dele extrai seus personagens. O Conic divide opiniões da comunidade brasiliense: há quem enxergue ali apenas um conglomerado de edifícios lúgubres e com aspecto de abandono; há, por outro lado, quem o relacione à sobrevivência e à oração. Situado no centro de Brasília, por lá circulam 20 mil pessoas diariamente. Uma gente muito diferente, que trabalha, estuda, se prostitui, reza, trafica, mendiga. Produção de baixíssimo orçamento, Subterrâneos foi rodado em 15 dias. Há uma crítica do Daniel Caetano, da Contracampo, que dá uma boa idéia sobre o filme. O Marcus Mello, da Teorema e da própria P.F. Gastal, disse que o filme é um dos melhores do cinema brasileiro recente. O Cozzatti, outro crítico gaúcho, disse: "fazia horas que eu não via um filme brasileiro tão estimulante, moderno e rompedor". O Gustavo Spolidoro assina embaixo, empolgado.

Subterrâneos volta a cartaz na P.F. depois de ter sido exibido durante uma semana no cine Santander, onde houve, segundo amigos, uma sessão antológica debatida pelo Fabiano de Souza. Pois deixo vocês com as palavras de uma carta emocionada Fabiano para o André Luiz da Cunha, fotógrafo e produtor do filme (e de vários em Porto Alegre):

"(...) tomar na cabeça o Subterrâneos em tela grande é um experiência completamente diferente, é um desmorono de convicções, um abalo sísmico de certezas, uma odisséia fragmentada onde o olhar parece vagar desesperado - e sem bússola - por um universo forte (...). Mas tudo isso, essa confusão, essa desorientação, me deram base para desenvolver algumas coisas que eu tinha (a)notado antes.
Claro que comecei pela dor. E uma das coisas que percebi é que se fala muito em CHORAR. E essa lágrima não deixa de passar um angústia sincera pela tentativa da resolução dos problemas individuais e coletivos. E como essa dor é encarcerada hermeticamente nos planos-seqüências de 360 graus, nos corredores, nas escadas, nas grades de um CONIC, que além de jaula, é ímã que não deixa os personagens se afastarem. Como notou o Carlos Alberto de Mattos, estamos no clima da impotência - sexual, artística, social. (...) Quando descobri isso, percebi que Subterrâneos é o resgate de um cinema fundamental. Lá cheguei a dizer: É UM CORPO ESTRANHO NO CINEMA BRASILEIRO. É um filme onde a gente nunca sabe qual é a próxima cena. (...)"

Subterrâneos deve ficar em cartaz na P.F. ainda por mais duas semanas, mas se eu estivesse em Porto Alegre eu iria HOJE!


Escrito por Milton do Prado às 09h06
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Rhada e Rhada


O novo Woody Allen é bom. Melinda and Melinda, como todo mundo já sabe, conta duas histórias, duas possibilidades a partir de uma situação imaginada por um grupo de amigos intelectuais numa mesa de restaurante. Um deles defende o desenvolvimento cômico, o outro o dramático. É certo que ainda falta angústia e algum phatos que o cineasta soube colocar em seus melhores filmes, mas posso enumerar diversars qualidades:

- o timing das cenas melhorou em relação aos seus últimos filmes (embora não tenha visto Anything Else).

- a situação, cujo ponto de partida não é lá grandes coisas, é sustentada pelo interesse interno das duas narrativas (beneficiadas pelo tempo menor em que se desenvolvem).

- Vilmos Szigmond é um puta fotógrafo, de grande sensibilidade, que marca a imagem das duas narrativas de forma evidente, mas nada óbvia.

- embora alguns críticos tenham reclamado que elas não são evidentes - mas essa é justamente uma das qualidades do filme, cacete!

- As diferenças entre drama e comédia estão lá, nos detalhes: até mesmo os coadjuvantes são muito bem pensados (como no caso dos personagens de Chloë Sevigny e Amanda Peet).

- Will Ferrel, ator que considero detestável, não somente está muito bem, como parece ser um dos que melhor incorporou os trejeitos típicos dos personagens calcados na persona de Allen.



- E, principalmente, Radha Mitchell é maravilhosa.


Escrito por Milton do Prado às 17h26
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A dialética do trailler - parte 1


Há um mês e meio, mais ou menos. Me acomodo da poltrona, o cinema tem muita gente, mas está longe de estar lotado. Começa o trailler do Long Dimanche de Fiançailles, aquela pompa toda. Juras de amor, sofrimento, a guerra, mais sofrimento, cenas espetaculares, som 5.1 parecendo que sai da cadeira ao lado, heroína manca, quanto sofrimento minha gente, ponto de vista da bomba caindo, toda a punjança da superprodução francesa, olha também sabemos fazer filmes como os americanos, mais explosões, filtros que deixam o céu avermelhado, a mesma carinha da Amélie Poulin de novo, a música aumenta e as frases de efeito anunciam o fim do trailler, mas, antes da música acabar...

... Le Mépris. A tela avermelhada com o título do filme do Godard corta o trailler antes que ele chegue ao fim.

Olha, tem horas que esses projecionistas dão um show de montagem.


Escrito por Milton do Prado às 14h08
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Rápido e rasteiro de alguns filmes de fevereiro


Fevereiro? É, fevereiro. Os filmes somente com cotação já foram comentados em outros textos, estão aqui pelo puro prazer das estrelinhas.

Cotação carnavalesca:

**** Mestre Capiba
*** Dodô e Osmar
** Moraes Moreira
* Alceu Valença
ø Ivete Sangalo

(R) revisão




Onibaba ***
Kaneto Shindô, 1964.
Esse clássico do cinema fantástico japonês impressiona pela atmosfera e pelo clima de loucura, além de contar com alguns dos enquadramentos mais bonitos já vistos. Esses japoneses, quando querem, são foda!

The Lord of The Rings 3: The Return of the King *
Peter Jackson, 2003.
Embora eu até dê o braço a torcer que esse é o melhor da série, com ótimo ritmo nas incríveis cenas de batalha, ainda continuo achando tudo uma perda de tempo enorme; excesso de personagens, misticismo new age, exagero do exagero e os 30 piores últimos minutos da história recente do cinema. Muito barulho por nada.

Mar Adentro **
Alejandro Amenábar, 2004.
Relutei muito em dar duas estrelinhas para esse aqui. Faço minhas as palavras do meu amigo Fabiano de Souza: "tem coisas muito boas, mas volta e e meia surge uma música brega, uma ação de um personagem fora do lugar e, enfim, a coisa às vezes degringola". Ou seja, é o tipo do filme que a gente tem que brigar um pouco para gostar, porque o seu Amenábar ainda tem sérios problemas ao dirigir atores coadjuvantes, porque o reteiro apela para tudo que é lado, porque o drama poético às vezes convence, mas a poesia dramática não. Fico com as coias boas, então, que não são nada desprezíveis.

Beat the Devil **
John Huston, 1953.
Nesse John Huston é evidente que os atores se divertem bem mais que a gente, é evidente que a coisa é hiper-improvisada no mal sentido, mas é evidente também que dá para ter bons momentos com tanto talento junto (Bogart e Lorre à frente).

Contes de la Mère Poule **
Sobre essa coleção de três curtas de animação, voltarei em breve.

Assault on Precinct 13 ***
John Carpenter, 1976.
Segundo longa do carpinteiro, onde ele exercita toda sua capacidade de criar um suspense claustrofóbico numa história inspirada em Onde Começa o Inferno, de Hawks. Muito bom! Carpenter filma como poucos.



Ôdishon (Audition) ****
Takashi Mîke, 1999.
Depois da semi-decepção que foi assistir a Ichi The Killer, meu primeiro Mîke, vi essa obra-prima do horror moderno, do controle de tempo, da mudança habilidosa de gêneros, da manipulação do medo e do abuso da tolerância do espectador. Um dos filmes que melhor recebe o epíteto de "pesadelo filmado". Barra-pesada.

Family Viewing *
Atom Egoyan, 1987.
Esse é um dos primeiros Egoyan e já se percebem lá vários de seus elementos, como a família esfacelada, as taras escondidas, a utilização do vídeo. Mas é tudo meio forçado e mesmo boas idéias (como as cenas familiares filmadas como se fosse uma sitcom) acabam não funcionando a contento. Vale mais como curiosidade para ver como evoluiu o cinema do canadense.

The Godfather (R) ****
Francis Coppola,1972.

Million Dollar Baby ***
Clint Eastwood, 2004.

Le Mépris (R) ****
Jean-Luc Godard, 1963.

Before Sunset ***
Richard Linklater, 2004.

Once Upon a Time in America (R) ****
Sergio Leone, 1984.

Reflections in a Golden Eye ***
John Huston, 1967.



Videodrome (R) ****
David Cronenberg, 1983
Incrível como esse filme mantém sua força ainda hoje em dia, tratando de assuntos razoavelmente "batidos" (snuff movies, violência na TV) de forma nada óbvia. Além do mais, tem James Woods em um de seus melhores papéis. E Debbie Harry, no auge. Um dos melhores do grande Cronenberg.

New York, New York **
Martin Scorsese, 1977.
Vencida uma pequena resistência que tinha contra esse filme, consegui ter bons momentos de cinema graças à improvável química entre Lisa Minelli e um Robert DeNiro da época em que ele conseguia ser bom ator. Boa parte da graça do filme nasce da tensão entre eles dois e entre o registro não-realista dos cenários e o tratamento extremamente realista da trama.

Fast Company ø
David Cronenberg, 1979.
Stereo ø
David Cronenberg, 1969.
Crimes of The Future *
David Cronenberg, 1970
Aqui vai um três-em-um graças ao DVD. Pelo lado econômico, uma ótima idéia colocar esses três filmes juntos. Mas é um certo sacrifício de fã assistir aos três piores filmes do canadense louco. Fast Company é um filme de corrida, a escuderia boa e a má, o dono da escuderia sendo o grande vilão etc. Poderia ser divertido e não é, poderia ter uma crítica embutida, mas só com muita boa vontade para ter essa leitura. Já os outros dois são exatamente os dois primeiros longas, produzidos de forma amadora, com boas idéias espalhadas mas sem o menor senso narrativo - coisa que Cronenberg vai desenvolver, de maneira bem particular, posteriormente. Ambos são muito bem fotografados pelo próprio diretor, chamando atenção para a qualidade visual, geralmente desprezada, de seus filmes. Crimes of The Future consegue ir um pouco além e criar uma ambientação melhor, principalmente nos últimos 20 minutos.

Inside Deep Throat **
Fenton Bailey e Randy Barbato, 2005.
Documentário que tem feito algum barulho nos EUA, mas não exatamente sucesso. É extremamente divertido, mas é também superficial demais. Cai na armadilha de querer colocar o maior número de vozes possível, acelerando (mais do que deveria) a montagem e desperdiçando algumas falas. Tudo no intuito, também, de corroborar algumas teses bem questionáveis. Mas vale como um retrato, ainda que distorcido e restrito, de uma certa América que ainda existe.

É isso aí. Atrás do trio elétrico atrasadíssimo, só não vai quem já morreu!


Escrito por Milton do Prado às 15h17
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Nouvelles Vagues 4




Comprado ontem.

Escrito por Milton do Prado às 17h12
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Nick cries


cortesia do meu amigo Luiz Garcia

I wept and wept, from start to finish
by Nick Cave
A review of the film Mother and Son
by Aleksandr Sokurov.

From the UK newspaper Independent on Sunday from March 29, 1998.
__________________________________________

A FRIEND of mine invited me to attend an advance screen of a Russian film in Soho. I asked him what it was like and he said, "Well, nothing really happens and then someone dies. Come along. You'll love it." My friend was releasing the film in this country, so I felt obliged. Sitting through a Russian film is the kind of thing friends do for each other.

I arrived late and made my way to the front row just as the opening credits were ending. Ten minutes in, I started quietly crying and continued to do so for the 73-minute duration of the film. Now, I've cried in films before but I can't remember crying quite so hard, without pause, all the way through. When the film ended and the lights came on, a red-eyed woman sitting behind me pushed a Kleenex in my direction and asked me if I would write something about it for one of the newspapers.

The film is called Mother and Son, and is directed by Aleksandr Sokurov. It explores the final day in the life of a dying mother (Gudrun Geyer) and her adult son (Alexei Anaishnov). It is morning. The mother wants the son to take her for a "walk", which involves carrying her through a series of dreamlike landscapes, whereupon he returns to their bare, isolated home, feeds her, and puts her to bed. The son then leaves the house to walk on his own and returns to find that she has died. All this takes 76 minutes. But what we witness in that time is a thing of such beauty, such sadness, that to cry, for me, was the only adequate response.

Mother and Son is a film about Death and about Love and about Grace. the love, between a mother and her son, transcends ordinary love in that it is purified by the imminence of death. Death awaits them both with absolute certainty: the mother who will die, the son who will be left alone. Time seems respectfully to have slowed to a pace at which the careful motion of love has room to play itself through: no action is rushed, for that would simply hurry death on. The characters have achieved a state of emotional and spiritual grace. They seem cut adrift from their histories, alien to their environment, and unaffected by the world beyond their own. all that exists are gestures of comfort, of care, of tenderness. The son brushes the mother's hair, wraps her blanket more tightly around her, feeds her with a teated bottle. The mother responds with strokes and caresses: all that her failing strength will allow.

It is a relationship, in a sense, that is not meant to be seen. It is sacred, religious, uncomplicated by any prurient intrusions of 20th-century analysis. It is a view of humanity that has truly become transcendent; yet Sokurov makes no bones about the tragic nature of death. Death hangs heavy over everything, saddening each gesture, weighing down each action. Even the landscape appears to be in mourning for the mother's imminent demise. here we see the Passion, shown in tableaux, occasionally reflecting the Christ story: the Passion not of the ailing mother but of the son, not of the dying but of the one who is left behind.

The dialogue, too, seems strangely ineffectual, as if the protagonists' love and understanding has rendered language unnecessary. When they do converse, their words seem to lack any true purpose. They neither comfort or clarify, for all is said in the knowledge that exists within each gesture. There is psychology in words, there is complication and pain. This is no better evinced than in their final conversation, in which they discuss reasons to die and reasons to live. The dialogue is futile and cruel, and serves only to reopen the feelings of grief.

Says the mother: "It's so sad. Anyway, you will still have to go through all that I have suffered".

"Have a little nap, mother," says the son. "Have a sleep, I will be back soon".

The son leaves the house and moves into the exquisite landscape that surrounds it. It is in these long, lingering, nearly motionless scenes that the film rises to heights of the most breathtaking beauty. Sokurov's landscapes are not burdened by any desire for realism. His scenes are transformed into cinematic canvases, far closer to painting than to film, awash with artificial, opalescent light. These dream-born vistas recall the work of the German Romantic painters of the early 19th century: in particular those of Caspar David Friedrich, in which everything is softened by a milky lustre. The vastness and mystery of this heightened nature creates a spirituality not dependent on any formula of traditional Christianity. And the care Sokurov applies to these fastidiously crafted scenes echoes the care with which his characters treat each other - the devotion to detail, the unhurried tenderness, the love.

All of this beauty is given a pace, a timescale dictated by the encroachment of death. Each piec of action, each gesture - slow, plangent, important, sacred - allows the viewer the time to fall under its spell and to be seduced by its powerful and very serious impulses. Watching this film, we are forced to confront the inevitability of our own mortality, and the mortality of others. Emotion are awakened within us of a sort that cinema hasn't dealt with for a long time.

My inital response to this film was to shed tears for the sadness of things. And its unique pulse has reverberated through me ever since.


Escrito por Milton do Prado às 10h45
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Mais sites e blogues nas conexões do Olho


UbuWeb
Descobri essa maravilha há pouco tempo. Trata-se de um site cujo espírito é justamente distribuir a maior quantidade de material marginal e difícil de encontrar possível, em textos, som e imagem. Lá você pode encontrar, por exemplo, filmes do Keneth Anger e do Man Ray; MP3 com entrevistas de Godard e Marshall McLuhan; traduções para o inglês (a maioria dos colaboradores é americana, so...) de textos de Mallarmé e Guy Debord, entre 200 mil outras coisas. Recorto duas perguntas e respostas da FAQ do site para dar o espírito que, com certeza, seria aprovado pelo mestre Jarry:

When did UbuWeb Start?
UbuWeb was founded in November of 1996, initially as a repository for visual, concrete and, later, sound poetry. Over the years, UbuWeb has embraced all forms of the avant-garde and beyond. Its parameters continue to expand in all directions.
Can I use something posted on UbuWeb on my site, in a paper, in a project, etc.?
Sure. We post many things without permission; we also post many with things with permission. We therefore give you permission to take what you like even though in many cases, we have no received permission to post it. We went ahead and did it anyway. You should too.

Senses of Cinema

Ótima revista australiana de cinema, uma das melhores da internet.


Blog da Desforra
Blogue do Heráclito Maia, colega do Projeto 365 e apaixonado por faroeste espagueti, entre outros pratos finos do cinema. É rico em imagens e atualizado constantemente.

Cat in the Brain
Blogue do Fernando Veríssimo, crítico da Contracampo, com ótimos textos (o da páscoa - 20/03/05 - é antológico). Nada a ver com o escritor homônimo (cá pra nós, eu sou mais esse aqui, hein!).

Chip Hazard
Blogue do Sérgio Alpendre, também da Contracampo, sempre atualizado e com ótimas sacadas. Destaque para as viciantes listas do mês e suas cotações.

CineNetCom
Blogue do Michel Simões, que se descreve como "cinéfilo paulistano muito metido a besta", mas que tem demonstrado um fôlego e evolução evidentes nos textos. Ultimamente tem se dedicado a investigar Truffaut, Eric Rohmer e quetais.

Mentiras e Verdades em 24 fotogramas ou 29 frames por segundo
Outro blogue de um apaixonado por cinema, no caso o Vébis Jr., que visito bastante e me divirto quase sempre. Como o dono anda ocupado, tem atualizado pouco, mas é por um motivo nobre.

Viver e Morrer no cinema
Blogue do Leandro Caraça, outro parceiro do Projeto 365. Mudou recentemente para o estilo multiply, que permite mais opções, como album de fotos e outras coisas que ainda não entendi direito. Mas mantém as atualizações desse colecionador insaciável de raridades.


Como sempre, teve alguns que ficaram para a próxima. Inté.


Escrito por Milton do Prado às 16h47
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Alex Cox is not dead!


Houve um momento nos anos 80 em que Alex Cox era pop.


Primeiro foi com Repo Man - a Onda Punk (1984), que misturava arrombadores de carro com alienígenas com uma irreverência incomum. Tornou-se um cult do VHS, fenômeno típico dessa década (alguém aí se lembra de Liquid Sky?).

Depois veio o sucesso de Sid e Nancy - Amor Mata (1986), que jogou Gary Oldman ao estrelato e nova luz sobre o casal mais punk do punk. Posso estar enganado, mas acho até que foi depois Sid e Nancy que Repo Man virou cult (cartas para a redação!).

Esse diretor inglês que foi para os Estados Unidos estudar cinema no fim dos anos 70 era intimamente ligado ao punk e a new wave britânicos - os temas dos filmes e as trilhas sonoras não deixam dúvidas. Como alguns desses artistas e bandas, Cox estava ligado também em ações políticas, como, por exemplo, manifestações de apoio ao movimento Sandinista. Foi um projeto abortado de uma turnê de vários artistas a favor do grupo nicaragüense que fez existir Straight to Hell (1987). Esse sub-faroeste com Elvis Costello, Dennis Hopper, Jim Jarmush, Grace Jones, Joe Strummer e até uma Courtney Love em início de carreira é ainda divertidíssimo e vale a pena ser catado nas locadoras.

Cox continuou interessado nos Sandinistas e, em 1984, foi para a Nicarágua acompanhar o processo de eleição. O contato com o país se intensificou a ponto de dar origem a Walker (1987), talvez seu melhor filme. Um petardo anti-imperialista que transformou Cox em persona non grata dos estúdios americanos, que fizeram uma distribuição capenguíssima do filme e dificultaram a vida do diretor nos EUA.



Vieram os anos 90, cuja principal característica de rebeldia era ser contra os anos 80, fazendo tabula rasa de tudo. Já estava mais difícil de Cox ser popular. E isso apesar de o diretor ter trabalhado prolificamente. Dirigiu, entre outros, El Patrullero (1991) e The Winner (1996), ambos lançados em vídeo no Brasil. Fez também um documentário sobre Akira Kurosawa (Kurosawa: The Last Emperor, 1999) e um episódio da série japonesa (!) Mike Yokohama (Mike Hama Must Die!) em 2002, mesmo ano em que lançou o filme de terror Revengers Tradedy. O cara não pára, no entanto ouvimos falar muito pouco sobre ele.

Para saber mais sobre Walker, acesse o Projeto 365 e procure pela resenha do dia 1° de abril de 2005 (não é mentira).

Para saber mais sobre Alex Cox, visite a ótima página do diretor.


Escrito por Milton do Prado às 00h04
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