O Olho de Hochelaga


O Jutra e uma pequena obra-prima do Quebec


No fim-de-semana passado houve a entrega do Jutra, uma espécie de Oscar do Quebec. Como nação que é considerada, o Quebec tem sua própria premiação de cinema, além da premiação canadense, o Genie (que vai acontecer em março e na qual os filmes quebequenses também concorrem - aliás, são maioria nesse ano). A festa é menor, com a jequisse e provincianismo esperados, mas profisssional e com alguns momentos interessantes. Entre eles, a homenagem ao decano do cinema quebecois Michel Brault, diretor e fotógrafo de inúmeros filmes, coloborador habitual de Claude Jutra e que teve papel fundamental no início da carreira de gente como Geneviève Bujold e Denys Arcand, ambos presentes na emocionante homenagem.

Enfim, o filme vencedor foi Mémoires Affectives, de Francis Leclerc, filho de Félix Leclerc, um símbolo da música e cultura daqui. Não tenho visto tantos filmes daqui como deveria, mas tento imaginar os motivos que fizeram o sucesso desse filme equivocado, pretensioso e afetado. Acho que conta o fator hereditário do diretor, assim como a tentativa de se fazer um drama existencial pesado, coisa rara, parece, por essas plagas acostumadas por comédias leves. Mas talvez esse prêmio venha a fazer mais mal do que bem a uma carreira tão iniciante.

De qualquer forma, o que ninguém conseguiu me explicar mesmo foi o porquê da ausência de Ryan, curta-metragem dirigido por Chris Landreth, na categoria de filmes de animação.



Para além do fato de o filme ser uma sensação no Canadá, concorrendo ao Genie, ao Oscar de melhor curta de animação, tendo ganho prêmios em Cannes e Sundance, Ryan é mesmo uma pequena obra-prima. Feito em animação digital, mas subvertendo tudo que a gente espera desse tipo de animação e justificando completamente seu uso, o filme conta a história do encontro entre Chris Landreth, o diretor, e Ryan Larkin, antigo animador de Montreal e colaborador habitual de Norman McLaren. O filme mostra esse encontro (em animação, mas com vozes dos personagens originais) e tenta encontrar a resposta para o rumo que a vida de Larkin tomou. Fazendo parte da efervecente cena cultural montrealense do final dos anos 60, Larkin produziu alguns curtas que são considerados clássicos da animação, como En Marchant(1969) e Street Music(1972). O primeiro deles, aliás, foi indicado ao oscar de melhor curta de animação. Depois de viver intensamente esses anos e de ser considerado um dos principais artistas do país, Ryan se afundou em problemas familiares e na cocaína, saindo aos poucos da vida artística, da vida pública e de sua própria vida. Hoje Ryan é um dos vários mendigos que vivem pela rua Saint-Laurent, uma das principais ruas da cidade e onde fica um dos cinemas mais legais, o Ex-Centris - onde eu assisti, ano passado, a... Ryan!!!!

Ryan, o filme, é uma explosão de criatividade gráfica que explora os limites físicos e psicológicos como há algum tempo eu não via na animação (principalmente na badalada e anódina animação 3D). É também um documentário, o registro de um diálogo entre dois artistas separados pelo tempo e pela história de vida, mas ligados por um afinidade estética. É também um ensaio sobre o absurdo da vida de um homem, assim como sobre a inquietação de um fã, o diretor do filme, que começa a descobrir muitas pontos em comum com a vida de Ryan Larkin (a mãe alcóolatra, por exemplo, e agora a indicação ao Oscar).

Uma pequena obra-prima, uma jóia extremamente triste e humana que, por si só, já daria um documentário sobre as conexões entre o diretor e o objeto. Aliás, esse documentário existe, chama-se Alter Egos e vai extrear aqui em março. O legado de Claude Jutra e Noman McLaren é também uma responsabilidade para os cineastas de Montreal.


Escrito por Milton do Prado às 16h59
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Um desabafo e novas conexões


Depois de passar um tempão escrevendo um texto extremamente confessional para o blogue, sou surpreendido, na hora de publicá-lo, por um aviso do UOL dizendo que meu tempo de acesso tinha expirado. Como resultado, perdi 80% do texto. Por que a merda do aviso deles às vezes funciona e às vezes não? Por que o sistema de códigos para deixar uma mensagem está cada vez mais complicado (às vezes não se consegue entender!)? Por que o sistema de apresentação do blogue é tão limitado, não contendo espaço para uma simples apresentação do blogue? Por que ao invés de corrigir esses problemas o UOL criou um dispensável sistema de classificação das mensagens?

Enquanto eu não consigo a resposta para essas e outras questões e tento recuperar meu fôlego para reescrever o texto perdido, faço uma coisa que não me exige tanto e que já devia ter começado a mais tempo, que é renovar minhas conexões ao lado. Faço questão de apresentá-las minimamente:

SITES

Cine Imperfeito: revista editada por Francis Vogner e companhia, com críticas de cinema, artigos especiais, entrevistas e até vídeos do grupo para download. Ótima leitura e design de primeira.

Carcasse - a autodenominada revista de arte e cultura obscura cumpre com muita competência o que promete: divulgar e analisar as formas de arte, cinema entre elas, que flertam com o mistério, o horror, o oculto. Muita informação num belo projeto gráfico.


BLOGUES

Projeto 365 - Já apresentei lá embaixo, mas vamo lá: blogue coletivo que vai cobrir um filme por dia, em sete sessões diferentes, destacando filmes obscuroes, perdidos nas prateleiras, desconhecidos injustamente ou simplesmente ruins de doer.

Monstro na Garagem - Blogue editado por Walner, de Presidente Prudente, que mescla cinema B, vanguarda e rock de garagem em ótimos textos.

Mundo Paura - Blogue do Marcelo Carrard especializado em cinema de terror, com muita informação, boas análises e rico em imagens.

Perdido na Tradução - Blogue de Marlonn DB, de Curitiba, cinéfilo em formação e evolução permanente.

RD - B Side - Blogue de Renato Doho, mesclando diversas paixões (cinema à frente) e rico em imagens. Atualizado freqüentemente.

Sol de Ícaro - Blogue de Ícaro, cinéfilo de Goiânia, com atualização constante.


Depois tem mais.


Escrito por Milton do Prado às 13h51
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Walter Lima Jr. volta a filmar


Walter Lima Jr., é, para mim, um dos melhores cineastas brasileiros vivos. Seu último filme para os cinemas é de 1997. Há algo de errado nisso.

O fato de ele voltar a filmar agora é a melhor notícia que leio nos últimos tempos.

Música e realidade nutrem ficção
Para sempre a ser desafinados

Hugo Sukman - Segundo Caderno - O Globo - (O)nline - 20/02/05


Escrito por Milton do Prado às 15h18
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O Adeus à Cinemateca

Marcus Mello me encaminhou a notícia:

CINEMATECA FRANCESA FECHA SUAS DUAS SALAS

Cinéfilos do mundo inteiro, e muito especialmente os franceses, aguardam com tristeza o proximo domingo, dia 27 de fevereiro. O motivo não é a festa de entrega do Oscar e sim o fechamento das duas miticas salas da Cinemateca Francesa, que fecham suas portas definitivamente em virtude da transferência do complexo da Cinemateca para Bercy, em um extravagante prédio projetado pelo arquiteto Frank Gehry, o mesmo do Museu Bilbao. A nova Cinemateca Francesa abre suas portas ao publico no outono de 2005, com quatro salas. Mas o sentimento geral é de desolação e nostalgia, pela perda de um espaço que por mais de quatro décadas tem sido a versão terrestre do paraiso para os amantes da sétima arte. As sessões de despedida, no domingo, serão com Ivan, o Terrivel, de Eisenstein (na sala do Grands Boulevards), e Histoire(s) du Cinema, de Godard (na sala de Chaillot).
Especula-se que até mesmo o recluso Godard vai estar presente nessa ultima e historica sessão, para despedir-se de um espaço que foi fundamental para a sua formação cinematografica. Mais detalhes em www.cinemathequefrancaise.com


Escrito por Milton do Prado às 22h42
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Projeto 365


Enquanto, por preguiça, não coloco mais conexões ao lado, vai uma dica especial: está no ar o blogue coletivo Projeto 365: Todo dia uma dica diferente de filme empoeirado ou pouco conhecido para pessoas de gosto refinado. Cada dia da semana terá uma coluna temática:

Domingo: CINEMA-BIS (rip-offs, imitações, cópias de filmes famosos)
Segunda: BYE BYE BRAZIL (fitas brasileiras)
Terça: POLTRONA R (pancadaria)
Quarta: CINE APELAÇÃO (exploitation e XXX)
Quinta: SALA DE TIRO (policial, máfia, faroeste, guerra)
Sexta: GALERIA DO TERROR (terror, thrillers)
Sábado: RANGO DE BOTECO (melhor do pior)

Os textos inaugurais são sobre Seytan, escrito por Carlos Primati, e Fuk Fuk à Brasileira, escrito por Diógenes L. Cesar.

Imperdível!


Escrito por Milton do Prado às 21h26
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Million Dollar Baby


Uma conseqüência um tanto quanto nefasta da indicação ao Oscar dos dois últimos filmes de Clint Eastwood e Martin Scorsese é colocá-los em combate direto um contra o outro. O que faz com que defensores de um ou de outro exagerem na carga das defesas e dos ataques.

Mas se há algo de bom nisso é a discussão e reflexão que se pode retirar de toda a balbúrdia. Há muita gente escrevendo sobre os filmes e mesmo listas de discussão que andavam meio caídas, como a infancinéfilos, voltam a ficar interessantes.

Sobre o Aviador eu já falei e fui, de certa forma, contaminado pelo espírito que critiquei no primeiro parágrafo. Sobre o Million Dollar Baby vou falar agora, pois só fui vê-lo ontem, devido a uma conjunção de fatores que vão da gastroenterite do meu filho, passando por obrigações profissionais e sociais, até à estranha distribuição que o filme teve aqui em Montreal (vários cinemas, mas poucos entre os principais). Pretendo retomar O Aviador mais tarde, talvez depois de revê-lo. Vou me deter ao filme do Clint.


Uma amiga minha, Martha, me escreveu e colocou o seguinte comentário sobre o filme: “para mim é um filme de ritmo perfeito”. Ponto, nada mais. Achei curiosa essa observação, talvez destacando a montagem do filme, mas não deixou de soar como uma observação negativa às avessas. Destacar o ritmo e não dizer mais nada pode ser uma maneira elegante de dizer “tá, e daí?”.

Agora, depois de ter visto o filme, já acho que ela foi contaminada pela economia de recursos vista no mesmo. Se o ritmo do filme e sua fluência são impressionantes, é porque é impressionante a precisão de suas escolhas narrativas, obviamente apontadas pelo roteiro, mas inegavelmente trabalhadas pelo diretor. Se o filme é conduzido de forma tão fluente até o fim é porque não há gordura, não se perde tempo com o que não se precisa perder, embora nada pareça acelerado. Se há um elemento do filme que o expressa bem é a música: na medida, sem excessos, mas ao mesmo tempo com sentimento grande. Para mim é um filme de ritmo perfeito, e isso diz muito mais do que sobre a montagem.

Pois Million Dollar Baby é a história de uma mulher (31 anos, ok?) que quer ser treinada por um treinador excelente, mas excessivamente cauteloso, cautela essa que o fez perder seu último boxeador para outro empresário mais “ágil”. A história de como essas duas almas perdidas (ela, sempre foi fudida na vida, trabalha como garçonete e sonha com o boxe; ele, já teve seus dias de glória, mas agora toma conta do ginásio decadente e tenta se comunicar com a filha que nunca responde às suas cartas) se juntam e se apóiam. A história de como certas escolhas levam nossas vidas a tomarem certos rumos irreversíveis (não vou contar a virada do filme) e a culpa decorrente isso. A história de um homem velho demais para suportar novas culpas, mas íntegro demais para não encará-las, ou mesmo para questioná-las como tal (não é à toa que ele culpa o amigo, que ele discute com o padre etc.) diante da impotência.

Trata-se de outro filme crepuscular de Eastwood, como assim já era Os Imperdoáveis. Aqui, o boxe é metáfora da vida - se tu quer continuar lutando, é bom saber que tu vai continuar apanhando. Tudo no filme contribui para essa impressão: da fotografia claro-escuro que realça os detalhes, o essencial, passando pela música já comentada, à pontuação.

Muito tem se falado da caricaturização de alguns personagens. O primeiro, a lutadora alemã Blue Bear, que é negra, ex-prostituta e masculinizada. Bem, personagem negro o filme tem vários, de vários caráteres diferentes (desde Scrap até o antigo pupilo). Ex-prostituta é uma condição que, a mim, não suscita o menor preconceito num personagem que agora é lutadora de boxe, vencedora. Quanto ao masculinizada, seria bom os críticos assistirem a uma luta de boxe… O detalhe que destoa um pouco do tratamento que essa cena tem é talvez a entrada da Blue Bear, quando uma música ameaçadora pontua a ameaça que a personagem principal sofre, detalhe amenizado pelo olhar da lutadora depois que viu a merda que fez. Assim como destoa um pouco do resto do filme a família caricatural da menina de ouro (embora eu discorde que a caricatura está no tratamento, pois há daquelas famílias aos montes no mundo white trash americano). Mas esses problemas, se são detalhes que não devem ser deixados para trás, só realçam a impressão do cinema essencial de Eastwood. Ele não pode perder tempo com aquela família, porque ela não importa (tem um plano que ilustra bem essa opção, quando uma câmera subjetiva, olhos de Frank Dunn, olham as camisas da Disney da família “má”) tanto para o desenvolvimento do filme. Ídem para o personagem da lutadora.

Essa opção tem seus custos, que é o de não desenvolver bem certos personagens. Como conseqüência, alguns trechos destoam do conjunto. Mas é uma opção não somente estética, mas quase ética. O que importa para Clint Eastwood agora, que sabe que não está tão longe assim da morte (desculpem a morbidez, mas é verdade) é falar de culpa, impotência, revezes, mas também de amizades e possibilidades, essas coisas que fazem os seres humanos. Isso é o que parece ser essencial para ele. E isso, no retrato sincero e contundente que faz da relação entre treinador e treinada, da nova e efêmera família, é que faz a grandeza do filme. Há uma certa “onda” de filmes atuais com personagens em situação parecida. O exemplo mais evidente é Mar Adentro, esse sim um filme que utiliza todas as suas forças para forçar o choro do espectador – e olha que o filme não é ruim. Mas o limite da vida, em Million Dollar Baby, serve para comentar sobre outras coisas, ou outros limites da vida, nunca é usado como apelação.

O plano de Frank Dunn saindo do hospital, no fim do filme (Rastros de Ódio?) só não é melhor do que o plano final, com o mesmo dentro do bar de beira de estrada, desfocado na sua procura de algo essencial que não existe mais, comendo sua torta de limão. Amargura é isso aí.

Em tempo: há dois bons textos com visões opostas à minha em dois blogues que gostaria de recomendar: o do Fernando Veríssimo (que não é o escritor) e o do Eduardo Aguilar, no texto de 12/02. Vale a pena a visita.


Escrito por Milton do Prado às 02h21
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Dois cinemas


Numa semana atribulada, dois filmes que confirmam a capacidade do cinema em suscitar diferentes emoções.


Reflections in a Golden Eye (John Huston, 1967). Na cinémathèque québécoise, cópia velha horrível, daquelas que tem variação cor entre um rolo e outro (sendo que alguns estão quase em P/B). Filme imperfeito, irregular (cenas brilhantes, como a que o personagem de Marlon Brando perde controle do cavalo, coexistem com algumas que parecem ter sido decupadas pelo estagiário), ainda assim muito intenso e perturbador. Liz Taylor foi ousada em aceitar o papel da mulher vulgar, alcóolatra e infiel. Huston dá uma lição de como mostrar personágens desprezíveis sem superioridade e com humanidade (Todd Solondz deveria ver os filmes dele). E Marlon Brando, como o militar fraco que sente-se atraído pelo recruta, é grande. O monólogo (apesar de ter mais dois personagens em cena) dele perto do fim é de uma tristeza absurda. O último plano do filme, goste-se ou não dele, é experimental como poucos. Dá vontade de ir atrás do livro de Carson McCullers.


Before Sunset (Richard Linklater, 2004). Para inaugurar meu aparelho de DVD recém-adquirido. Autoria dividida com os atores, sensibilidade pop, Julie Delpy iluminada, Ethan Hawke aproveitando bem as marcas do tempo. Convesso que estava desconfiado dessa história de pegar os dois personagens de Before Sunrise e uní-los nove anos depois. Mas o retrato que é feito deles é preciso e sensível. Talvez os diálogos no início sejam rápidos demais (será que agora todo mundo tem que falar como nas sitcoms para parecer mais espirituoso?), problema menor de que o filme acaba tirando proveito na construção dos personagens. Filme de palavras onde a câmera fala, filme de caminhada onde a câmera acompanha, é triste e ainda romântico nas possibilidades que abre. Nem que seja para ouvir a Julie Delpy ao violão.

Dois cinemas distintos, mas que parecem ambos corroborar a frase de Joseph Conrad: "We live as we dream, alone".


Escrito por Milton do Prado às 17h08
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Les invasions barbares


Graças a uma gastroenterite do Guto, 2 anos, passei 13 horas em um hospital de Montreal e não dormi entre segunda e terça. Foi o suficiente para comprovar que o Denys Arcand no início de As Invasões Bárbaras (2003) não é nem um pouco exagerado. Estávamos no que é considerado o melhor hospital infantil da cidade, longe de nossa casa (pois, de madrugada, quase nenhum hospital tem pediatra!!!) e tivemos que esperar por mais de quatro horas antes de sermos atendidos, numa sala cuja limpeza não era o aspecto que mais se destacava. Depois de medicado (somente com soro, para reidratação), mais uma espera infernal para sermos liberados.


pai e filho em Les Invasions Barbares

É difícil de entender como num dos países mais desenvolvido do mundo você passa por isso. A expressão "hospital de primeiro mundo", ouvida em publicidades jecas no Brasil, não faz sentido aqui. Mas é o preço que os canadenses pagam por ter um sistema de saúde completamente público e acessível a todos. Sim, o cidadão canadense NÃO paga nenhuma consulta médica ou tratamento. Todo mundo é atendido da mesma maneira (existem poquíssimos hospitais privados), a não ser que entre a corrupção que vimos em Invasões.... Em compensação, todos têm que esperar sua vez. O atendimento em si é bom, mas a demora é absurda. O governo daqui (e parece que no Quebec a coisa é um pouco mais grave) tem na saúde o principal desafio. É preciso contratar mais médicos, estrangeiros inclusive, mas isso, além de caro, enfrenta também resistências dos próprios médicos locais. Complicado, enfim.

De qualquer forma, Guto já está bem e dorme feito um anjo no quarto ao lado. O que teve não foi nada grave, mas além de termos que enfrentar o barbarismo do hospital local, lembro uma frase que já não sei se é dita no filme ou no making of do mesmo pelo ator Remy Girard: não sabemos o que é o medo antes de nos tornarmos pais.



Guto: O diabinho volta à ativa!


Escrito por Milton do Prado às 01h23
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Os templos - parte 1: Cinéma du Parc


Iria começar mais tarde a falar das salas de cinema daqui de Montreal, mas ao colocar minhas mãos na programação dos próximos dois meses do Cinéma du Parc, mudei meus planos e minha estratégia. Vou começar agora e pelo melhor.



Antes, um pequeno preâmbulo contextualizador para quem não conhece Montreal. Ninguém vá pensar que a cidade é como Paris, que tem 500 salas de cinema, que respira cinema, que é o paraíso. Pelo pouco que conheço, a programação daqui é menor em quantidade que a de Londres, de Nova York, talvez até mesmo que as de São Paulo e Rio. Não analiso dados concretos, é pura impressão minha. O que torna interessante a programação de cinema daqui é a variedade, graças a características peculiares de alguns cinemas. Some-se a isso o fato de que, apesar de dominado pelo cinema americano, há uma visível necessidade de se aproximar da cultura européia, em particular e por razões óbvias da francesa. Mas voltemos aos templos.

O Cinéma du Parc - considerado por muitos guias, com certo exagero, como o único cinema de repertório da cidade - tem três salas na Avenue du Parc, uma das arestas do Plateau Mont-Royal. Fica no subsolo de um prédio residencial com uma galeria embaixo. Em função disso o clima é muito mais descontraído do que na maioria dos centros culturais mais sérios, com um hall cheio (até o teto de pé direito alto) de cartazes de filmes colados caoticamente e atendimento de primeira, só com gente bonita. Mas além dessas observações mundanas está uma real admiração pela programação do local. Ela mistura lançamentos mais "alternativos" (The Woodsman, La Mala Education), lançamentos obscuros (Manson Family), documentários variados, sessões de curtas, reprises inesperadas - de Ereaserhead (David Lynch, 1977) a Ghostbusters (Ivan Reitman, 1984) - e os chamados midnight movies, que incluem filmes malditos, pérolas do terror europeu, clássicos blaxploitation, filmes de kung fu e um grandíssimo etecétera. Com um preço razoável para os cinemas daqui, tu ainda tem a opção de comprar um cartão com oito sessões e pagar um preço menor.



Pois bem, agora ao que me levou a me adiantar na minha proposta, só para dar uma idéia melhor da programação. Em fevereiro estão programadas as reprises de O Desprezo (Godard, 1963) e Era Uma Vez na América (Sergio Leone, 1984). Nas sessões da meia-noite, El Topo (Alejandro Jodorowski, 1971) e Harold and Maude (Hal Ashby, 1971), as estréias de Turtles Can Fly (primeiro filme feito no Iraque depois da queda de Saddam Hussein, dirigido Bahman Ghobadi em 2004), e Inside Deep Throat (documentário sobre o impacto do famoso filme pornô, com o trailler mais legal dos últimos tempos), além do resgate da vários filmes recentes legais e pouco vistos, como Tarnation (Jonathan Caouette, 2004) e The Machinist (Brad Anderson, 2004). Para março, reprises de Agonia e Glória (Samuel Fuller, 1980), Edvard Munch (Peter Watkins, 1974)), a estréia de A Tale of Two Sisters (sensação sul-coreana de Ji-Woo Kim, 2004), um festival de filmes quebequenses de terror e um festival de filmes lantino-americanos, o Festivalissimo, onde finalmente poderei assistir a O Prisioneiro da Grade de Ferro (Paulo Sacramento, 2003, Brasil) e El Abrazo Partido (Daniel Burman, 2004, Argentina), entre outros.

Claro que tem filmes que já vi, outros que não são grande coisa, mas é preciso reconhecer que é uma bela programação, ainda mais porque aqui só pincelei algumas coisas. É com certeza o cinema que mais freqüento por aqui. Haja tempo e dinheiro, porque essa nossa religião é cara. Mas é por essas e outras que o Cinéma du Parc é o primeiro dos templos daqui que vos apresento.


Escrito por Milton do Prado às 20h11
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(ainda) É carnaval !


Resolvi dar uma de baiano e prolongar o clima carnavalesco quarta-feira de cinzas adentro. Mas é que depois de minha postagem É carnaval! lembrei que, quando trabalhava na Sala P.F. Gastal de Porto Alegre, produzi uma mostra chamada O Seio no Cinema. Tudo partiu da proposta do setor de combate ao câncer de mama do Hospital Mãe de Deus, e a idéia era completamente aberta: nada de filmes que falassem da doença, mas simplesmente nos quais o seio tivesse importância. Tivemos carta branca absoluta, coisa rara com esse tipo de patrocínio, e a grande dificuldade foi realmente achar as cópias dos filmes que queríamos. No final, a mostra ficou restrita aos filmes Bocaccio 70 (graças ao episódio do Fellini em que um homem delira com Anita Ekberg em uma propaganda de leite de um outdoor, nesse longa em episódios de 1962), Gritos e Sussuros (Bergman, 1972), A Teta e a Lua (Bigas Luna, 1994) e Viagem aos Seios de Duília (filme tristíssimo de Carlos Hugo Christensen, 1964). Ou seja, muitas lacunas, mas é lembrando dessa mostra que faço questão de corrigir uma falhar minha, pois nenhuma lista como a que eu apresentei vai estar completa sem a bela Mathida May, que se fez mostrar em Lifeforce (Tobe Hooper, 1985) ou no já citado A Teta e a Lua, entre outros.





Escrito por Milton do Prado às 19h01
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Herzog e o dólar: crônica do último Sundance


Nosso correspondente em Sundance, Cassio Tolpolar, manda sua crônica musical-cinematográfica da última edição do Festival de Cinema, que terminou há mais de uma semana, onde trabalhou como assistente de produção. Divirtam-se.

"O melhor acontecimento do Festival de Cinema de Sundance deste ano foi ter conhecido pessoalmente uma das minhas bandas americanas favoritas, Yo La Tengo. Estava no cinema com minha amiga japonesa Tomoko, quando um cara se aproximou e puxou papo com a gente. Pra encurtar a história, o bacana era produtor de Junebug, um dos filmes que estavam sendo exibidos no Festival e que tem a trilha sonora feita pelo Yo La Tengo. Não é que ele é amigo pessoal da banda (que tem show marcado no Festival)? Tentei comprar um ingresso pro show, mas não tinha mais. Entao enchi o saco desse produtor até que, na noite do show, ele me liga: “vem pra cá agora!”. Saí correndo e cheguei a tempo de ver este que foi um dos melhores shows que Utah jamais presenciou. Ambiente íntimo, acústico, bebida, fumo, muita gente feliz cantando, berrando, conversando com os integrantes da banda… Naquela noite, todos eram amigos.



Durante o intervalo, nos bastidores, eu fui introduzido ao cantor Ira Kaplan como um “fã do Brasil”. Ele me perguntou se eu havia ido no show do Brasil. Disse que tinha tentado mas não tinha conseguido e que eles tinham que ter tocado em Porto Alegre. Ele riu, disse que foi uma das melhores tours, apesar de estar doente quase todo o tempo. Depois a Georgia, super simpática, me ajudou a abrir uma cerveja, já que eu não conseguia achar o abridor. No mesmo recinto, fui apresentado ao John Cameron Mitchel. Eu disse, gosto muito do seu filme. Ele me disse, gosto muito do teu pais (ele foi ao Brasil através dos Laboratórios de Sundance). O meu amigo produtor disse pra ele que eu era da terra da Gisele Bündchen. Eu digo, todo mundo se parece com ela lá. E o Hedwig completou, e tu é a versão masculina. Cordialmente, agradeci e voltei para o show.




Ira Kaplan, sósia do DJ Dolores, e Cassio Tolpolar.
Na segunda foto, John Cameron Mitchel tentando outro tipo de "cantada".


Tive a oportunidade de ver o Werner Herzog em três ocasiões: quando estava trabalhando em um dos cinemas que exibiu seu filme, Grizzly Man, quando realmente vi o filme e quando este estava na sessão de What Is It? , de Crispin Glover, à meia-noite. What Is It? é uma mistura de Even the Dwarves Started Small, George Kuchar e Cremaster. Nao é nada inovador, mas é maluco suficiente pra provocar o melhor Q&A já visto, com direito a xingamentos. Apos a sessão, que terminou pelas duas da manhã, pensei comigo, tenho que ao menos apertar a mão do Herzog. Entao me aproximei dele, mas já tinha um outro mala na minha frente. Um guri tentando arrancar do Herzog 1 dólar pra ajudar seu festival de cinema de 1 segundo. Vê se pode. O Herzog, educado, escutou o menino, leu o folheto, mas não deu o dólar. Bem-feito. Me aproximei e, quase sem voz (tava numa gripe…), me apresentei e simplesmente agradeci o Herzog por ter feito filmes tão especiais. Ele riu, olhou pra mim e me agradeceu pelo elogio. Daí foi falar com o Crispin Glover.

OK, rapidinho: Mysterious Skin, do Gregg Araki (interessante ver como este diretor evoluiu e amadureceu), é o melhor filme que vi desde Ondas do Destino. Conta a trajetória de dois amigos de infância com uma misteriosa conexão - um acredita que foi sequestrado por alienígenas e o outro é um garoto de programa. Grande filme. Me and You and Everyone We Know, da Miranda July, também merece atenção. Com sua visão peculiar (ela trabalha com vídeos experimentais–narrativos já faz algum tempo), Miranda apresenta uma história de amor surreal que põe Amelie (NE: Poulain) no chinelo. O Thomas Vinterberg tava com seu último, Dear Wendy, com roteiro do Lars Von Trier. A história de amor entre um garoto e seu revólver parece interessante, mas é mais uma decepção vindo do diretor de Festa de Família. Idéia legal, mas não funciona. Do Brasil, só um filme, I am Cuba, the Siberian Mammoth, do Vicente Ferraz, documentário sobre a clássica colaboração entre russos e cubanos no filme I am Cuba.


Mysterious Skin: segundo o Cassio, Gregg não é um diretor de araque.

No mais, a programação deste ano estava melhor (ou era a safra?). Eu saí de Sundance com uma puta gripe, mas contente de ter visto alguns bons filmes, Yo La Tengo e o Herzog."

Cassio Tolpolar é uma grande figura, dirigiu o curta Vênus (2001), trabalhou como assistente de direção em Porto Alegre, foi fazer mestrado em San Francisco e agora é um chefe de família.

Escrito por Milton do Prado às 22h37
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É carnaval!


Tentando acompanhar a festa daqui dos confins do mundo, decepciono-me com o que vejo na cobertura pela internet. Nem falo do cada vez mais deprimente carnaval da Bahia, mas do fato que, ao contrário do que alguns afirmam, na Sapucaí ainda impera o silicone. Defensor militante do seio ao natural, resolvi então aproveitar o calorzinho de 4 graus centígrados que fez hoje em Montreal e cair na folia, postando aqui três mostras de como a imagem de um par de seios pode ser bela e sensual, sem fazê-los parecer que estão em exposição num açougue. Dois são filmes recentes do cinema europeu, mas do cinema brasileiro, farto nesse quesito, não consegui encontrar nada novo em minha pesquisa. Como não tenho foto da Michelle Valle na abertura de Garotas do ABC, escolhi um clássico incontestável. Voilà.


Eva Green em The Dreamers


Sônia Braga em Dona Flor.... Ludivine Sagnier em Swimming Pool

Obs: essa postagem foi inspirada também pela votação sobre os peitos mais inesquecíveis do cinema, feita pela revista GQ e noticiada no site no mínimo, da qual peguei emprestada a foto da Ludivine. Valeu pela lembrança, Marcos Felipe!

Escrito por Milton do Prado às 00h25
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Mês de janeiro, rápido e rasteiro


Neófito em blogues que sou, deixei passar vários filmes que vi no cinema nesse mês passado. Aí vai um balanço.

Cotação montréalais:
**** - Leonard Cohen
*** - Lhasa de Sela
** - Arcade Fire
* - Jorane
Ø - Céline Dion

The Life Aquatic With Steve Zissou
O tal do Wes Anderson apareceu para alguns em Rushmore (1998), mas para maioria foi com The Royal Tenenbaums (2001). O estilo de comédia, ou pelo menos a busca desse estilo, ficava, nos melhores momentos, entre um Tony Richardson e um George Roy Hill. Comédias "maluquetes", com personagens perdedores, a família de cabeça pra baixo e uma mise-en-scène pop conquistaram alguns (eu, entre eles) e provocaram o desprezo de uns tantos outros. Pois eis que o nerd vencedor volta com uma história novamente cheia de personagens excêntricos e as tais piadas dissonantes. Só que o encanto aqui é menor, ou quase inexistente. Continuo fã de Bill Murray (desde Ghostbusters), e uma ou outra piada funciona, assim como algumas seqüências em que que Anderson abandona a pretensão para ser criativo (a queda do helicóptero, por exemplo). Mas é tudo tão arrastado, injustificado e, dessa vez, tão longo, que aos poucos vamos nos dando conta do que o final fraco deixa claro: se no filme anterior Anderson parecia que estava procurando alguma coisa, mesmo sem encontrar, aqui ele parece que não tem nada a dizer. Mas foi uma experiência engraçada ouvir as versões em português para as músicas de David Bowie feitas pelo ótimo Seu Jorge (Queen Bitch, por exemplo, virou "Minha Nêga"), com letras completamente non sense, em um cinema onde provavelmente somente eu estava entendendo (entendendo aqui é modo de dizer). *

I Heart Huckabees
Já faz um tempinho que vi esse aqui, lá por novembro, mas fiz questão de colocar aqui porque para mim está numa categoria muito próxima de Live Aquatic.... Fazem parte de uma tentativa de se fazer uma comédia mais "inteligente", alternativa, esquisita. Não vi nenhum filme do David O. Russell, nem o conhecido Three Kings, mas posso dizer que aqui o cara erra feio a mão. Quem avisa, amigo é: em boa parte das listas de melhores de 2004 mais bacanas você vai encontrar I Heart Huckabees, mas trata-se apenas de uma colcha de retalhos com pretensões metafísicas que não chega a lugar algum, a não ser ao constrangimento de várias cenas. Prestígio, Russel tem, pois o filme conta com Dustin Hoffman, Lilly Tomlin, Judy Law, Naomi Watts, Isabelle Huppert, entre outros. Há cenas boas, como um almoço entre o personagem principal, um bombeiro em crise vivido por Mark Wahlberg e uma família cristã e seu filho adotivo africano. É de se admirar também ver Isabelle Huppert transando no mato, completamente desglamurizada. Pode-se dizer que Jude Law está engraçado, Naomi Watts idem. Mas é triste ver que nada se encaixa e que a pretensão do filme faz com que seus inúmeros admiradores digam que "é sobre isso mesmo que o filme trata". Comigo, não. Ø



The Manson Family
Jim Van Bebber demorou vários anos para terminar esse filme único, que conta a história da família de seguidores de Charles Manson, músico frustrado e hippie doidão que ficou famoso mundialmente por ordenar o assassinato de Sharon Tate, na época mulher de Roman Polanski. Trata-se de uma mistura de ficção, docudrama, mockumentary e análise social, com algumas cenas da época (difícil de serem identificadas) e uma sub-trama atual, onde os produtores de um programa de TV sobre Manson são ameaçados por um grupo de "admiradores". O início do filme é genial, com as diversas partes montadas de forma conflitante. Nos melhores momentos o filme mantém essa força underground, ideal um tema tão barra-pesada. Pena que várias das dramatizações, pela banalidade, prejudiquem um pouco o conjunto, e o final "atual" também não diz a que veio. No final, ficamos entre o amadorismo e a trangressão, mas há de se admitir que essa prevalece. O material promocional diz que Bebber não mostra o assassinato de Tate por respeito a Polanski, mas quem conhece as circunstâncias sabem que ele está lá. **

La Mala Educación
Almodóvar aproveita o prestígio para contrabandear temas ainda malditos, pelo menos para o grande público, pelo menos tratados de maneira explícita. E faz isso homenageando o noir e novamente o melodrama, inspirando-se também em La Ley del Deseo (1987), para mim ainda seu melhor filme. Mas, se a tão falada maturidade do diretor se faz presente na fluidez do filme, que mostra mais uma vez um emaranhado de tramas e subtramas que se encadeiam, é estranho que a gente não sinta muito a paixão do personagem do cineasta (Fele Martínez), gritada graficamente ao final. Fica então um vácuo entre o discurso e o resultado. Ainda assim, ótimo cinema, com várias camadas narrativas, várias camadas de fruição. Não entrou nos melhores de 2004 porque só estreou em Montreal em janeiro. ***

Closer
Depois de ler duas belíssimas defesas desse filme (uma no Diário de Um Cinéfilo, outra na Contracampo), fui ver imediatamente esse novo Mike Nichols, mas não escondo a frustração. Sempre fico com um pé atrás desse tipo de “retrato de geração”, mesmo sabendo que esse filme não tem essa pretensão como tinha Sex, Lies, and Videotape (1989), por exemplo. A trama em elipse, se é interessante em alguns momentos (principalmente na primeira grande elipse), revela para mim uma das desonestidades do filme. É muito fácil falar do vazio e da crueldade das relações atuais fazendo o recorte a que o filme se propõe, ou seja, dos encontros e desencontros (cof cof). São vazios e cruéies os relacionamentos ou é vazio e cruel essa postura narrativa? Na dúvida, fica também o incômodo de ver tantos equívocos dramáticos sendo elogiados. Jude Law talvez em seu pior papel, quase constrangedor nas cenas mais exigentes; Julia Roberts definitivamente não convencendo como fotógrafa “sofisticada” (independente do grau que a gente coloque nessas aspas); e até Clive Owen, ator mais "sério", dando suas exageradas. Salva-se Natalie Portman, perfeita para o papel, com fragilidade e sedução na medida certa (ou medidas certas). *



The Woodsman
A história do ex-pedófilo que sai da prisão após cumprir sua longa pena é recheada de clichês do filme sobre reabilitações e reajustes, mas ainda assim tem seu interesse. Muito porque a diretora estreante, Nicole Kassell, optou pela simplicidade (essa própria postura já é quase um clichê do chamado cinema independente, mas tudo bem) com lampejos de criatividade , muito porque é incrível ver Kevin Bacon se transformar num bom ator. Poderia começar aqui a questionar o que é um bom ator, mas o fato é que você sai do cinema acreditando que o sujeito é um ex-pedófilo! Acompanha Mr. Bacon a senhora Kyra Sedgwick, sua mulher na vida real. O filme acerta também ao transformar a doença do personagem em horror para ele, inclusive. A cena em que ele quase tem uma recaída é extremamente angustiante. E para quem acha que esse tipo de filme pesa a mão para sensacionalizar o tema, a vida sempre surpreende: no dia que assisti a The Woodsman havia uma mãe com a filha de uns sete anos, para espanto da platéia que se virou em sincronia para ela ao final dos créditos! Everybody cut Footloose!
**

Escrito por Milton do Prado às 01h43
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