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Mórbida semelhança

Escrito por Milton do Prado às 16h22
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23° Fifa
Em Montreal há uma verdadeira mania de festivais. Tem festival de tudo que é tipo que tu pode imaginar, alguns que tu não pode imaginar e até mesmo alguns que tu não entende sobre o que é exatamente. Há duas semanas pude acompanhar de perto o 23° Festival Internacional de Filmes Sobre Arte, o Fifa. Participaram mais 200 produções entre longas, curtas, documentários, video-arte e ficção.
Filme sobre arte em geral é aquela coisa morna que a gente já conhece, embora historicamente os teóricos do cinema mais ligados ao realismo tenham defendido o gênero. Mas no caso desse Fifa, a maioria que eu vi tinha aquele formatinho que abunda (é, o trocadilho é proposital) por aí - documentários chochos feitos para TV, com todo tipo de vício e preguiça narrativa. Óbvio que há exceções. Mas foi sintomático que o melhor filme sobre arte que vi naquela semana tenha sido fora do Festival (o já comentado Edvard Munch). Vale destacar uma cagada minha: não fui ver o documentário sobre Robert Frank (Leaving Home, Coming Home) na sua única exibição. Dizem que era genial. Ganhou o principal prêmio do Festival. Aí vai uma geral:
Cotações: **** quadro do Edward Hopper no Moma *** livro da Tascher com reproduções do Hopper ** postal com reprodução do Hopper * ímã de geladeira com reprodução do Hopper Ø imitadores do Hopper expondo em feiras hippie

TVIdeo ** Merger * East on the 401 Ø 23/7 *** Half / Lives *** Landmark Room ** Talking to Nature ** Tom Sherman é um dos videastas pioneiros do Canadá. No Fifa havia dois programas compilando parte de sua obra. Nesse primeiro, destaque para um conjunto de 23 cenas montadas em associação, num incrível trabalho de ritmo e narrativas possíveis em sete minutos (23/7), para uma estranhíssima edição de imagens captadas por webcams (Half / Lives) e para um reality show avant la lettre (TVIdeo).
Dolce. *** Élégie de la Traversée *** Dialogues with Solzhenitsyn *** Esses três vídeos dirigidos por Aleksandr Sokurov já foram comentados em 15/03/2005.
Danser Perreault **, de Tim Southam Documentário em homenagem ao coreógrafo quebequense. Honesto na abordagem, competente na realização. Consegue passar uma idéia bastante convincente do processo de trabalho de Perreault, o que não é fácil.
Reimerswall *, de Clara Van Gool. Vídeo alemão feito a partir de uma coreografia para um poema, com um casal se encontrando e brigando na água. Idéia interessante, mas é poético no mal sentido.
 Dennis Hopper: The Decisive Moments **, de Thom Hoffman A idéia é simples: a partir de uma entrevista com Hopper, tentar identificar os momentos decisivos da sua carreira e ir atrás de depoimentos de colaboradores (Wim Wenders, Sean Penn, David Lynch e outros menos ilustres). Bem montado, com ótimas imagens de filmes pouco conhecidos dirigidos pelo ator (incluindo o maluquíssimo The Last Movie) e o esperado coquetel de histórias escabrosas envolvendo sexo, drogas e mais drogas. Pena que na parte final o filme descambe para aquele tipo de documentário baba-ovo, mostrando o quão em forma está Hopper agora, blá blá blá.
Patricia Highsmith - Her Secret Life *, de Hugh Thomson Esse foi com certeza um dos piores que vi, com roteiro qualquer-nota e dramatização de gosto beeeem duvidoso (quando fala do problema de Patricia com álcool, a atriz que a "encarna" entorna vários copos de forma repetida, auxiliada por uma série de fusões - meu deus!). Salvam-se a grande personagem que é a escritora e os depoimentos de suas amigas. No fim, trechos de uma rara entrevista para a TV me lembraram a famosa entrevista de Clarice Lispector para a TV Cultura, onde ela parece se perguntar a toda hora "que é que eu estou fazendo aqui?".
Lorenzo Mattotti, le Triomphe de la Couleur *, de Ludovic Cantais Esse começa bem, mostrando o artista em seu ateliê, falando de seu processo de trabalho, nada demais, mas de forma eficiente. De repente, chega a impressão de que não se sabe para onde o troço vai. E acaba. Ainda bem que era curto.
Mysterious Mr. Hopper *, de Ian MacMillan Pensei seriamente em dar duas estrelas para esse aqui, pois o personagem é fantástico - Edward Hopper, o grande pintor figurativo do século XX. Mas o filme é bem toscão, talvez o mais televisivo de todos, no sentido que tem até um apresentador à la Fantástico comentando os fatos. Não dá, né? Mas tem o Hopper em imagens raríssimas e uma tentativa bastante razoável de criar uma ambiência através da fotografia, em vídeo. Faz parte de uma série da BBC chamada Imagine.
François Truffaut, une Autobiografie *, de Anne Andreu Ótimos depoimentos de Truffaut e colaboradoras (Deneuve, Fanny Ardant) e admiradores (Allen), ordenados (difícil falar "montados") de forma preguiçosa e imprecisa.
Escrito por Milton do Prado às 17h28
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Eduardo Coutinho
Entrevista com um dos maiores do Brasil no trópico
Escrito por Milton do Prado às 20h33
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Nouvelles Vagues 3

Suzi dans le métro.
Escrito por Milton do Prado às 14h06
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Edvard Munch, de Peter Watkins
Fazia tempo que a montagem de um filme não me impressionava tanto. Fazia tempo que a descoberta de um diretor "novo" não me deixava tão empolgado. Fazia tempo que eu não via os limites entre ficção e documentário se cruzarem de uma forma que fugisse completamente do óbvio. Fazia tempo que um filme sobre o processo de criação de um artista não era, para mim, apenas um registro linear e toscamente interpretativo do que foi na realidade. Fazia tempo que um filme sobre o processo de criação de um artista não era, para mim, uma reinterpretação frustrada de um gênio incompreendido. Fazia tempo que um filme com quase três horas de duração, claramente não-condescendente com o espectador, ficava tanto tempo na minha cabeça. Fazia tempo que eu não saia de um filme com a sensação de ter tido uma experiência maior.
Edvard Munch foi feito em 1974 por Peter Watkins para a TV (Sueca? Norueguesa?). Pelo que pude pesquisar, foi para os cinemas em 1976 (mas os dados pela internet a fora são confusos).
Escrito por Milton do Prado às 21h03
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Um filme cruel

Leiam minha resenha no Projeto 365 em 17/03/2005.
Escrito por Milton do Prado às 20h36
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O mistério Sokurov
 Tinha uma certa resistência ao diretor russo Aleksandr Sokurov. Embora tenha achado Arca Russa um belo filme (e discordo de quem acha que tem que se conhecer a história da Rússia a fundo para poder usufruir dele) e Moloch um reatrato às vezes assustador da normalidade de Hitler, esses dois filmes não eram suficientes para me fazer entender o tamanho do seu prestígio. Sua visão de história não chegaria às vezes perto da ingenuidade? Seria o russo um discípulo ou um copiador de Tarkovsky? Seu trabalho de dilatação do tempo seria uma diluição do estilo do mestre ou traria alguma assinatura própria?
Parte dessa sensação foi mudada nesse fim-de-semana, quando pude assistir, dentro do Fifa (Festival International du Film sur L'Art, ao qual voltarei em breve), a três filmes de Sokurov. Tanto Dolce, quanto Elégie de la traversée e The Dialogues With Solzhenitsyn são documentários feitos em vídeo, formato betacam.
Dolce é uma experiência única. Nos primeiros oito minutos de filmes, através de um tabletop convencional, conta a história de um escritor japonês, nascido em 1917, que se tornou kamikase e apaixonou-se por uma professora que lhe prometeu se matar quando ele fosse levar a cabo sua tarefa. Mas a missão foi cancelada e os dois puderam se casar e ter dois filhos. Um dia, ela descobre que ele tem uma amante e enlouquece. O marido dedica-se então ao tratamento da mulher, enquanto que a filha, com dez anos de idade, para completamente de falar e de se desenvolver fisicamente. Em 1986 o escritor morre e a mulher vive sozinha com a filha (o filho mudou-se) numa casa, em uma ilha isolada. Depois desses oito minutos (tempo impreciso), o filme dedica seus próximos 50 a um encontro com a mulher, onde ela tem um monólogo sobre sua vida, sobre seus pais, sobre seu marido, sobre seu sofrimento. Longos planos registram suas sutis mudanças de expressão. Em um determinado momento, ela é vigiada pela filha à porta do quarto, quando vemos somente uma parte de seu rosto num plano longuíssimo, um dos momentos mais assustadores que já vi em toda minha vida. O filme termina com a chuva caindo e a viúva olhando pela janela.
Elégie de la traversée conta a história de um homem e sua memória fragmentada, através de uma viagem que ele faz através da Europa, encontrando estranhos no caminho, até chegar em um museu onde ele vai encontrar seu destino final: o quadro La Place Saite-Marie, de Peter Saenderam. Nesse filme Sokurov apresenta uma montagem extremamente criativa e diferente da que estava acostumado a ver em seus filmes, provando que herança de Eisenstein também se faz presente
Em The Dialogues With Solzhenitsyn, ele reencontra o escritor russo que revelou ao mundo o horror dos Gulags e exilou-se nos Estados Unidos com mulher e filhos na década de 70, para depois, em 1994, voltar para seu país natal, "como se da Rússia ele nunca tivesse saído". Como em Dolce, mas mais ensaístico, Sokurov apresenta no início a história pregressa do escritor e concentra a maior parte de seu documentário num dia passado com o escritor e sua mulher em sua casa de campo. As conversas sobre o tempo, a literatura, o clima, os EUA e a Rússia se dão em meio a atividades banais do cotidiano, como quando o escritor resolve arrumar sua sala de trabalho. Acompanhamos tudo como se fizéssemos parte de um círculo de amigos, independente de conhecermos ou não o Arquipélago Gulag.
Sokurov dilata o tempo, mas somente daquilo que interessa a ele. O resto pode ter uma velocidade audiovisual "normal". O que é importante precisa de uma pausa, de uma atenção maior. Não sei se ele tem controle total sobre esse "método", e ainda tem dúvidas se sua relação com a arte não tem um pouco de um deslumbramento contrário a sua estética rigorosa. O mistério Sokurov continua, só que agora ele está se tornando, para mim, um dos maiores atrativos sobre esse diretor.
Escrito por Milton do Prado às 15h02
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contrabando
Como estou sem tempo para colocar um texto original, indico ótimo texto do Monstro na Garagem sobre Isabel Sarli. Informativo, apaixonado e bonito (combinou até com o template!). Não sabe quem é ela? Então vai lá.
Eu só vi um filme com ela, La Dama Regressa (1996), pérola do mal gosto do Jorge Polaco, em que a atriz explora com muito bom humor sua figura de ex-musa. Mas as fotos que estão no blogue do Walner mostram o poder da mulher!
Escrito por Milton do Prado às 20h49
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Nouvelles Vagues 2
 
 
L'enfant sauvage.
Escrito por Milton do Prado às 13h39
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Era uma vez (a vida)
Há algumas semanas, o acaso fez com que eu visse na tela grande três obras-primas do cinema que, cada uma a sua maneira, foram fundamentais na minha formação cinematográfica. Tanto O Desprezo (Le Mépris, Jean-Luc Godard, 1963), quanto O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972, Francis Ford Coppola) e Era Uma Vez na América (Once Upon a Time in America, 1984, Sergio Leone), mudaram minha forma de encarar os filmes e, sem exagero, mudaram minha vida. Revê-los no cinema, com diferença de poucos dias entre um e outro, foi uma experiência fantástica, maravilhosa e às vezes dolorosa, mas necessária.
Vi O Desprezo uma vez em vídeo, nos idos de 1990, numa sessão tumultuada por um telefone que não parava de tocar e por um entra-e-sai de gente naquela casa que não era só minha. Convenhamos que não é essa a melhor maneira de ver um Godard (o terceiro para mim) dos mais complexos, com seu habitual cruzamento de referências literárias e filosóficas, mas dessa vez sendo levado ao paroxismo e com um tom mais grave do que os filmes anteriores que eu conhecia (Acossado e Tempo de Guerra). Para completar, era em VHS, que, além de cortar os lados do cinemascope original, ainda trazia a deturpação cromática típica do formato.
Pois bem, O Desprezo estava em exibição no já falado Cinéma du Parc, onde pude ver finalmente sua impressionante utilização da cor (o vermelho das roupas, o amarelo do cabelo de Brigitte Bardot, o azul do mar) e sua quase negação do anamórfico utilizado – o enquadramento das multidões e das serpentes, como diz Fritz Lang no filme. Essa versão de A Odisséia, adaptada para o mundo do cinema, é de uma tristeza assustadora, por mostrar a impossibilidade de sucesso absoluto do amor, que precisa do desprezo para fazer sentido (a antítese que dá sentido à tese), assim como o diretor de cinema (Fritz Lang) precisa do produtor canalha (Jack Palance) para fazer seu filme. Ou seria o contrário? O produtor que só pensa em ganhar dinheiro, o diretor que só pensa em fazer sua versão da história, o roteirista que é contratado para reescrevê-la e entra em crise consigo e com sua mulher e finalmente a própria, que sente e pratica o desprezo – tudo contribui para a tristeza que permeia o filme, apesar de estar presente o humor típicos do Godard dos 60’s. Momento sublime: o produtor assinando o cheque do escritor nas costas da tradutora, com a tela de cinema ao fundo onde se lê: “o cinema é uma arte sem futuro”. É o romantismo à la Godard, desesperado e nada ingênuo. O Desprezo vem provar que a única maneira de ser fiel a uma história conhecida é contá-la através da sua própria visão. Explosão do cinema (político) de autor, Godard faz um filme mais codificado que os anteriores e dá pistas do que viria a produzir, ao mesmo tempo que expunha como nunca a contradição do cinema que precisa da indústria para ser arte e precisa da arte para ser indústria.
Há um outro cinema daqui de Montreal, que pretendo apresentar melhor em um futuro texto, chamado 1$ Dollar Cinema, que de vez em quando tem na programação filmes antigos, como O Poderoso Chefão. Esse era o filme preferido do meu pai. A ligação do velho com o cinema era fraca, ou no mínimo remota, mas devo a ele os primeiros contatos com os faroestes de John Ford (para ele eram os “filmes de cowboy”de John Wayne) e com alguns clássicos do cinema dos anos 60 e 70. Ele desprezava por completo o cinema da Nouvelle Vague ou qualquer coisa derivada dos chamados cinemas novos. Lembro que, na primeira semana depois de adquirir um VCR Sharp (controle remoto com fio) em dezembro de 1985, pegamos no finado Video Clube do Brasil uma VHS pirata do filme do Coppola. A emocionante sessão caseira foi repetida várias vezes durante vários anos, nas quais fui obviamente entendendo mais o universo do filme e o apreciando mais. Meu pai viu e reviu esse filme várias vezes, com e sem minha presença, assim como a parte 2 da saga. Em 1990 ou 91, fomos ao cinema pela terceira e última vez juntos, assistir à parte 3, numa sessão que foi uma das mais marcantes da minha vida.
Ver O Poderoso Chefão na tela grande foi uma espécie de prova de fogo emocional. No cinema, ficam mais claros os detalhes visuais e narrativos do filme (obviedade da qual não tenho como fugir, nesse caso). Mesmo com uma cópia lavada, a fotografia do grande Gordon Willis expressa toda sua força. É incrível como algumas seqüências cruciais tinham sumido ou perdido a importância na minha mente (como quando Michael Corleone vai para a Sicília). Esse grande afresco sobre o capitalismo americano disseca e ao mesmo tempo se deslumbra com o poder, assim como revela sua base na violência e na família, paradoxo aparente que vai fazer com que o filme encontre fãs à direita e à esquerda. Porque o filme de Coppola pode até ser enquadrado ideologicamente, mas é impossível negar sua beleza e inteligência. O plano final do filme, com a porta fechando-se e encobrindo uma Diane Keaton que se dá conta do destino que escolheu, é um dos mais belos da história do cinema. Coppola, expoente de uma turma que significava sangue novo para uma hollywood moribunda, vai provar ser possível o perfeito casamento entre o cinemão e a autoria, que se digladiam mas ficam juntos, como o casal ao fim do filme, para que a saga continue.
Durante o final dos anos 80, boa parte dos filmes que eu pegava em vídeo tentavam, de alguma forma, emular o gosto do meu pai, numa tentativa minha, frustrada na maioria das vezes, de descobrir novas jóias para o gosto dele. Foi nessa tentativa que, no meio de uma série de filmes “de gângster” inexpressivos, descobri Era Uma Vez na América, em meados de 1987. Tanto meu pai como eu fomos capturados por aquele estranho filme, enorme na duração, grande na ambição e gigante na quantidade de questionamentos que colocava. Estávamos então na frente de um filme “épico” com uma carga intimista maior que qualquer outro visto até então, com todos os elementos de um filme de gângsters , mas com uma aura mítica que o deixava pairando no ar – assim como pairava no ar aquele final enigmático, aberto a todos os tipos de interpretação.
Talvez tenha sido o filme que mais desejava ver em uma sala de cinema. Revi em 1992 e depois em 2004, sempre na tela pequena. Apesar do DVD já dar uma realçada, nada como ver ampliadas as verdadeiras aulas de composição do mestre Leone, o homem que ia do plano detalhe ao grande plano geral sem traumas e sem firulas, um dos poucos diretores a dar dignidade ao zoom, um dos poucos a dar altas cargas de sentimentalismo sem parecer excessivo. Em Era Uma Vez na América, ele exagera o casamento entre cinema de autor e espetáculo para provar que é do paroxismo da grande produção que pode vir uma expressão nova, barroca, que amplia a realidade para se aproximar do sonho e vice-versa. A história da produção do filme é cheia de lances dramáticos em função das discordâncias entre Leone e os produtores, que desprezaram completamente a versão feita pelo diretor e nunca enxergaram a riqueza da obra. Era Uma Vez na América pode ser visto como um filme sobre a fundação de uma nação à base da contravenção e da força, mas também é a história de um homem e os fantasmas provenientes de suas escolhas. Dito assim, de forma genérica, são quase os ingredientes de O Poderoso Chefão, só que ampliados com uma grande angular. O que o filme do Coppolla tem de força dramática e coerência interna, o de Leone tem de delírio cinematográfico em (e para) todos os sentidos. O Noodles na casa chinesa, cercado pelo ópio e pelo teatro de sombras, é um pouco de todos nós na sala de cinema, fugindo de nossos fantasmas e ao mesmo tempo os encontrando mais fortes ainda.
Para José Augusto de Azevedo Franco (1944-2000)
Escrito por Milton do Prado às 12h55
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